sexta-feira, março 13, 2026
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veja os sinais que exigem atenção

Cansaço persistente, irritabilidade e alteração no humor pode ser desequilíbrio hormonal –

Sintomas como cansaço persistente, irritabilidade, dificuldade de concentração e alterações de humor costumam ser associados apenas ao estresse do dia a dia. Entretanto, especialistas alertam que esses sinais também podem indicar desequilíbrios hormonais – condição comum entre mulheres.

A empresária Cândida Silva, de 58 anos, percebeu que algo não estava bem quando começou a sentir mudanças no próprio corpo, apesar de manter uma rotina ativa.

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“Eu sempre fui uma pessoa bem ativa, com várias atividades ao longo do dia e ainda arrumava tempo para fazer atividade física. Só que comecei a me sentir cansada, lenta para realizar atividades”, relata Candida.

Segundo ela, além do cansaço excessivo, surgiram também sonolência, dificuldade de concentração e falhas de memória. E, com o passar do tempo, a fadiga começou a interferir na rotina.

Candida relatou que, quando chegava o período da tarde, frequentemente sentia vontade de deitar e descansar, mesmo ainda estando em horário de trabalho. Ela recorda de um episódio que a marcou.

“Teve um dia que acordei, tomei banho para me arrumar para o trabalho, mas quando saí do banho voltei para a cama e dormi. Acordei horas depois ainda me sentindo cansada”, relembra.

Problemas emocionais

A empresaria conta que, inicialmente, as pessoas próximas acreditaram que os sintomas poderiam estar ligados a questões emocionais. Uma amiga chegou a sugerir que ela procurasse um terapeuta por suspeita de depressão.

Cândida, no entanto, à época, não conseguiu identificar nenhum motivo que justificasse o quadro de problema emocional.

| Foto: Divulgação

A resposta começou a surgir após uma conversa na academia. Mesmo sem disposição, ela decidiu manter a rotina de exercícios e comentou com o personal trainer sobre o que estava sentindo.

“Conversei com meu personal e foi ele quem perguntou como estava meus exames: vitaminas, hormônios. Decidi marcar com a minha ginecologista e ao relatar os sintomas, ela pediu alguns exames e, entre eles, um para ver como estava a tireoide”, lembra.

Os resultados mostraram alterações nos hormônios tireoidianos e no TSH (Hormônio Tireoestimulante). “Nos exames foi detectado que os níveis dos hormônios tireoidianos estavam bem baixos”, conta.

Diagóstico e tratamento

O diagnóstico foi hipotireoidismo, condição em que a glândula tireoide não produz hormônios suficientes para o funcionamento adequado do organismo. O tratamento começou com acompanhamento endocrinológico e ajuste gradual da medicação.

Hoje, a empresária toma diariamente um medicamento e realiza acompanhamento médico a cada seis meses. Segundo ela, após o controle dos níveis hormonais, foi possível retomar a rotina normal e recuperar a disposição.

Sintomas afetam áreas do organismo

De acordo com a endocrinologista Hanna Andrade Amorim, professora da Afya Salvador, os sinais de desequilíbrio hormonal nas mulheres podem ser bastante amplos e afetar diferentes sistemas do corpo.

Entre os sintomas mais comuns estão cansaço persistente mesmo após dormir, irritabilidade frequente, ansiedade sem causa aparente, alterações de humor, sono não reparador, ganho de peso ou dificuldade para emagrecer.

Ela explica que também podem surgir manifestações físicas como queda de cabelo, unhas fracas, alterações na pele – incluindo acne ou ressecamento -, além de irregularidades menstruais, lapsos de memória e dificuldade de concentração.

Rotina estressante pode mascarar o problema

Ainda segundo a especialista, muitas mulheres acabam confundindo alterações hormonais com estresse ou problemas emocionais, principalmente porque mudanças nos níveis hormonais também provocam oscilações de humor.

Hanna explica que, quando há instabilidade ou queda de hormônios sexuais femininos, a paciente pode apresentar mais ansiedade, impaciência e irritabilidade. Esses sintomas, segundo ela, costumam ser interpretados como resultado da rotina intensa.

