Momento de prazer, o sexo causa esforço, aumento da frequência cardíaca e gasto de energia e, por provocar alterações no corpo semelhantes a exercícios físicos, muitas pessoas substituem atividades pela prática.
Mas, será que os efeitos estão relacionados? O Portal A TARDE conversou comRodolfo Dourado, cardiologista, coordenador da UTI cardiológica do Hospital da Bahia, que explicou que a atividade sexual pode até ser considerada um exercício cardiovascular, mas os benefícios são se equiparam aos de um treino pesado.
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“Na verdade, é um treino leve ou moderado, porque do ponto de vista fisiológico, ele está associado a aumento de frequência cardíaca, a elevação de pressão, maior consumo de oxigênio, mas é considerado um exercício. Mas não é um treino cardiovascular estruturado”, explicou.
Segundo o especialista, do ponto de vista do coração, a atividade sexual equivale pode equivaler a uma caminhada moderada ou uma subida de um a dois lances escada.
Para efeito de comparação, vale analisar os equivalentes metabólico (METs):
- Caminhada leve: 3 METs;
- Sexo: 3 a 5 METs;
- Corrida leve: 7 a 9 METs.
“Então, a atividade sexual de padrão está associada a intensidade mais ou menos de uma caminhada moderada. Então, não chega nem perto de uma corrida, um treino de bicicleta, um treino aeróbico contínuo. É mais uma caminhada moderada ou uma subida de um, dois lances de escada”, comparou.
Desta forma, o sexo, ainda que feito regularmente, não pode substituir exercícios físicos, mesmo tendo benefícios comprovados, por aumentar a intensidade da frequência cardíaca e da pressão.
“Não dura um tempo suficiente para considerar como exercício físico cardiovascular estruturado, não mantém uma intensidade sustentada, a gente oscila muito ao longo da atividade sexual e não gera uma adaptação cardiovascular significativa. Ou seja, é uma atividade que complementa um estilo de vida saudável, mas de maneira alguma substitui um exercício físico regular”, garantiu.
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Posições podem influenciar?
Em relação às posições escolhidas durante o sexo, há aquelas que exigem mais e outras menos esforços físicos. Algumas exigem um gasto maior energético, esforço físico e sobrecarga cardiovascular.
“E tem posições sexuais que são mais passivas e que, logicamente, demandam um esforço físico e um gasto calórico menor”, explicou.
Na mesma linha, pode existir uma diferença em relação ao esforço cardiovascular durante o sexo em relação a homens e mulheres. Nesse caso, há uma variação em relação ao tipo de esforço de desempenho que o casal está habituado, idade, condicionamento físico, duranção e se a pessoa tem um papel mais ativo ou passivo.
“Os homens costumam ter uma frequência cardíaca mais alta, mais gasto energético do que as mulheres, que geralmente fazem um esforço cardiovascular menor e tem um pico pressórico menor. Mas logicamente que não há regra absoluta”, disse o cardiologista.
Sexo: aliado ou vilão da saúde?
De acordo com o especialista, na maioria dos casos, o sexo não causa perigo para quem tem problemas cardíacos, mas tudo depende das demais condições de saúde.
“Quem consegue fazer um esforço físico de subir dois lances de escada, de ter uma caminhada moderada, que é equivalente, usualmente, da atividade sexual, logicamente pode ter uma vida sexual segura. Mas sempre é prudente, como qualquer esforço físico, como qualquer atividade, você ter o seu check-up cardiovascular em dia para ver se não tem nenhuma doença silenciosa, nenhuma alteração que possa passar despercebida”, sugeriu.
O cuidado tem que ser redobrado aos pacientes que têm os seguintes sintomas:
- Insuficiência cardíaca;
- Falta de ar;
- Palpitação;
- Dor no peito;
- Evento cardiovascular recente;
- Arritmia mal tratada;
- Infarto;
- Síndrome aguda recente que exigiu internamento, logicamente.
Por isso, o cardiologista alerta que, quando há uma cardiopatia que demanda um esforço menor, deve preferir uma posição mais confortável, que evite um esforço prolongado ou acentuado e garantir uma respiração adequada durante toda a prática.
Mantendo os cuidados, mesmo durante o orgasmo, quando há elevação do pico cardíaco, não há risco.
“Ali é onde você tem um pico maior da frequência cardíaca, um pico maior da pressão, por uma ativação intensa do nosso sistema nervoso simpático. Mas, geralmente, ele dura segundos, retorna rapidamente ao basal e é seguro para a maioria das pessoas”, disse.
Saindo dos riscos, ter uma vida sexual ativa pode até ajudar a prevenir doenças cardíacas, pois, geralmente, está associada a um estilo de vida mais ativo e traz benefícios como:
- Reduz estresse no dia a dia, porque é um pico hormonal associado ao clímax do orgasmo;
- Melhora a qualidade do sono;
- Melhora a produção de endofinas;
- Melhora a produção de osteocina;
- Melhora a saúde mental;
- Melhora a saúde interpessoal e relacional.
- Então, é uma atividade que está associada, sim, a uma redução de risco cardiovascular, mas, de forma alguma, entra como substitutivo de exercício físico, alimentação estruturada, controle de pressão, colesterol, glicemia, que são os cuidados padrões cardiovasculares que a gente já tem bem enraigado assim na conduta médica.
Fonte: A Tarde



