quarta-feira, abril 8, 2026
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Saiba como organizações crimosas usam fintechs para lavar dinheiro

Ação integrada do MPBA e da Polícia Civil –

O uso de fintechs [empresas que utilizam tecnologia para oferecer serviços financeiros digitais para lavagem de dinheiro] por organizações criminosas tem sido cada vez mais frequente e acende o alerta das forças de segurança. Nesta quarta-feira, 8, a Operação Vento Norte, deflagrada na região sul da Bahia, teve como alvo o Primeiro Comando de Eunápolis, ligado ao Comando Vermelho (CV) e bloqueou quase R$ 4 milhões, mas não aconteceu de forma isolada.

Neste caso, as investigações apontam que o grupo criminoso utilizava da tecnologia financeira para realizar a lavagem de dinheiro, movimentado cifras milionárias, advindas de operações de tráfico de drogas em vários estados. Em apenas uma das fintechs investigadas, foi identificada uma movimentação superior a R$ 20 milhões.

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Durante a ação policial, ocorrida nos municípios baianos Eunápolis e Guaratinga, além dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, houve o bloqueio de R$ 3,8 milhões em ativos financeiros, distribuídos em 26 contas bancárias vinculadas aos investigados.

Âmbito nacional

Na mesma linha, houve a Operação Carbono Oculto, a maior da história do Brasil, em agosto de 2025, que apurou o uso de fintechs pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).

Nesse caso, a engrenagem financeira da organização envolvia uma complexa rede de empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs que, em maioria, funcionavam como verdadeiros bancos paralelos, com movimentações de até R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024.

As investigações apontam que o PCC se associou a uma rede de empresas e operadores financeiros para controlar diferentes etapas da cadeia de combustíveis. O esquema envolvia desde a importação irregular de metanol até a adulteração de gasolina e etanol vendidos ao consumidor.

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Ligação com o Oriente Médio

A Operação Hydra, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) em março, revelou um esquema complexo de lavagem de dinheiro do PCC, que envolve fintechs, casas de apostas e bancos digitais.

O caso ganhou um novo desdobramento internacional com um alerta de Israel ao Brasil, informando sobre a conexão financeira entre uma fintech utilizada pela organização criminosa e o grupo terrorista Hezbollah.

As empresas de tecnologia financeira foram identificadas como peças centrais na operação criminosa, que permitiam ao PCC ocultar a origem do dinheiro, dificultando o rastreamento pelas autoridades. O modelo adotado pelas fintechs facilitava a movimentação rápida e discreta de grandes quantias, muitas vezes convertidas em criptomoedas para driblar os mecanismos de fiscalização.

O Ministério da Defesa de Israel chegou a notificar o Brasil e órgãos financeiros internacionais sobre uma conexão financeira direta entre o PCC e o grupo terrorista Hezbollah, acerca de uma carteira cujo armazenamento era de cerca de R$ 500 bilhões.



Fonte: A Tarde

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