quinta-feira, março 26, 2026
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saiba como funciona o anonimato no Disque Denúncia

O medo de denunciar a violência contra a mulher pode dificultar a elucidação dos crimes e impedir que vidas sejam salvas. No entanto, a denúncia continua sendo anônima, segura e indispensável no combate a casos dessa esfera.

Ferramenta nacional, o Disque Denúncia (181), é um dos principais meios de realização e recebimento das notificações. O serviço é amparado por leis federais e garante o sigilo e o anonimato do denunciante.

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Para entender como funciona a garantia do anonimato e o que ocorre após o registro de um crime, o portal A TARDE conversou com a tenente da Polícia Militar, Sabrina Aiêxa, responsável pela coordenação do Disque Denúncia na Bahia.

Qualquer pessoa pode registrar uma ocorrência, não apenas quem está sofrendo violência e, em ambos casos, não é necessário se identificar.

“A gente não tem um sistema de identificação de chamadas e não sabe a localização de onde ela está vindo, justamente para garantir a segurança e encorajar o cidadão. Inclusive, a gente recebe requisições judiciais, o Ministério Público pede identificação de quem realizou a denúncia, mas não tem como fornecer, porque não fazemos essa coleta de dados”, explicou Aiêxa.

O Disque Denúncia é responsável por receber não apenas ocorrências sobre violência contra a mulher, mas inúmeras outras, como ligadas a tráfico de drogas e outros crimes.

O que acontece após os órgãos receberem a denúncia?

  • O cidadão aciona o Disque Denúncia através do 181 ou através do site, neste link;
  • Atendentes realizam perguntas específicas, fundamentais para constituir a denúncia, de acordo com a situação relatada;
  • Eles escutam com atenção e digitam tudo o que foi denunciado, fazendo o registro no sistema;
  • O caso é direcionado para as polícias Civil e Militar, em âmbito de investigação, para a delegacia especializada e responsável pela área onde ocorreu o crime.

Entenda os tipos de denúncias recebidas

Denúncias mediatas: uma mulher é frequentemente agredida pelo companheiro, mas o caso não está ocorrendo no momento.

Denúncias imediatas: situações de risco aparente, urgência e emergência, quando um crime está acontecendo ou acabou de ocorrer no instante em que a denúncia foi realizada.

No caso das denúncias imediatas, a orientação é de que o cidadão ligue para o 190, que é o serviço responsável por direcionar uma viatura para o local com rapidez.

No entanto, se o denunciante discar o 181, o Disque Denúncia também realiza a coleta das informações para encaminhar o caso à Polícia Militar.

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Como identificar se uma denúncia é verdadeira ou falsa?

O Disque Denúncia registra todas as ocorrências que recebe. Quando os casos chegam às unidades específicas, os agentes atuantes nos locais são responsáveis por investigar se as informações são verídicas.

Em entrevista ao portal A TARDE, drª Zaira Pimentel, titular da 1ª Delegacia de Homicídios (DH), explicou o que acontece quando uma delegacia recebe uma ocorrência do Disque Denúncia.

Segundo a delegada, o contato entre os órgãos é simples, ágil e com uma parceria eficaz. Eles se comunicam através do WhatsApp e canais oficiais.

“Eu recebo a denúncia, leio, verifico se aquilo dali tem pertinência, os investigadores vão até os locais indicados pelo Disque Denúncia, para ver se, de fato, aquela situação está ocorrendo”, detalhou a delegada Pimentel.

Baseado no retorno da delegacia, o Disque Denúncia deixa registrado no sistema um arquivo de informações que não são procedentes para que, futuramente, chegando novas denúncias com os mesmos dados, possa identificar que a situação é inverídica.

Não posso fazer um pedido de prisão baseado em um Disque Denúncia, porque corre o risco de ser falso. Tem gente que faz denúncia pra tentar incriminar pessoas, no entanto, só 2% ou 3% são falsas”, garantiu a titular.

Números importantes

  • Central de Atendimento à Mulher: 180 ou (61) 9610-0180 (WhatsApp)
  • Disque Denúncia: 181
  • Polícia Civil: 197
  • Polícia Militar: 190

Possibilidades de denúncia

Quando uma mulher se encontrar em uma situação de risco, pode optar por mecanismos camuflados de pedido de socorro.

Embora não seja um método oficialmente padronizado pelas autoridades brasileiras, estratégias como entrar em contato com a polícia fingindo que está ligando para uma pizzaria, farmácia ou outro serviço, podem salvar vidas.

De acordo com a coordenadora do Disque Denúncia, apesar da ação nunca ter sido registrada pela ferramenta, os profissionais já estão instruídos para receber esse tipo de ocorrência.

“Os atendentes já têm um conhecimento sobre esse tipo de senha. Ele nunca foi utilizado no nosso serviço, mas já foi utilizado pelo número 190, e pode ser utilizado pela pessoa que esteja sofrendo a violência e queira denunciar”, afirmou.

Dados sobre violência doméstica

Dados do Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem), divulgados em agosto de 2025, registraram um aumento de mais de 50% nos atendimentos a mulheres vítimas de violência em Salvador.

Segundo o levantamento, foram 4.446 realizados em 2024 e, em 2025, 3.411 contabilizados até o dia 30 de julho. Entre janeiro e julho de 2025, foi observado um aumento correspondente a mais de 50% do registrado no mesmo período de 2024.

Além disso, desde janeiro de 2024, foram solicitadas 1.143 medidas protetivas de urgência, sendo 396 em 2025, até o dia 5 de agosto.



Fonte: A Tarde

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