segunda-feira, março 30, 2026
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por que o baiano ainda prefere o “devagar e humano” à rapidez da IA

Praticamente quatro em cada dez baianos já escolhem a precisão da máquina em detrimento do contato humano, mesmo que isso signifique esperar mais. É o que aponta o novo levantamento AtlasIntel/A TARDE, realizado com 1.718 entrevistados. O estudo mostra que a Inteligência Artificial deixou de ser uma alternativa para se tornar a preferência de uma fatia robusta da população.

No entanto, apesar do avanço tecnológico, o “fator humano” ainda é o porto seguro da maioria. Os dados da pesquisa desenham um cenário de cautela:

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A supremacia humana:

  • 39,1% consideram o atendimento humano imprescindível.
  • 33,1% aceitam a IA, mas ainda preferem falar com pessoas.
  • 9,3% aceitam a IA apenas como um “filtro” inicial, desde que haja transbordo para um humano.

O abismo da confiança:

  • Apenas 0,4% dos baianos aceitam ser atendidos exclusivamente por IA.
  • 50,9% (mais da metade) não confiam na tecnologia para decisões críticas em Medicina ou Finanças.
  • Apenas 11,6% depositam confiança total nas respostas geradas por algoritmos.

Revisão humana

Para quem desenvolve a tecnologia, a cautela não é apenas um sentimento, mas uma prática profissional. Elvis Vaz, CTO da Ciberian Tecnologia, reforça que a desconfiança do baiano tem fundamento técnico:

Acho importante a desconfiança. Sou de tecnologia e não confio também 100% na IA. O meu trabalho e de minha equipe mudou bastante nos últimos meses. Hoje em dia trabalhamos mais fazendo revisão de itens gerados por IA

Elvis Vaz

“Acho que ainda não podemos, nem devemos, confiar 100% mesmo nesses resultados generativos. Vamos precisar sempre de uma revisão humana. Mas a desconfiança é natural em toda nova tecnologia. Lembro que no início da internet a gente também tinha receio de comprar online, mandar arquivos ou compartilhar dados. Além disso, o uso ainda superficial da IA gera erros, o que reforça essa insegurança. Acho que essa confiança vai aumentar com o uso mais consciente”, projeta Léo Villanova, estrategista de comunicação e IA aplicada a negócios.

E esse é o grande ponto. A IA vai cada vez mais fazer parte das nossas vidas. E a relação com essas ferramentas precisa ser aperfeiçoada. “Acredito que vão aparecer muitas empresas com IA especialistas para saúde, direito, educação, agricultura, na verdade, modelos treinados para responder sobre trabalhos específicos. Os modelos que temos atualmente são muito genéricos que abrem espaços para alucinação ou respostas rasas”, avalia Elvis.

Checagem é tudo

Alucinação é um termo que não se espera ouvir quando se fala em máquinas que reproduzem conteúdo gerado a partir de bancos de dados e padrões pré-definidos. Mas, faz todo sentido, como explica Yuri Almeida, do Labcaos marketing político: “o cruzamento de dados pode errar. Ela mesmo avisa: ‘A IA pode cometer erros. Cheque as respostas’”, lembra o professor.

Vicente Aguiar, consultor do programa da ONU para o desenvolvimento (PNUD) e consultor do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), explica o que seria a alucinação de uma IA.

O ChatGPT foi feito para criar. É preciso especificar a pergunta restrita à base de dados. Se fizer uma pesquisa sobre a jurisprudência de horas extras no setor X a ‘alucina’, ela vai criar uma resposta

Vicente Aguiar

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Para vencer as barreiras da desconfiança, os especialistas convergem na percepção de que o melhor caminho é a educação e a experiência. “É importante que toda atividade executada por uma IA tenha um processo de validação para evitar que alucinações se tornem um problema”, sugere Elvis.

Desenvolvimento constante

Essa preocupação norteia os esforços dos setores público e privado para aproximar cada vez mais a IA de um número maior de pessoas. Na Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI) da Bahia, o desenvolvimento de uma Inteligência Artificial para a gestão pública caminha nessa direção.

“O objetivo é garantir que o avanço tecnológico esteja alinhado a princípios éticos, à soberania e segurança dos dados, à valorização da identidade territorial e ao desenvolvimento econômico sustentável em toda a Bahia”, diz Marcius Gomes, titular da pasta.

A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) também vê crescer, ano após ano, o investimento nas IA´s. Relatório referente a 2025, publicado recentemente, destaca programas de ‘reskiling’, ou desenvolvimento de novas habilidades entre os colaboradores, para se integrarem ao processo já irreversível.

“Eles precisarão transitar para o setor de TI. Com a digitalização das interações, do atendimento e da administração da empresa, é fundamental que essas pessoas se juntem a nós. Não se trata apenas de alocá-las em uma nova função; o objetivo é capacitá-las com habilidades de desenvolvedores”, diz o relatório.

“O ponto mais importante é não remar contra a maré, mas entender o caminho a que essa maré está te levando”, filosofa Elvis.



Fonte: A Tarde

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