Moradora descreve como conseguiu salvar familiares e seu pet –
O relógio marcava as primeiras horas da manhã desta sexta, 27, quando o cheiro forte de gás em um condomínio no bairro do Stiep, em Salvador, deixou de ser um alerta para se tornar uma tragédia.
No apartamento 304 do prédio onde o icidente aconteceu, uma moradora — que não quis ser identificada — viveu o que descreve como um “cenário de guerra”.
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Pressentimento e impacto
Segundo ela conta, o perigo já era conhecido. O síndico, Sr. Zé Carlos, já havia mobilizado o Corpo de Bombeiros. Mas o tempo correu mais rápido que o resgate.
“A gente sentiu o cheiro forte de gás cedo. Os bombeiros já estavam entrando, tudo paramentado dentro do prédio, quando a gente ouviu a explosão”, relata a sobrevivente.
Enquanto ela estava com a família, o imóvel começou a ceder sob seus pés: “Foi tão forte que o chão no quarto da minha filha desabou. Quando eu vi isso, vi que tinha risco de desabar o resto do prédio”, relembra.
Instinto e sobrevivencia
Sem saída imediata pelo corredor tomado pela fumaça, a moradora tomou decisões em segundos que garantiram a vida de sua mãe idosa, de sua filha e de sua cachorra.
Elas buscaram refúgio no apartamento de um vizinho — um estudante que mora sozinho — e ali montaram uma “trincheira” contra a asfixia.
“A gente molhou a toalha, botou no rosto e saiu pelo corredor. Levamos colchões e vários lençóis para isolar a porta, para entrar menos fumaça. Foi esperando os bombeiros”, detalha.
Do lado de fora, vizinhos e curiosos observavam lençóis pendurados pela janela, temendo uma tentativa de salto desesperado. No entanto, era uma estratégia de comunicação e logística improvisada.
“A intenção da ‘teresa’ (corda de lençóis) nunca foi pular. Era para o pessoal mandar toalha molhada para a gente se manter, para a hidratação no nariz, para não inalar fumaça. A gente estava esperando os bombeiros”, conta.
Após o estrondo
Após o resgate bem-sucedido, o cenário que ficou para trás foi de ruínas. Vizinhos como “Seu Zé” foram retirados em estado de choque, e moradores de unidades como a 302 viram suas vidas reduzidas a escombros.
Para a moradora do 304, o trauma é profundo, mas a perspectiva é de sobrevivência. Olhando para a mãe ainda trêmula e para a filha, ela resume o sentimento de quem viu o chão desaparecer, mas conseguiu se manter de pé.
“Minha mãe ficou muito nervosa, mas está tudo bem. Só o nervoso mesmo. A gente está bem, graças a Deus a gente está vivo. O resto não sobrou nada, desabou tudo… mas o resto a gente vê depois”.
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Fonte: A Tarde



