Condomínio na cidade de Salvador (ilustração) –
A taxa de condomínio, valor mensal pago pelos moradores para custear despesas coletivas, atingiu média de R$ 416 na Bahia em 2025. O dado, apontado por pesquisa da plataforma uCondo no segundo semestre, representa aumento de cerca de 18% em relação a 2024, quando a média era de R$ 352.
No mesmo período, a inadimplência superior a 30 dias avançou de 9,82% para 13,77% no estado. O cenário reforça a necessidade de planejamento financeiro e uma gestão eficiente para preservar o equilíbrio das contas, além buscar evitar impactos mais severos na saúde financeira de condomínios e moradores.
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Em âmbito nacional, a taxa condominial média chegou a R$ 522 no segundo semestre de 2025. Segundo o síndico profissional Daniel Junior, o aumento é resultado de reajustes constantes.
“Destacam-se o reajuste salarial anual, o aumento nas despesas com concessionárias (água, luz, internet/telefonia), muitas vezes sem controle, e a inclusão de novos custos operacionais, como planos de saúde ocupacional. Além disso, a necessidade de adequações legais – como a obtenção do auto de vistoria do Corpo de Bombeiros e a contratação de químico para piscinas – somada a outras despesas inesperadas, frequentemente resulta em aumentos acima dos índices oficiais de inflação”.
Na prática, o impacto já é sentido por moradores, como Fábio Kruschewsky, do Condomínio City Park Brotas: “Atualmente, sem considerar eventuais taxas extras, a cota condominial representa aproximadamente 10% do meu orçamento mensal, o que considero um percentual elevado”.
Por isso, a taxa deve ser tratada como uma despesa fixa essencial, como ressalta a planejadora financeira Anna Fonseca: “O condomínio não é só uma conta, é parte do estilo de vida. E ele precisa caber de forma saudável, sem sufocar o restante da vida financeira”.
Fábio aproveita para dividir sua estratégia de organização: “Procuro adotar uma organização financeira baseada na priorização das despesas essenciais. Nesse contexto, a taxa condominial é tratada como um compromisso fixo e obrigatório, sendo provisionada previamente no orçamento mensal, a fim de evitar atrasos e encargos adicionais”.
Para evitar surpresas com o valor cobrado, é preciso que a cota seja calculada a partir de dados reais, e seu reajuste esteja previsto na convenção de cada condomínio, documento que estabelece as diretrizes da propriedade.
“O condomínio projeta todas as despesas previstas para os próximos 12 meses e, a partir desse total, define o valor necessário para manter a operação. O mais importante é que o valor seja resultado de planejamento e transparência, e não de estimativas improvisadas”, destaca Alessandra Souza, contadora especialista em gestão condominial.
Assim como a realização anual da previsão orçamentária com base na realidade financeira do empreendimento, a busca frequente por orçamentos e melhores condições de contratação também contribui para manter o equilíbrio das contas.“É fundamental pesquisar preços, fazer orçamentos e buscar condições dentro do mercado, com descontos e promoções, para executar os serviços com qualidade, mas com o menor custo possível para o condomínio”, destaca o síndico profissional Luiz Calazans.
Na prática, o planejamento e o controle financeiro impactam diretamente a forma como a taxa condominial é calculada. Entre os métodos mais utilizados, Daniel Junior explica: “Geralmente, a taxa condominial é definida com base na média das despesas operacionais dos últimos 12 meses, aplicando-se reajustes de inflação”. Luiz Calazans explica como estabelece a cota.
“Analisamos as despesas fixas e variáveis do exercício, tais como: folha de pagamento, contratos, consumo, melhorias e manutenção. Com base no valor obtido da análise prévia, o total previsto é dividido conforme a fração ideal de cada unidade ou por unidade, conforme estabelecido na convenção do condomínio”.
Independentemente da estratégia adotada, os moradores devem estar cientes das despesas e dos cálculos. A cota deve ser aprovada em assembleia, como explica Michele Lordêlo: “Quando os condôminos participam das decisões e compreendem a destinação dos recursos, a gestão deixa de ser fonte de conflito e passa a refletir um patrimônio bem cuidado. No fim, o objetivo é comum: morar bem, com segurança e eficiência, sem que o orçamento seja pressionado além do necessário”.
Participar de reuniões
A importância da participação nas assembleias tem se tornado mais evidente para os moradores. É o caso de Fábio:
“Em um primeiro momento, não costumava comparecer às assembleias, por entender que a gestão já estava delegada a representantes. Contudo, com o tempo, compreendi que essa postura era equivocada, uma vez que o condomínio integra diretamente o meu espaço de moradia e qualidade de vida. Hoje, busco participar das assembleias, contribuindo com questionamentos, sugestões e críticas construtivas. Acredito que os moradores possuem, sim, voz na definição das taxas e demais decisões, desde que haja engajamento e participação efetiva nos processos deliberativos”.
Esse engajamento dos condôminos também está ligado à transparência na gestão e ao entendimento sobre a formação da taxa. Quando há clareza nas contas e um cálculo equilibrado da cota, os riscos de inadimplência tendem a diminuir, evitando problemas maiores:
“Quando a cota condominial passa a pressionar o orçamento das famílias, a inadimplência dispara. Com menos recursos em caixa, o condomínio adia obras, posterga manutenções e pode sofrer queda na qualidade dos serviços. O serviço ruim gera desmotivação para pagar a taxa. Esse ciclo afeta todos os moradores: a deterioração da estrutura e dos serviços tende a desvalorizar o patrimônio coletivo, ampliando impactos que vão muito além do valor mensal da cota”, alerta Michele Lordêlo.
Nesse contexto, o planejamento financeiro individual também se torna um fator determinante. Anna Fonseca chama atenção para erros comuns na escolha do imóvel: “Muitas pessoas escolhem onde morar sem considerar o impacto daquele custo no futuro. Olham o momento, o desejo, o padrão, mas não projetam a vida acontecendo ali. E aí, com o tempo, o condomínio sobe, a renda nem sempre acompanha e o orçamento começa a apertar”.
A soma entre escolhas individuais e seus reflexos coletivos reforça a importância de uma gestão eficiente e participativa. Para sustentar esse equilíbrio entre responsabilidade dos moradores e organização do condomínio, o trabalho do síndico é essencial. Como destaca Alessandra Souza, “conter o avanço da taxa não significa cortar serviços essenciais, mas administrar com critério técnico, previsibilidade e responsabilidade. O condomínio precisa ser tratado como uma organização, com controle e acompanhamento contínuo das contas”.
Fonte: A Tarde



