sábado, abril 4, 2026
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Rede famosa de supermercados antecipa mudança e testa fim da escala 6×1

Funcionários passam a trabalhar mais horas por dia em troca de dois dias de folga –

A adoção de uma nova escala de trabalho por uma rede supermercadista voltou a colocar o setor no centro das discussões sobre jornada no Brasil. O movimento parte de um teste iniciado pelo Grupo Supernosso, que passou a experimentar o modelo 5×2 em algumas unidades, alterando a rotina tradicional de funcionamento das lojas e dos trabalhadores.

A mudança ocorre em um segmento conhecido por operar de forma contínua, com forte presença da escala 6×1, modelo em que funcionários trabalham seis dias seguidos e folgam apenas um. Agora, o teste busca redistribuir essa lógica, mantendo a mesma carga horária semanal, mas concentrando o trabalho em cinco dias, com dois de descanso.

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Como o novo modelo impacta a rotina nos supermercados

Na prática, a alteração exige uma reorganização completa dentro das lojas. Funções operacionais, como caixas, repositores, açougueiros e equipes de estoque, passam a cumprir jornadas diárias mais longas, próximas de nove horas, em vez das cerca de sete horas distribuídas ao longo de seis dias.

Essa mudança implica ajustes em escalas, criação de novos turnos e revezamentos, principalmente para garantir cobertura em horários de maior movimento, além de fins de semana e feriados. O desafio é manter o funcionamento ininterrupto sem sobrecarregar equipes ou comprometer o atendimento.

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Ao mesmo tempo, a proposta é associada a possíveis ganhos para os trabalhadores, como redução do desgaste físico e emocional, menos deslocamentos semanais e uma organização mais previsível das folgas.

Por que a escala 5×2 ganha espaço no debate

Embora ainda seja aplicada de forma experimental, a jornada 5×2 tem ganhado visibilidade por oferecer mais tempo de descanso sem alterar o salário, já que a carga semanal de 44 horas permanece a mesma.

No varejo, onde a escala 6×1 sempre foi dominante, a mudança é vista como uma tentativa de equilibrar produtividade com qualidade de vida. Ainda assim, a adoção em larga escala depende de ajustes operacionais e avaliação de custos, especialmente em negócios que não podem parar.

O que está em discussão no país

O tema não se limita às iniciativas das empresas. No Congresso Nacional, há propostas em análise que podem restringir ou até extinguir a escala 6×1 no Brasil. Uma Proposta de Emenda à Constituição já avançou na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e ainda precisa passar pelo plenário antes de seguir para a Câmara.

A discussão envolve diferentes interesses. De um lado, trabalhadores e sindicatos defendem melhores condições de descanso sem perda salarial. Do outro, empresas avaliam impactos como aumento de custos, necessidade de contratações e adaptações em setores que funcionam todos os dias, como supermercados, hospitais e indústrias.

Nesse cenário, testes como o realizado no setor supermercadista acabam funcionando como termômetro prático de uma mudança que ainda está em construção no país.



Fonte: A Tarde

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