“Vivemos em um mundo que nos expõe muito a quadros de ansiedade, estresse, irritabilidade, enfim e, às vezes, negligenciamos isso, achando que faz parte apenas do nosso cotidiano, do trabalho que estressou, o dar conta de ser mãe, esposa, dona de casa, trabalhar”, pontua.

“Então, às vezes, as pessoas confundem por achar que isso é meramente uma questão cotidiana, enquanto, na verdade, pode ser o climatério, ou outra alteração hormonal, com questões endócrinas”, complementa a médica.

Impacto da “tripla jornada”

A chamada tripla jornada feminina, que envolve trabalho profissional, cuidados com a casa e responsabilidades familiares, também pode influenciar o equilíbrio hormonal, conforme aponta a endocrinologista.

Hanna Amorim, diz que o excesso de fatores estressores pode provocar desorganização do ciclo circadiano, responsável por regular o funcionamento do organismo ao longo do dia.

Esse processo aumenta a produção de cortisol – hormônio relacionado ao estresse -, o que pode interferir no eixo hormonal.

“Algumas mulheres falam: ‘olha, esse mês eu estava muito estressada, minha menstruação demorou a vir ou minha menstruação veio antes’. Isso acontece porque as emoções impactam no eixo hormonal”, afirma a médica.

Síndrome do ovário policístico exige atenção

Entre os distúrbios hormonais mais comuns em mulheres em idade reprodutiva está a síndrome do ovário policístico (SOP), que ainda pode ser subdiagnosticada.

A endocrinologista explica que a presença de cistos no ovário, isoladamente, não é suficiente para confirmar o diagnóstico.

Entre os distúrbios hormonais mais comuns está a síndrome do ovário policístico

Entre os distúrbios hormonais mais comuns está a síndrome do ovário policístico | Foto: Divulgação

É necessário avaliar outros critérios clínicos, como irregularidade menstrual, ausência de ovulação, dificuldade para engravidar e sinais de aumento da testosterona.

Esses sinais podem incluir acne intensa, crescimento de pelos em regiões incomuns para mulheres e dificuldade para perder peso.

“A paciente produz insulina, mas ela tem dificuldade de agir no receptor, no colocar o açúcar dentro da célula. Então, isso faz com que a paciente tenha um sinal, o aparecimento de manchas escurecidas em região de dobra, principalmente no pescoço, a dificuldade de perder peso”, esclarece.

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Quando procurar ajuda médica

Segundo a especialista, a recomendação é procurar avaliação médica sempre que surgirem sintomas persistentes ou alterações no ciclo menstrual.

As mulheres que apresentam irregularidade na menstruação, sangramento excessivo, fadiga constante, alterações de humor fora do habitual ou dificuldade para engravidar devem procurar um endocrinologista ou ginecologista para investigação.

Tratamento hormonal

Tratamento hormonal | Foto: Freepik/Divulgação

“Na verdade, as mulheres tentantes deveriam procurar atendimento antes [de engravidar], Fazer os exames, se cuidar, ver se tem alguma coisa que precisa ser feita com antecedência”, orienta ela.

Tratamento varia conforme o diagnóstico

A especialista explica que o tratamento para distúrbios hormonais depende da causa identificada. Em casos como a síndrome do ovário policístico, mudanças no estilo de vida costumam ser parte fundamental do controle da condição.

Exame para detectar tireoide

Exame para detectar tireoide | Foto: Reprodução | Freepik

A prática regular de atividade física, alimentação equilibrada e perda de peso também são fatores importantes para melhorar o quadro. Mas, em algumas situações, pode ser necessário o uso de medicamentos para reduzir a resistência à insulina.

Atividade física, alimentação equilibrada e perca de peso pode ajudar no tratamento

Atividade física, alimentação equilibrada e perca de peso pode ajudar no tratamento | Foto: Reprodução Freepik

Já em doenças da tireoide, como o hipotireoidismo, o tratamento geralmente envolve reposição hormonal e acompanhamento médico regular. Ela diz que, o principal alerta é não ignorar sinais persistentes do organismo.

“Muitas vezes, o que parece apenas cansaço da rotina pode ser um indicativo de que algo no corpo precisa ser investigado”, ressalta a endocrinologista.



Fonte: A Tarde

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