Idalia Araujo, profissional da área de saúde –
Esqueça os divãs por alguns dias. Nesta sexta-feira, 13, o Circuito Barra-Ondina provou que, para muitos, o melhor tratamento contra o estresse moderno é uma dose cavalar de Axé, suor e pé no chão. Entre um trio e outro, o que se ouve dos foliões é um diagnóstico comum: o Carnaval de Salvador deixou de ser apenas festa para se tornar uma questão de saúde mental.
Com a vida acelerada e as pressões do cotidiano, a folia baiana surge como o “reset” necessário no sistema. Quem trabalha cuidando dos outros sabe bem o valor dessa pausa. A soteropolitana Idalia Araujo, profissional da área de saúde, descreve a festa como um mecanismo de sobrevivência. Para ela, o Carnaval é o ponto de encontro entre o humano e a liberdade.
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“É um momento que a gente para tudo e dá uma dissipada nos problemas. Carnaval é sim um respiro pro folião e pra Salvador no geral. Um respiro do trabalho e dos problemas. Depois do episódio da Covid, a gente sentiu muita falta disso. É um espaço pra gente se reencontrar como ser humano”, afirma Idalia.
Para o professor e técnico Elieson Araújo, de 39 anos, o Carnaval é o único parêntese possível em um ano de cobranças incessantes. Ele defende que a “fuga” é pedagógica e essencial para o funcionamento da sociedade.
Elieson Araújo, professor
“Eu acho que o ano começa antes, a sociedade não para. Algumas profissões realmente só começam a produzir depois do carnaval. E eu acho sim que é uma válvula de escape, eu acho que a sociedade precisa disso. Que a gente passa nove, dez meses do ano trabalhando sem tirar férias, pressão de um lado, pressão familiar e pressão no trabalho. Então eu acho que a sociedade como um todo precisa dessa fuga, precisa desse momento. Desse momento sem regras, entre aspas, não sem todas as regras, mas um momento mais livre, onde você pode fazer o que você quiser, onde você pode aparecer mais, onde você pode sorrir, onde você pode falar. Eu acho que é uma válvula de escape sim, é fundamental”, relata Elieson.
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A assistente social Luma Isabel Paixão, 28 anos, não esconde o entusiasmo. Ela define sua relação com a festa de forma quase medicinal. “Eu sou um pouco suspeita porque eu sou apaixonada, apaixonada por carnaval desde que eu nasci. Embora a gente veja no circuito a dualidade entre as expressões da questão social e a diversão. É necessário, é um escape, pra muitos pra mim é um escape e pra galera também que tá trabalhando e precisa ganhar esse dinheiro. Assim, eu preciso de carnaval pra ser feliz. Eu até falei ontem no meu Instagram que é meu antídoto pra vida. De fato, eu gosto de carnaval e acho que faz diferença na minha vida”, conclui Luma.
Fonte: A Tarde



