domingo, março 22, 2026
spot_img
HomeDestaquesSTF oficializa Cármen Lúcia como relatora de inédito Código de Ética

STF oficializa Cármen Lúcia como relatora de inédito Código de Ética

Movimento ocorre em um cenário de desgaste da imagem do STF –

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Edson Fachin, afirmou nesta segunda-feira, 2, durante a sessão solene de abertura do ano judiciário, que a Corte vive um momento de “ponderações e autocorreção”.

Em um aceno ao equilíbrio institucional, o ministro reafirmou o compromisso da gestão com a transparência e oficializou a ministra Cármen Lúcia como relatora da proposta do primeiro Código de Ética do tribunal.

Tudo sobre Brasil em primeira mão!

Leia Também:

O movimento ocorre em um cenário de desgaste da imagem do STF, acentuado por críticas recentes da classe política e da sociedade à conduta do ministro Dias Toffoli em investigações envolvendo o Banco Master. Fachin tem defendido a criação das normas de conduta como uma resposta necessária para fortalecer a integridade da Corte.

Equilíbrio

O evento reuniu a cúpula dos Três Poderes em Brasília. Estiveram presentes o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva; o presidente do Senado, Davi Alcolumbre; e o presidente da Câmara, Hugo Motta. Também acompanharam a sessão o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o presidente da OAB, Beto Simonetti.

Em seu pronunciamento, Fachin relembrou o papel do STF na proteção do processo eleitoral, afirmando que o tribunal agiu para impedir “erosões constitucionais” e que o Brasil preservou sua democracia sem rupturas. Contudo, o tom do discurso foi voltado para o futuro e para a moderação.

“O momento histórico é também de ponderações e de autocorreção. É hora de um reencontro com o sentido essencial da República, da tripartição real de Poderes e da convivência harmônica e independente”, declarou o presidente.

Integridade

Ao anunciar o debate sobre o Código de Ética, Fachin sinalizou que a transparência será o pilar de sua presidência. A escolha de Cármen Lúcia para a relatoria é vista como um gesto técnico e rigoroso, dado o histórico da ministra em temas de ética pública. A proposta deve estabelecer diretrizes mais claras para a atuação dos ministros, visando reduzir ruídos sobre imparcialidade e conflitos de interesse.

Durante o pronunciamento, o ministro Edson Fachin adotou o termo “Código de Ética” para se referir ao conjunto de normas que regerão a conduta dos ministros do STF. A escolha marca uma transição vocabular, já que anteriormente o magistrado utilizava a expressão “Código de Conduta”.

De acordo com apuração da TV Globo, a alteração não foi casual: a sugestão partiu diretamente da ministra Cármen Lúcia, relatora da proposta, visando ajustar o tom do documento que está sendo elaborado.

Desafios

Fachin enfatizou que o cenário atual demanda ações concretas, afirmando que “momentos de adversidade exigem mais do que discursos”. Ao abordar a coesão da Corte, o ministro estabeleceu uma distinção importante entre convergência e pensamento único:

– Unanimidade: para o ministro, estar unido não implica concordar em todas as questões.

– O todo: o magistrado ressaltou que as individualidades não se confundem com o colegiado.

– O elo comum: o que sustenta a coesão do tribunal é o compromisso inabalável com a própria instituição.

Sistema representativo

O ministro projetou uma visão de reforma para o país, declarando que o Brasil vive um momento decisivo de “encontro com a sua melhoria institucional”. De acordo com Fachin, é imperativo que o sistema representativo recupere a agilidade e a eficácia necessárias para processar e responder às demandas reais da sociedade brasileira.

Crime organizado

Na abertura do ano judiciário, o presidente do STF, Edson Fachin, destacou o combate às facções criminosas como prioridade, prometendo “respostas céleres” e o lançamento de um painel nacional sobre a criminalidade organizada em março. De acordo com o ministro, o papel da Corte é garantir uma jurisprudência eficiente e agilidade nos julgamentos propostos pelo Ministério Público.

Eleições 2026

Fachin assegurou que o Judiciário vai atuar para garantir um pleito limpo, combatendo abusos e fake news, mantendo-se rigorosamente neutro em relação às disputas políticas. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, reforçou o apoio à Corte, afirmando que a dedicação do STF consolidará a confiança da sociedade e a proteção dos direitos fundamentais.



Fonte: A Tarde

- Advertisment -spot_img

Mais lidos