terça-feira, março 10, 2026
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Wrexham vive conto de fadas hollywoodiano e sonha com a Premier League

PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) – Décimo-nono colocado da quinta divisão inglesa na temporada 2019-20, em meros seis anos o Wrexham tornou-se pretendente a uma vaga na bilionária Premier League. Os cínicos poderiam retrucar que esse conto de fadas seria impossível sem os milhões dos dois atores hollywoodianos que compraram o modesto clube do País de Gales. Mas a euforia autêntica da torcida local vem comovendo fãs do mundo inteiro, com a ajuda das redes sociais e das plataformas de streaming.

“Teve gente que entrou em clubes de futebol, gastou muito dinheiro e não teve o sucesso que o Wrexham teve”, comenta o repórter Will Unwin, do jornal londrino “The Guardian”, que tem acompanhado a ascensão do Wrexham ao longo dos anos.

Wrexham é uma cidade de 45 mil habitantes no norte do País de Gales, sede de um clube profissional considerado o terceiro mais antigo do mundo: foi fundado em 1864, apenas um ano após a criação do futebol “association”. É um dos cinco times galeses que optam pelas ligas inglesas, em vez da Cymru Premier (“Cymru” é o nome de Gales na língua galesa).

O Wrexham nunca passou da segunda divisão inglesa, da qual caiu em 1982, iniciando um declínio inexorável. Tudo mudou em 2020, quando o ator americano Rob McElhenney (da série “It’s Always Sunny in Philadelphia”, do canal FX) assistiu ao documentário “Sunderland até Morrer”, no Netflix, sobre a luta do rebaixado clube inglês para retornar à Premier League.

Fascinado, McElhenney decidiu procurar um time para produzir um fenômeno parecido. Juntou-se ao colega canadense Ryan Reynolds (“Deadpool”) e comprou o Wrexham no final de 2020, por meros 2 milhões de libras (cerca de R$ 18 milhões em valor corrigido pela inflação).

O investimento deu frutos, tanto na tela quanto nos campos. A série “Bem-Vindos ao Wrexham”, lançada pelo canal FX em 2022, ganhou inúmeros prêmios, enquanto o time subiu de divisão três anos seguidos entre 2023 e 2025.

A dez rodadas do final da Championship (a segunda divisão) deste ano, o Wrexham ocupa o sexto lugar. Terceiro, quarto, quinto e sexto colocados disputam um mata-mata por uma vaga na Premier League.

À frente do Wrexham, McElhenney e Reynolds têm se comportado, pelo menos por enquanto, de forma diferente da de outros milionários donos de clubes de futebol. Comparecem a muitos jogos, às vezes levando consigo celebridades. Contrataram executivos que entendem do assunto, mas mantiveram no clube funcionários antigos. “Ainda há muito das raízes. Eles só modernizaram onde era preciso modernizar”, analisa Will Unwin.

A sustentabilidade do clube ainda é duvidosa, mas os dois atores têm procurado investir com comedimento. “É um bom elenco, mas não de Premier League”, explica Unwin. O site especializado Transfermarkt estima o plantel atual em R$ 400 milhões. Será preciso gastar mais: hoje o último colocado da Premier League, o Wolverhampton, vale quatro vezes mais.

O Wrexham tornou-se o orgulho do norte do País de Gales – mas só do norte, conta Unwin: há uma forte rivalidade com os sulistas Swansea, também da segunda divisão inglesa, e Cardiff City, atualmente na terceira. Antes do sucesso, em Wrexham torcia-se mais pelos times das vizinhas Liverpool e Manchester.

Na semana passada, o Wrexham foi notícia no mundo inteiro ao enfrentar o Chelsea, vencedor da Copa do Mundo de Clubes da Fifa no ano passado, pelas oitavas de final da FA Cup, a Copa da Inglaterra. Jogando em seu modesto estádio (10 mil lugares), o Racecourse Ground, o time galês só foi eliminado na prorrogação, por 4 a 2.

No dia do jogo, em entrevista à ESPN, Ryan Reynolds negou um boato de que seu próximo projeto seja comprar o Santa Cruz, do Recife. “Prefiro fazer uma coisa só bem feita do que 50 malfeitas”, esclareceu.

Mesmo que não suba este ano, o Wrexham dará continuidade a seu projeto. Em julho, fará uma excursão aos EUA, que inclui um amistoso em Nova York contra um gigante do futebol inglês, o Liverpool, algo impensável apenas sete anos atrás.

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Fonte: Noticias ao Minuto

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