Escolha de Toffoli ocorre em momento delicado para magistrado –
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Federal Tribunal (STF), foi definido por sorteio ontem como o relator do mandado de segurança que pede a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso Nacional.
O objetivo da comissão é investigar supostas fraudes financeiras na relação entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
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O pedido foi apresentado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que iniciou a coleta de assinaturas em 18 de novembro, um dia após a primeira prisão do banqueiro Daniel Vorcaro.
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No documento enviado ao tribunal, o parlamentar argumenta que a “prolongada inércia” na investigação do caso ameaça a confiança no sistema financeiro e a imagem da fiscalização parlamentar.
Histórico de tensões
A escolha de Toffoli ocorre em um momento delicado para o magistrado. Em 12 de fevereiro, ele se retirou da relatoria de processos ligados ao Master após pressão de seus pares e a revelação de conexões entre o ministro e o resort Tayayá, que tem entre seus sócios o próprio banco de Vorcaro.
Na ocasião, o Pleno do STF chegou a um consenso para evitar o desgaste da Corte: os ministros rejeitaram a suspeição de Toffoli, validando seus atos anteriores, mas aceitaram seu afastamento em nome da “preservação do tribunal”.
A crise havia se agravado após um relatório da Polícia Federal (PF) apontar mensagens entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, discutindo pagamentos à empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio.
Julgamento na Segunda Turma
Apesar do recuo anterior, Toffoli tem sinalizado a interlocutores que pretende registrar sua posição nos desdobramentos do caso. Na próxima sessão da Segunda Turma — composta por Gilmar Mendes (presidente), André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, além de Toffoli —, o colegiado deve decidir sobre a manutenção da prisão de Vorcaro.
Ao participar desta etapa, o ministro busca consolidar a tese de que não possui vínculos de amizade com o banqueiro nem recebeu valores ilícitos. Em nota oficial, ele reiterou que sua participação na empresa Maridt é pública e lícita.
Atualmente, a relatoria dos processos principais sobre o Banco Master está com o ministro André Mendonça, também escolhido por sorteio após a saída de Toffoli em fevereiro.
Fonte: A Tarde



