A possibilidade de o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) formar uma federação com o Partido dos Trabalhadores (PT) enfrenta resistência entre lideranças psolistas na Bahia. Conforme apuração do Portal A TARDE, há temor de que o partido perca autonomia e identidade ao aderir ao projeto petista no estado.
A direção nacional do PSOL se reunirá no próximo sábado, 7, para definir o posicionamento político da sigla pelos próximos quatro anos.
Tudo sobre Política em primeira mão!
Presidente do PSOL na Bahia e pré-candidato ao Palácio de Ondina, Ronaldo Mansur afirmou à reportagem que “a junção não é viável em âmbito estadual”. Ele ponderou, no entanto, que a decisão cabe exclusivamente à direção nacional.
Presidente do PSOL na Bahia, Ronaldo Mansur
Caso a federação avance, a pré-candidatura de Mansur ao governo pode não se concretizar, já que o foco da aliança estaria voltado para a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Leia Também:
O pré-candidato a deputado estadual Kleber Rosa (PSOL) também demonstrou cautela ao comentar sobre o assunto.
Embora reconheça a boa relação com o PT, ele avalia que não há convergência total de pautas e posicionamentos. Em publicação nas redes sociais, defendeu que o PSOL mantenha independência.
“É fundamental a unidade das forças da esquerda para derrotar a extrema-direita e garantir a reeleição do presidente Lula. Quanto a isso, não temos nenhuma dúvida. No entanto, uma federação pode significar para o PSOL a perda da sua autonomia. Não podemos abrir mão disso nem submeter o nosso projeto a outro”, afirmou.

Kleber Rosa
Já o deputado estadual Hilton Coelho (PSOL) reforçou o discurso de independência da legenda e afirmou que o partido não nasceu para “ser linha auxiliar de ninguém”.
Em publicação no Instagram, o parlamentar criticou a possibilidade de federação com o PT e afirmou que a decisão vai além de um arranjo eleitoral.
“A proposta de federação com o PT não é detalhe técnico, é uma escolha política que mexe com nossa identidade. PSOL das lutas é PSOL independente. E independência não se negocia”, escreveu.
O que diz o PT
Procurado pelo Portal A TARDE, o presidente do PT na Bahia, Tássio Brito, afirmou que o debate sobre a federação “ainda não é oficial”. Ele, porém, minimizou as resistências e avaliou que a aliança não traria prejuízos.
“A federação nacional está sendo discutida pelas direções dos partidos. O PT sempre prezou por fortalecer o governo Lula nas suas alianças. O PSOL é um partido de esquerda, do campo progressista, com relevância nacional. Essa aliança não teria nenhum problema, já que as pautas caminham juntas”, disse o petista.

Presidente do PT na Bahia, Tássio Brito
Como funcionaria a federação
A discussão envolve a possibilidade de o PSOL integrar a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.
Atualmente, o PSOL está federado com a Rede Sustentabilidade e a legenda busca renovar esse acordo por mais quatro anos.
Fonte: A Tarde



