segunda-feira, março 9, 2026
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Universidades públicas brasileiras criam regras para uso de IA

As principais universidades públicas de São Paulo estão estruturando normas para orientar o uso de inteligência artificial em atividades acadêmicas. A iniciativa envolve a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

De forma geral, as instituições defendem que o uso de ferramentas de IA deve ser declarado explicitamente em trabalhos acadêmicos e atividades pedagógicas.

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As orientações incluem informar quais plataformas foram utilizadas, suas versões e modelos, além da maneira como foram aplicadas, inclusive com registro dos prompts usados.

A criação dessas diretrizes ocorre em meio ao crescimento do debate sobre os impactos da tecnologia na educação, na ciência e na produção de conhecimento.

Universidades definem o que pode e o que não pode com IA

A Unesp saiu na frente com um guia prático que separa as condutas em categorias. Tarefas como tradução, resumos e reformulação de parágrafos são consideradas aceitáveis.

No entanto, o “sinal vermelho” brilha para quem tenta entregar trabalhos produzidos total ou parcialmente por robôs como se fossem de autoria própria.

Entre os usos considerados aceitáveis estão:

  • tradução de textos;
  • elaboração de resumos;
  • reformulação de parágrafos ou apoio à organização de ideias.

O uso de inteligência artificial em avaliações sem o aval do professor também está terminantemente proibido.

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Para os docentes, a tecnologia é permitida no planejamento de aulas, desde que haja revisão humana. Criar materiais didáticos automatizados sem informar os alunos é visto como uma prática inadequada pelas instituições.

Curiosamente, o próprio guia da Unesp foi elaborado com auxílio de ferramentas de inteligência artificial, fato que é informado no documento.

Novos institutos e mudanças na forma de avaliar

Para gerir essa revolução, as universidades estão criando órgãos específicos. A Unesp projeta o Instituto de Inovação em Inteligência Artificial (I3A), enquanto a USP finaliza seu Escritório de Inteligência Artificial e Transformação Digital.

O objetivo é coordenar pesquisas e formar protocolos que combatam o plágio e garantam a integridade científica.

Como os softwares de detecção de textos gerados por máquina ainda falham, muitos professores da Unicamp já mudaram o jogo. As provas orais e apresentações presenciais voltaram com força como alternativas seguras.

Novos centros de pesquisa e formação em inteligência artificial

Além das regras para o uso acadêmico da tecnologia, as universidades também estão ampliando iniciativas de ensino e pesquisa na área.

A Unesp estuda a criação de um curso de graduação em inteligência artificial. Na Unicamp, a proposta de um bacharelado em Inteligência Artificial e Ciência de Dados deve ser analisada pelo Conselho Universitário ainda neste mês.

A universidade também criou o Centro de Referência em Tecnologias de Inteligência Artificial, responsável por desenvolver protocolos institucionais sobre o uso da tecnologia.

Na USP, o tema também ganhou estrutura institucional. A universidade está finalizando a implementação do Escritório de Inteligência Artificial e Transformação Digital, ligado ao gabinete do reitor.

O órgão deverá coordenar estratégias relacionadas à digitalização da universidade e ao uso responsável da tecnologia em ensino, pesquisa e gestão acadêmica.

A instituição também mantém centros dedicados ao tema, como o Centro de Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina, que participa de projetos nacionais voltados ao desenvolvimento de práticas éticas no uso da tecnologia.



Fonte: A Tarde

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