sexta-feira, março 27, 2026
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vítimas vivem de favor com amigos e familiares

Um mês após a explosão seguida de incêndio que atingiu o bloco 105A do Conjunto Habitacional dos Bancários, no bairro do Stiep, em Salvador, a equipe do portal A TARDE esteve no local e encontrou um cenário marcado por perdas e incertezas. Fora de casa, moradores relataram que seguem vivendo de favor, sem previsão de retorno e sem auxílio financeiro.

Depois de tanto sacrifício, ver uma vida pelo chão…

Aos 74 anos, Maria da Paixão é uma dessas moradoras. Há 45 anos vivendo no térreo do prédio atingido, ela viu sua casa ser destruída e hoje depende da ajuda de uma vizinha para ter onde morar.

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No dia da explosão, Maria estava trabalhando em seu restaurante, localizado próximo ao prédio, quando ouviu o estrondo. “Eu fiquei assustada, mas nem sabia que era lá onde eu morava. Foi quando os meninos disseram: ‘foi no prédio que você mora’. Aí eu me desesperei”, conta.

| Foto: Victoria Isabel | Ag. A Tarde

Ao voltar ao imóvel, o cenário foi devastador. “Desabou o teto, molhou tudo, acabou tudo. Guarda-roupa, cama… não sobrou nada. Eu cheguei lá, vi aquilo e passei mal. Não tive mais coragem de voltar”, relata.

Desde então, Maria vive de favor na casa da vizinha Valdina, de 73 anos, que mora em um prédio em frente ao local da explosão. A relação entre as duas vai além da vizinhança. “Ela é como uma irmã para mim. Está lá em casa, e a gente vai se virando como dá”, afirma Valdina.

Valdina, de 73 anos

Valdina, de 73 anos | Foto: Victoria Isabel | Ag. A Tarde

Mesmo sem ter sido diretamente interditado, o imóvel de Valdina também sofreu danos. “As janelas trincaram todas, quebraram. Mas vai falar com quem? Ninguém procurou a gente. A gente que tem que resolver e consertar”, desabafa.

Segundo as moradoras, a situação de Maria não é isolada. “Todo mundo tá assim. Uns estão na casa de parentes, outros alugando como podem. Tá todo mundo na esperança”, diz.

Falta de apoio financeiro

A principal queixa é a falta de apoio financeiro. Maria afirma que não recebeu qualquer tipo de auxílio desde o ocorrido. “Eu acho que nenhum morador recebeu, porque disse que só era para quem ganhasse menos de um salário. Eu mesma não recebi. Minha irmã, minha vizinha também não recebeu e até hoje nada. Não saiu auxílio nenhum”, afirma.

Apesar disso, ela evita buscar informações oficiais sobre o andamento das medidas. O trauma, segundo diz, ainda pesa. “Eu não procuro saber de nada. Eu fui lá, passei mal. Prefiro não me envolver. Já tô com 74 anos, cansada de guerra”, desabafa.

Como funciona o auxílio moradia em Salvador

Na capital baiana, o Auxílio Moradia pode ser concedido em casos de incêndio em imóvel particular, desde que a residência tenha sido destruída ou danificada a ponto de se tornar inabitável.

Como as famílias podem usar o auxílio?

O Auxílio Moradia é pago pela Prefeitura de Salvador e garante R$ 300 por mês a famílias de baixa renda que perderam o imóvel em razão de calamidade pública.

O cadastramento das famílias para a concessão do benefício será realizado pela Secretaria Municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza (Sempre).

Além do valor mensal, pode haver complemento por meio de auxílio emergencial, que varia de um a três salários mínimos, conforme avaliação das perdas materiais.

A Caixa Econômica Federal atua como agente operador do pagamento.

Imagem ilustrativa da imagem Explosão no Stiep completa um mês: vítimas vivem de favor com amigos e familiares

| Foto: Victoria Isabel | Ag. A Tarde

Quais são os requisitos?

O benefício é temporário e destinado a famílias de baixa renda em situação de vulnerabilidade social ou risco habitacional. Para solicitar, é necessário:

  • Estar inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico);
  • Comprovar renda familiar compatível com os critérios do programa.

A equipe de reportagem entrou em contato com a Sempre para obter informações sobre o direito dos moradores ao benefício, mas não obteve retorno até a publicação da matéria.

O que diz a Defesa Civil

Procurado pela reportagem, o diretor-geral da Defesa Civil de Salvador (Codesal), Adriano Silveira, o local segue com risco de desabamento, o que impede o retorno dos moradores.

De acordo com o gestor, todas as áreas internas do edifício atingido já foram esvaziadas, e o próximo passo será a demolição das partes consideradas instáveis da estrutura.

“O prédio lá continua interditado porque ainda existe risco de desabamento. Então, à medida que ainda tiver partes instáveis, a gente não tem como liberar o acesso dos moradores”, explicou.

A Codesal informou que já está em fase de orçamento para execução da demolição controlada. Após a retirada dessas áreas comprometidas, será implantado um novo esquema de segurança para permitir o acesso gradual dos moradores às unidades.

Imagem ilustrativa da imagem Explosão no Stiep completa um mês: vítimas vivem de favor com amigos e familiares

| Foto: Victoria Isabel | Ag. A Tarde

“Depois que fizer a demolição das partes instáveis, aí sim a gente vai criar um mecanismo de segurança para que os moradores possam acessar com segurança suas unidades habitacionais”, disse Adriano.

Atualmente, nenhum morador está autorizado a permanecer no prédio onde ocorreu a explosão. O acesso foi liberado apenas em momentos específicos para retirada de pertences.

“Já autorizamos acesso para remoção de utensílios, isso foi feito desde o início. Agora, para voltar a habitar o prédio, só depois da demolição das partes instáveis”, reforçou.

Necessidade de demolição

Em nota, a Codesal informou que uma nova vistoria foi realizada e reafirmou a necessidade de demolição parcial do bloco 105A.

Confira nota:

Continua interditado o bloco 105A, diretamente atingido pela explosão seguida de incêndio ocorrida há um mês no Conjunto Habitacional dos Bancários, no bairro do Stiep. A informação é da Defesa Civil de Salvador (Codesal).

A remoção dos escombros no interior dos apartamentos afetados foi concluída nesta semana pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur).

Em seguida, foi realizada uma nova vistoria técnica por um especialista em estruturas, que confirmou as conclusões do relatório anterior. A análise aponta a necessidade de demolição das partes instáveis da edificação, como medida essencial para garantir a segurança.

Após a demolição das áreas comprometidas, será implantada uma estrutura de segurança provisória de tapumes no lado esquerdo do imóvel 105A, o que permitirá a liberação do acesso pelo lado direito, que foi parcialmente atingido pela explosão.

Como ação emergencial adicional, a Secretaria de Manutenção (Seman) isolou o acesso ao bloco 105B na área térrea e fechou, com chapas de madeirite, as janelas voltadas para o prédio atingido, permitindo a liberação do acesso dos moradores.

A iniciativa busca evitar que resíduos do edifício danificado atinjam a estrutura vizinha e garanta maior segurança aos residentes.



Fonte: A Tarde

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