Gabriela Siciliano e Paloma Lima –
Quem pisa na Barra-Ondina ouve Bell Marques cantando “Que calor é esse?”, uma das músicas que disputam o posto de hit do Carnaval. Na avenida, a resposta parece unânime – o calor está acima da média, e pede estratégias dos foliões e profissionais para que a festa continue.
Entre leques, garrafas de água e corridas em direção ao caminhão-pipa, foliões e equipes de apoio têm lidado como podem com as altas temperaturas nos circuitos, evitando ao máximo passar mal no meio da festa.
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Tem muita gente passando mal?
O bombeiro Jorge Manuel, 55, ativo nas operações nas ruas do Carnaval, afirma que há registros de mal-estar relacionados ao calor, principalmente pela combinação de superlotação e consumo de álcool.
“Algumas pessoas passam mal por causa do calor, principalmente dentro do trio, porque é muita gente, fica abafado”, explica.
Segundo ele, até o momento, os casos têm sido controlados com medidas simples. “A gente afasta a pessoa para um local mais ventilado, orienta a beber água e descansar um pouco antes de seguir”, diz.
Na comparação com o ano passado, no entanto, Jorge acredita que a sensação térmica está mais elevada. “Esse ano eu estou achando a temperatura mais alta, também pela quantidade de pessoas no percurso que aumentou em 2026”, opina.
Além de ajudar a acudir, os profissionais têm ajudado os foliões a se prevenir do calor, com bombeiros militares e caminhões-pipa jogando água nas pessoas, além de postos distribuindo água.
Quem curte, no entanto, precisa se ajudar. “A maioria das pessoas diz que está bem e começa a ingerir bebida alcoólica. Aí o calor e o álcool ficam mais fortes. A dica é sempre mais água e menos álcool”, aconselha.
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Leque salva?
Nem todos os foliões querem evitar o álcool na folia, e é ai que surgem as alternativas mais criativas. Símbolo recente do Carnaval de Salvador, o leque tem sido cada vez mais usado tanto como acessório, quanto para aliviar o calor.
As amigas Gabriela Siciliano, 26, e Paloma Lima, 27, estreiaram no Carnaval de Salvador com seus leques, e sentiram a diferença. “É bem quente. Mais quente que São Paulo, mas a brisa do mar ajuda”, dizem.
Então, para aguentar o calor, a estratégia começa cedo: “Muita água, chapéu, alimentação para a pressão não baixar e procurar sombra”.

O leque, por sua vez, virou acessório obrigatório. “Dar conta é uma palavra muito forte, mas ajuda”, brinca Gabriela.
Já qando o caminhão-pipa passa, não há dúvida. “A gente vai correndo na direção da água. Refresca muito. É bom que a gente já vem de biquíni, o difícil é só controlar a vontade de pular na água do mar”, garantem.
Já os amigos Daniel, 38, e Thiago, 41, que voltaram à folia após curtirem o Carnaval de 2020, avaliam que este ano está mais ameno. “Em 2020 (o calor) foi insuportável. Agora está melhor”, afirmam.
Mas a estratégia de “muita cerveja e leque” está bem organizada, e com cuidado para emprevistos. Só Thiago, levou dez leques de casa, dos quais oito já quebraram no clássico “bate-leque” das pipocas, e segue pegando novos leques nos patrocínios que distribuem pelas ruas.
E, como diriam no Big Brother, ele afirma que a vestimenta é fixa: “Roupas leves e tênis sempre e, se possível, sunga!”.
“Joga água”
A música “Que calor é esse?”, de Bell Marques, pode até não vencer, mas já ecoa no circuito como trilha sonora do que os foliões estão vivendo. O refrão virou descrição literal do que acontece na avenida, olhando com alegria para um obstáculo dos circuitos.
Fonte: A Tarde



