Ação integrada do MPBA e da Polícia Civil –
O uso de fintechs [empresas que utilizam tecnologia para oferecer serviços financeiros digitais para lavagem de dinheiro] por organizações criminosas tem sido cada vez mais frequente e acende o alerta das forças de segurança. Nesta quarta-feira, 8, a Operação Vento Norte, deflagrada na região sul da Bahia, teve como alvo o Primeiro Comando de Eunápolis, ligado ao Comando Vermelho (CV) e bloqueou quase R$ 4 milhões, mas não aconteceu de forma isolada.
Neste caso, as investigações apontam que o grupo criminoso utilizava da tecnologia financeira para realizar a lavagem de dinheiro, movimentado cifras milionárias, advindas de operações de tráfico de drogas em vários estados. Em apenas uma das fintechs investigadas, foi identificada uma movimentação superior a R$ 20 milhões.
Tudo sobre Polícia em primeira mão!
Durante a ação policial, ocorrida nos municípios baianos Eunápolis e Guaratinga, além dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, houve o bloqueio de R$ 3,8 milhões em ativos financeiros, distribuídos em 26 contas bancárias vinculadas aos investigados.
Âmbito nacional
Na mesma linha, houve a Operação Carbono Oculto, a maior da história do Brasil, em agosto de 2025, que apurou o uso de fintechs pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).
Nesse caso, a engrenagem financeira da organização envolvia uma complexa rede de empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs que, em maioria, funcionavam como verdadeiros bancos paralelos, com movimentações de até R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024.
As investigações apontam que o PCC se associou a uma rede de empresas e operadores financeiros para controlar diferentes etapas da cadeia de combustíveis. O esquema envolvia desde a importação irregular de metanol até a adulteração de gasolina e etanol vendidos ao consumidor.
Leia Também:
Ligação com o Oriente Médio
A Operação Hydra, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) em março, revelou um esquema complexo de lavagem de dinheiro do PCC, que envolve fintechs, casas de apostas e bancos digitais.
O caso ganhou um novo desdobramento internacional com um alerta de Israel ao Brasil, informando sobre a conexão financeira entre uma fintech utilizada pela organização criminosa e o grupo terrorista Hezbollah.
As empresas de tecnologia financeira foram identificadas como peças centrais na operação criminosa, que permitiam ao PCC ocultar a origem do dinheiro, dificultando o rastreamento pelas autoridades. O modelo adotado pelas fintechs facilitava a movimentação rápida e discreta de grandes quantias, muitas vezes convertidas em criptomoedas para driblar os mecanismos de fiscalização.
O Ministério da Defesa de Israel chegou a notificar o Brasil e órgãos financeiros internacionais sobre uma conexão financeira direta entre o PCC e o grupo terrorista Hezbollah, acerca de uma carteira cujo armazenamento era de cerca de R$ 500 bilhões.
Fonte: A Tarde



