PUBLICIDADE

Trump quer que petrolíferas dos EUA voltem à Venezuela — não será fácil

O presidente Donald Trump afirmou que está contando com empresas americanas para reconstruir a combalida indústria petrolífera da Venezuela.

No entanto, as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, por mais tentadoras que pareçam, podem apresentar mais riscos do que benefícios para as gigantes do petróleo dos EUA, segundo especialistas do setor energético ouvidos pela CNN Internacional.

Extrair mais petróleo da Venezuela exigiria reconstruir a infraestrutura petrolífera deteriorada do país, o que custaria, segundo o próprio Trump, bilhões de dólares. Além disso, o preço do petróleo não está em patamares que tornariam esse tipo de investimento uma decisão fácil.

Soma-se a isso o fato de que refinar o tipo específico de petróleo venezuelano é, por si só, um empreendimento custoso.

Seria uma proposta difícil mesmo em um país politicamente estável, quanto mais em um que atravessa uma crise política após a destituição de seu presidente autoritário.

“Toda essa situação deixa mais perguntas do que respostas sobre o futuro político da Venezuela, e isso estará em primeiro plano nas mentes dos planejadores corporativos e da indústria que queiram considerar as boas oportunidades existentes lá”, afirmou Clayton Seigle, pesquisador sênior do Programa de Segurança Energética e Mudanças Climáticas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

No sábado (3), forças especiais dos EUA executaram uma operação em larga escala, capturando com sucesso o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, transportando-os para Nova York.

Os dois foram acusados de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína e crimes relacionados a armas.

Trump disse que os EUA irão “administrar” o país até que uma liderança segura seja instalada. No mesmo dia, o Supremo Tribunal da Venezuela empossou Delcy Rodriguez – que supervisiona a empresa estatal de petróleo, Petróleos de Venezuela, SA – como presidente interina.

O republicano afirmou que as empresas petrolíferas farão a Venezuela realizar seu potencial perdido como grande produtora global de petróleo.

“Vamos fazer com que nossas grandes empresas petrolíferas dos Estados Unidos, as maiores do mundo, entrem, gastem bilhões de dólares, consertem a infraestrutura severamente danificada, a infraestrutura do petróleo, e comecem a gerar dinheiro para o país”, disse Trump.

Conturbada história dos EUA com o petróleo venezuelano

Empresas petrolíferas estrangeiras operam na Venezuela há mais de um século. Sua proximidade com os Estados Unidos fez da Venezuela uma parceira estratégica fundamental para os interesses americanos.

Seu petróleo barato e viscoso provou ser a combinação perfeita para as empresas petrolíferas americanas, que construíram toda sua infraestrutura de refinaria para o tipo de óleo cru venezuelano.

Além disso, no início dos anos 1990, a Venezuela introduziu um conjunto de novas políticas visando incentivar ainda mais investimentos no setor petrolífero.

Mas quando o socialista Hugo Chávez assumiu o poder em 1999, ele tomou o controle direto da PDVSA e permitiu que a infraestrutura petrolífera venezuelana se deteriorasse.

Isso impediu que as empresas no país produzissem tanto petróleo quanto eram capazes, e a produção do país caiu mais de um terço no último quarto de século.

“Nós construímos a indústria petrolífera venezuelana com talento, impulso e habilidade americana, e o regime socialista a roubou de nós”, disse Trump.

A Chevron é a última empresa petrolífera americana remanescente no país – operando de forma intermitente na última década, conforme as sanções americanas e uma série de isenções permitiram que a empresa mantivesse algumas operações por lá.

Cerca de um quarto do petróleo venezuelano, produzido pela Chevron, é exportado para os Estados Unidos.

“A Chevron opera lá há literalmente 100 anos, e eles viram de tudo, e persistiram nos momentos bons e ruins para ter uma posição realmente vantajosa agora”, disse Seigle à CNN Internacional.

A presença consolidada da Chevron vai dificultar a competição para novos players ou empresas que queiram retornar, disse Michael Klare, pesquisador sênior visitante da American Arms Association. “Qualquer empresa que entrar vai precisar de anos para duplicar essa capacidade”.

“Você não pode simplesmente entrar na Venezuela e bombear petróleo. É um processo extremamente difícil e complexo no qual a Chevron, ao longo dos anos, se destacou, mas muito poucas empresas possuem essa tecnologia à disposição”.

Após os eventos de sábado, um porta-voz da Chevron disse que a empresa “continuará operando em total conformidade com todas as leis e regulamentos pertinentes”.

Fonte: CNN BRASIL

Leia mais

PUBLICIDADE