A cada informe respaldado em fatos comprovados e dados confiáveis, a argumentação dos cientistas se fortalece em relação às ameaças à vida. Este é o caso emblemático dos recifes de corais, cujo processo de mortalidade alcançou oito de cada dez formações pesquisadas no período de 2014 a 2017.
Estes são os resultados mais recentes das pesquisas confrontadas por negacionistas, os quais chamam de alarmistas quem leva a sério a verdade. Os números, e a análise qualitativa deles, saíram este mês na revista científica Nature Communications, um guia internacional de pesquisas.
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O trabalho competente pode-se dizer, além de exaustivo, irretocável, por cruzar 15 mil levantamentos obtidos por docentes e mergulhadores dos sete mares. Um golpe duro para o planeta, pois mais da metade dos recifes foi perdida pelo fenômeno chamado de branqueamento, produzido pela temperatura máxima.
Não se trata de lamentar, especificamente, e em perspectiva romantizada, o fim dos outrora coloridos coletivos de espécies marinhas reunidas em condomínio. O lamentável efeito letal atinge três de cada dez indivíduos habitantes dos oceanos, carregando consequentes adversidades para a pesca e o turismo.
O aquecimento global rompe o equilíbrio ecológico entre corais e algas, as grandes fornecedoras da energia vital. Sem algas, os corais perdem a cor e a capacidade de crescer e se reproduzir, terminando por perecer vitimados pelo estresse térmico de maior intensidade.
O cenário conflituoso reduz a expectativa de maior resistência por conta da dificuldade de mobilização de recursos dos países diante de tamanho flagelo. Ao contrário de projeção animadora, não se precisa de arte divinatória, mesmo a dos oráculos délficos, no sentido de traçar a rota desastrosa para o mundo.
Prova inequívoca da marcha fúnebre dos oceanos é a atual hegemonia dos discursos inflados por rotunda ignorância, aspereza e preguiça moral. Ou se trabalha para evitar o apocalipse ou haverá choro e ranger de dentes.
Fonte: A Tarde



