As eleições de 2026 são consideradas as mais significativas da história recente brasileira tanto pela disputa presidencial quanto pela articulação ao Senado — dois terços das cadeiras na Casa estarão em disputa. Com o fim do segundo mandato de 15 governadores, o caminho considerado natural é buscar uma vaga no Congresso, em um período em que o chefe do Executivo estadual ainda possui forte influência sobre a “máquina” do governo.
Segundo o levantamento da Radar Governamental (consultoria que atua no acompanhamento e análise da atividade legislativa), nove governadores almejam uma cadeira no Senado em 2026. Entre eles está o chefe do Executivo do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ).
Após o lançamento da pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a migração do ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL-SC) para concorrer ao Senado pelo estado de Santa Catarina, o caminho de Castro ficou aberto para disputar uma das cadeiras fluminenses na Casa.
Além disso, a popularidade de Castro cresceu após a operação Contenção, deflagrada no fim do ano passado, quando mais de 120 pessoas foram mortas, sendo cinco policiais, nos confrontos contra integrantes da facção criminosa Comando Vermelho, nos complexos da Penha e do Alemão. No entanto, Castro pode ficar inelegível se for condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que retoma nesta terça-feira (10) o julgamento do governador do Rio pela acusação de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
Apesar do levantamento da Radar Governamental colocar Castro como o único governador de direita cotado ao Senado, outros dois chefes de Executivo estadual têm histórico de alinhamento político com as pautas defendidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os governadores do Amazonas, Wilson Lima, e do Mato Grosso, Mauro Mendes, ambos do União Brasil, integraram o grupo de governadores que participaram do ato pró-anistia na avenida Paulista, em abril do ano passado, e também se manifestaram publicamente contra a prisão de Bolsonaro, definida pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo-MG) tem rechaçado a possibilidade de concorrer ao Senado. Ele próprio e aliados argumentam que o mineiro tem um “perfil executivo”. Zema é um dos principais críticos da atuação da Suprema Corte entre os governadores e também saiu em defesa de Bolsonaro após as decisões contra o ex-presidente proferidas pelo ministro Alexandre de Moraes.
Se conquistar nas urnas a ampla maioria das cadeiras da Casa, a direita planeja aprovar a abertura de processo de impeachment de ministros do STF, que passaram a ser acusados de ingerência em outros Poderes, abuso de autoridade, censura nas redes sociais e conflitos de interesses, o que foi agravado pelo escândalo envolvendo o Banco Master. Em 2026, cada estado vai eleger dois senadores.
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Aliado de Bolsonaro e crítico do STF, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB-DF), anunciou que deve deixar o cargo no final de março para concorrer ao Senado. No segundo semestre do ano passado, Rocha fez parte do grupo de governadores que se organizou para discutir os impactos do tarifaço imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, ao Brasil.
Liderados pelo chefe do Executivo paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o grupo então criticou a postura do governo Lula e decisões do STF contra Bolsonaro. Para consolidar a candidatura ao Senado, Ibaneis Rocha terá de se afastar das acusações de envolvimento com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, na tentativa de compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).
O apoio ao governador ficou ainda mais distante depois de Bolsonaro indicar aos aliados que o Distrito Federal deve ter uma dobradinha feminina do PL ao Senado, composta pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis.
Assim como Cláudio Castro, o governador de Roraima, Antonio Denarium (PP-RR), pode ser cassado por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Em novembro, o TSE retomou o julgamento do recurso da decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que cassou os direitos políticos do governador por oito anos.
Denarium anunciou que é pré-candidato ao Senado, mas pode ficar inelegível a depender da decisão da Corte. Em março do ano passado, ele foi criticado por políticos de direita em Roraima por participar da posse dos ministros Alexandre Padilha e Gleisi Hoffmann no governo Lula.
Situação semelhante é a que enfrenta o governador do Acre, Gladson Camelí (PP-AC). Ele é um dos principais nomes da centro-direita cotados ao Senado acreano, mas enfrenta um processo por corrupção no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O julgamento foi adiado no final do ano por decisão do ministro do STF Gilmar Mendes. No início de fevereiro, a residência do governador foi alvo de mandado de busca e apreensão durante operação da Polícia Federal. “Lamento as tentativas de perseguição e, mais uma vez, de estratégia política com o objetivo de me atingir na proximidade das eleições”, disse Camelí.
Assim como o governador de Roraima, ele entrou em atrito com a ala mais alinhada à família Bolsonaro ao criticar a postura do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos e chegou a defender a candidatura presidencial de Tarcísio de Freitas.
Também aliado de Bolsonaro nas eleições de 2022 no Norte do país, o governador de Rondônia, Marcos Rocha, deixou o União Brasil e filiou-se ao PSD. Coronel da Polícia Militar, Rocha criticou publicamente as medidas cautelares impostas pelo STF contra o ex-presidente, como o uso de tornozeleira eletrônica para monitoramento. Apesar de ser cotado ao Senado, o governador descartou a possibilidade de disputar as eleições em 2026.
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Esquerda tem três governadores na disputa pelo Senado
Ainda segundo o levantamento da Radar, três governadores posicionados no espectro da esquerda podem disputar o Senado após deixarem os cargos, sendo dois deles do PSB: os governadores do Espírito Santo, Renato Casagrande, e da Paraíba, João Azevêdo.
No Nordeste, quem encerra o segundo mandato é a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT-RN), que confirma a pré-candidatura. Ela é a única governadora petista que deixará o cargo até 4 de abril para concorrer ao Senado.
No centro, o grupo político de Lula deve ter o reforço do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB-PA). Os laços entre o petista e o aliado foram intensificados durante a preparação para a conferência do clima, a COP 30, em Belém, realizada em novembro de 2025.
O governo federal reservou orçamento bilionário para o evento climático, tendo acelerado obras de infraestrutura e melhorias turísticas na capital paraense. Além disso, o presidente da República conta com o irmão do pré-candidato ao Senado no governo petista: Jader Barbalho Filho é ministro das Cidades.
Fonte: Gazeta do Povo



