quarta-feira, abril 1, 2026
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quando o hábito infantil deixa de ser brincadeira?

O dia 1º de abril, conhecido como “Dia da Mentira”, reacende o debate sobre o impacto das mentiras no desenvolvimento infantil. Mas quando esse comportamento deixa de ser natural e passa a preocupar pais e responsáveis? Especialista explica como identificar e lidar com a situação.

Entre as mentiras mais comuns ditas por crianças estão frases como: “não fui eu”, “eu já fiz a lição” ou “o cachorro comeu o chocolate”. Elas costumam ser utilizadas para evitar broncas, esconder algo que fizeram, não assumir responsabilidades ou até mesmo chamar atenção.

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Ao portal A TARDE, a psicóloga Vitória Christina Palma Xavier, de 26 anos, que atua com desenvolvimento emocional e habilidades socioemocionais em crianças e adolescentes, explica que, casos de mentira entre crianças está ligada ao comportamento.

Mas, afinal, quando esses sinais se tornam um problema e um risco no comportamento infantil?

Infância e mentira: quais os riscos?

Segundo a psicóloga, a mentira deixa de fazer parte do imaginário infantil quando passa a ser utilizada de forma recorrente no cotidiano.

“Isso se torna mais preocupante quando o comportamento começa a afetar a confiança nas relações, prejudicar a convivência familiar ou social e quando a criança não consegue assumir responsabilidades”, explicou ao A TARDE.

A frequência da mentira como forma de proteção ou para omitir comportamentos pode prejudicar o desenvolvimento emocional e social da criança.

“Esse comportamento pode dificultar a construção de vínculos de confiança, gerar insegurança, dificultar a responsabilização pelos próprios atos e prejudicar habilidades importantes, como lidar com frustrações e reconhecer erros”, afirmou.

Como saber se meu filho está mentindo?

Ainda ao portal A TARDE, a psicóloga destaca comportamentos importantes que devem ser observados quando a mentira se torna frequente e passa a fazer parte do cotidiano, como:

  • Mentiras repetidas, mesmo em situações simples;
  • Dificuldade em assumir erros;
  • Culpar constantemente outras pessoas;
  • Criar histórias para evitar responsabilidades;
  • Apresentar versões diferentes para o mesmo fato.

“Esse padrão constante é importante para investigar fatores emocionais, como medo de punição, insegurança, necessidade de atenção ou dificuldade em lidar com frustrações”, destacou a psicóloga.

Como reagir em episódios de mentira?

Ao observar essas características em crianças e adolescentes, a especialista orienta sobre a postura que pais e responsáveis devem adotar nessas situações.

“Evitar confrontos agressivos ou acusações diretas ajuda a criança a se sentir mais segura para falar a verdade. É importante conversar, ouvir a criança, entender o que motivou a mentira e orientar sobre a importância da honestidade”, afirmou.

O objetivo ao compreender essa questão no desenvolvimento infantil não deve ser apenas punir, mas ensinar responsabilidade e fortalecer a construção de confiança.

“É importante que o comportamento seja acompanhado e orientado, ajudando a criança a desenvolver habilidades sociais e emocionais essenciais para um convívio saudável”, conclui a psicóloga ao portal A TARDE.

Por que 1º de abril é o Dia da Mentira?

Embora hoje seja marcado por brincadeiras e “pegadinhas” nas redes sociais, o Dia da Mentira tem raízes históricas que remontam à França do século XVI. A tradição surgiu após a mudança do calendário oficial para o gregoriano: aqueles que resistiram à mudança e continuaram celebrando o Ano Novo em 1º de abril passaram a ser ridicularizados e chamados de “bobos de abril”.

Com o tempo, a data se consolidou mundialmente como um momento de descontração, mas, no contexto do desenvolvimento infantil, ela serve como um ponto de partida para que pais e educadores discutam a linha tênue entre a brincadeira lúdica e a mentira como comportamento de risco.



Fonte: A Tarde

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