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Cada vez mais comerciais e diversificados, os ovos de chocolate dominam o imaginário da Páscoa. Mas para a belarussa Volha Yermalayeva Franco, de 37 anos, a data é marcada por outra tradição: ovos de galinha pintados à mão, que remetem a histórias de família e a sentimentos de esperança e renovação da Belarus, região do leste europeu, onde nasceu.
Ao lado de Volha, as ucranianas Anastasiia Syvash, 38, e sua mãe, Olha Syvash, 67, se reúnem para pintar os ovos e manter vivo o costume secular que atravessa gerações. “Nós não usamos ovos de chocolate, usamos ovos normais, e a melhor parte é pintar”, conta Anastasiia.
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Bem diferentes dos populares ovos de chocolate, tão presentes neste período, o professor e historiador Murilo Mello explica que esses produtos são uma tradição relativamente moderna e ligada ao comércio, já que o chocolate era consumido de forma líquida até o século XIX. “Ambas são tradições cristãs que saem de Roma. O ovo para eles, como para a gente, traz o significado de nascimento e vida, em alusão à ressurreição de Cristo”, esclarece.
As pêssankas, os ovos coloridos, utilizam diferentes técnicas de pintura, com ingredientes naturais, como casca de cebola e repolho roxo, além do uso de cera quente para criar desenhos.
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“A gente começa a preparar os ovos geralmente na quinta-feira, e de sábado para domingo tem uma missa que dura a madrugada toda, para o padre abençoar os ovos e tudo que não podia comer durante a Quaresma”.
Volha associa o costume à família e às lembranças da infância. Ela relembra as manhãs de Domingo de Páscoa, marcadas pela presença da avó anunciando que Jesus ressuscitou. Já Anastasiia vê o gesto como uma mensagem de paz e esperança, sobretudo diante da guerra na Ucrânia.
“É importante manter essas tradições vivas, por mais simbólicas que sejam. Pintar o ovo faz a gente se sentir mais em casa”, complementa Olha.
Lenda
A belarussa aproveita para explicar que “ a origem dessa prática de pintar os ovos está ligada a uma lenda do Leste Europeu, que conta sobre a visita de Maria Madalena ao imperador Tibério, levando ovos como presente para anunciar que Jesus ressuscitou. Descrente, Tibério afirmou que o fato seria tão improvável quanto os ovos que ela carregava se tornarem vermelhos”.
Apesar de associada à Páscoa, Volha explica que a prática também está ligada às tradições pagãs: “As festividades de primavera se mesclaram e sincretizaram com a Páscoa, que sempre acontece na mesma época lá”.
Fonte: A Tarde



