quinta-feira, março 19, 2026
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Tenente-coronel cobrava sexo da esposa em troca de contas pagas

PM foi denunciado pela morte da companheira, que também era policial –

Provas de que o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto cobrava relações sexuais com a soldado Gisele Alves Santana em troca de pagar as contas da casa foram apresentadas pela denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), divulgada nesta quarta-feira, 18.

As mensagens entre os dois, que constam no documento, mostram que o denunciado apresentava comportamento possessivo, controlador e autoritário. O tenente-coronel reclamava da falta de “investimento” da vítima na relação e pontua os preços das contas pagas.

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“Eu invisto todos os meses, 3 mil reais de aluguel, 2 mil reais de condomínio, 500 reais de água e luz, 500 reais de gás, fora as coisas que eu compro de mercado e todas as vezes que nós saímos eu pago tudo sozinho (…) e você investe quanto? Não tem dinheiro, beleza. Investe amor, carinho, atenção, dedicação, sexo…. mas nem isso você faz”, escreveu em uma das mensagens.

Na sequência, Gisele reitera seu desejo pela separação. “Por mim separamos, não vou trocar sexo por moradia e ponto final”, disse em 2 de fevereiro, poucos dias antes do crime.

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Ainda na noite desta quarta-feira, 18, a defesa do tenente-coronel se manifestou por meio de uma nota e afirmou ter sido surpreendida pela decretação de sua prisão tanto pela Justiça Militar quanto pela Justiça Comum e questionou a competência simultânea das duas esferas.

Segundo os advogados, o militar já sabia dos pedidos de prisão desde 17 de março, não tentou se ocultar e forneceu seu endereço às autoridades, sendo detido no local sem resistência. A defesa, no entanto, considera a decisão ilegal.

O escritório informou que acionou o Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra a ordem da Justiça Militar e avalia apresentar habeas corpus contra a decisão da Justiça comum.

A nota também critica a divulgação de informações sobre a vida privada do tenente-coronel, alegando exposição indevida e violação de direitos. Por fim, a defesa diz confiar nas investigações e aguarda a elucidação completa do caso.

Relembre o caso

O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo pela morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada baleada dentro do apartamento onde o casal morava, no Brás, região central da capital paulista.

O oficial é acusado de feminicídio, por motivo torpe e com recurso que dificultou a defesa da vítima, além de fraude processual por tentar simular um suicídio após o crime.

O tenente-coronel foi preso pela Polícia Militar, em sua casa em São José dos Campos, no interior de SP, na manhã desta quarta-feira.

O MP diz que o crime ocorreu na manhã de 18 de fevereiro, por volta das 7h28. A acusação aponta que, durante uma discussão, o tenente-coronel teria segurado a vítima pela cabeça e efetuado um disparo de arma de fogo contra o lado direito do crânio.

Ainda de acordo com a denúncia, na sequência, o oficial teria manipulado a cena para dar aparência de suicídio. O documento afirma que ele posicionou o corpo da vítima, colocou a arma em sua mão, escondeu vestígios e lavou as mãos para dificultar a perícia.

Além disso, o Ministério Público sustenta que houve demora no acionamento do socorro. Conforme a acusação, o policial só teria chamado ajuda cerca de meia hora após o disparo, período em que teria alterado o local dos fatos.

Denúncia

A denúncia descreve o relacionamento como marcado por violência. O oficial apresentava comportamento possessivo, controlador e autoritário, com episódios de agressões físicas, psicológicas e humilhações.

Há ainda relatos de exigência de relações sexuais em troca do pagamento de despesas da casa e tentativas de isolamento da vítima de familiares e amigos.

Mensagens extraídas do celular do denunciado, segundo o MP, reforçam esse cenário. Em uma delas, a vítima afirma que queria se separar e relata ter sido agredida dias antes do crime. Em outra, o oficial descreve um modelo de relacionamento baseado na submissão da mulher.

A acusação aponta que o feminicídio teria sido motivado pelo desejo da vítima de se divorciar. Dias antes da morte, Gisele chegou a pedir ajuda aos pais e afirmou que não suportava mais a relação.

Interferência na investigação

O Ministério Público afirma também que o tenente-coronel pode ter usado sua posição hierárquica para influenciar testemunhas e interferir na investigação. Há relatos de que ele exercia forte influência sobre subordinados e desrespeitou orientações no local do crime, como a preservação da cena.

Diante dos elementos reunidos, o MP pediu a prisão preventiva do oficial e o afastamento do cargo, alegando risco à ordem pública e à instrução criminal.

O caso, inicialmente registrado como suicídio, passou a ser tratado como morte suspeita e, posteriormente, como possível feminicídio. Laudos periciais e contradições na versão apresentada pelo marido levaram à mudança na linha de investigação.

A Justiça decretou a prisão preventiva do tenente-coronel, e o caso deve ser analisado pelo Tribunal do Júri. A defesa do oficial nega as acusações e sustenta que a policial tirou a própria vida.



Fonte: A Tarde

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