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pesquisa mostra como recuperar memória e foco

Esquecer nomes, compromissos, tarefas do dia a dia e situações importantes… se antes essas eram condições atribuídas a pessoas idosas, hoje é um problema apresentado também em adultos, jovens e até crianças.

O medo do esquecimento tem feito, cada vez mais, pessoas de faixa etárias diversas buscarem métodos de estimulação cognitiva, antes mesmo da terceira idade.

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O problema pode ser causado, sobretudo, pelo estresse e excesso de informação. No entanto, outros fatores podem contribuir, como a solidão social e falta de estímulo cognitivo.

Neste sentido, um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), com colaboração do Departamento de Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (Each-USP) e do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento da Faculdade de Medicina da USP, comprovou a eficácia da estimulação cognifiva.

A pesquisa aponta ganhos associados ao Programa de Estimulação Cognitiva do método Supera, incluindo melhora da memória, saúde mental e qualidade de vida.

O portal A TARDE foi convidado para a apresentação do levantamento, que aconteceu em São Paulo, na última quarta-feira, 11. Em um painel, composto apenas por mulheres, houve um debate sobre o futuro do envelhecimento no Brasil.

Entenda a pesquisa

Na pesquisa, os participantes foram distribuídos aleatoriamente em diferentes grupos, seguindo rigor metodológico. As avaliações foram realizadas em seis, 12, 18 e 24 meses, o que permitiu observar a efetividade ao longo do tempo.

Foram utilizadas escalas, questionários, testes validados, adaptados e aplicados especificamente para a população idosa brasileira. Nesse sentido, havia duas hipóteses:

  • Quem faz uma estimulação cognitiva de longa duração, pode ter ganhos tanto na cognição, quanto nos aspectos sociais e emocionais.
  • A estimulação cognitiva longa, com multicomponentes, seria neuroprotetora.

Thais Bento, doutora em neurologia pela Faculdade de Medicina da USP e gerontologa pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades (Each) da USP explicou o passo a passo da avaliação.

“A gente imaginou que a cada seis meses os ganhos poderiam acontecer, e aí a gente viu, durante as avaliações neuropsicológicas que quem fazia parte do grupo treino que fez a estimulação cognitiva, estava tendo sempre um desempenho mais elevado, comparado aos outros dois grupos que não fizeram a intervenção cognitiva”.

Thais Bento, doutora em neurologia pela Faculdade de Medicina da USP e gerontologa pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades (Each) da USP | Foto: Luiza Nascimento/Ag. A TARDE

No entanto, a finalização dos 18 meses do programa foi significativo, porque provou que os ganhos cognitivos foram mais significativos nas habilidades cognitivas. Além disso, houve melhora do humor, percepção da qualidade de vida, redução de 60% da frequência de esquecimentos e 40% no desempenho de memória para quem fez a intervenção.

A pesquisa contou com 207 participantes com 60 anos ou mais, cognitivamente saudáveis, divididos em três grupos:

  • Experimental: participantes do programa Supera;
  • Controle ativo: participantes de aulas sobre envelhecimento saudável;
  • Controle passivo: sem intervenção.

Como o cérebro de uma pessoa idosa é capaz de criar novos estímulos?

O envelhecimento tem, de fato, mudanças no funcionamento cerebral, mas por meio dessa pesquisa, é possível observar a compensação de dificuldades que surgem no processo.

Como o estímulo, criam-se novos caminhos, que antes eram inimagináveis, driblando o declínio mental.

“Envelhecer é natural, mas a gente tem que tomar um cuidado porque a demência não é o normal. Então, o que o Supera faz? Trabalha na reserva cognitiva, oq ue possibilita ter um cérebro com mais conexões neuronais, mais sinapses. Uma coisa é fato: a gente vai perder neurônio. Só que se você tem muitos neurônios, você vai perder alguns e você não vai perceber”, explicou a vice-presidente do Supera, Bárbara Perpétuo.

Vice-presidente do Supera, Bárbara Perpétuo

Vice-presidente do Supera, Bárbara Perpétuo | Foto: Luiza Nascimento/Ag. A TARDE

Considere a seguinte analogia:

  • Imagine um galpão com 30 luzes e desligam-se 15 luzes. É possível sentir um impacto na luminosidade.
  • Agora, pense que ao invés de 30, esse galpão tem mil luzes. Apagam as mesmas 15. A percepção não é tanta, porque há muitas outras.

“É assim que funciona. A gente sabe que vai perder alguns dos nossos neurônios. Agora, se tem uma reserva cognitiva muito boa, eles não vão ter impacto na sua vida. Isso significa que você vai envelhecer, mas vai viver mais com autonomia e independência por mais tempo, porque, vai perder neurônio, mas não vai impactar já que tem outros que vão cumprir com essa função”, disse Bárbara.

Portanto, quando se consegue compensar as dificuldades que vão acontecer no envelhecimento cerebral, é possível melhorar o cotidiano da pessoa.

“Ela passa a ter menor frequência de esquecimentos, ela passa a ter mais estratégias para ter habilidades em momentos desafiadores. Então é nessa vertente: manter a pessoa ativa mas com autoconfiança para o seu cotidiano e podemos encontrar essas informações”, acrescentou Thaís.

Esquecimento em pessoas jovens: quando é preocupante?

O jovem adulto costuma ter queixa de memória por ou falta de atenção. O parâmetro principal que merece atenção é quando quando os esquecimentos afetam a qualidade de vida da pessoa e começam a afetar o desempenho ocupacional e interação social.

“Quando o funcionamento das habilidades cognitivas começam a interferir no cotidiano da pessoa. E aí, nesse sentido, é importante buscar um auxílio de profissional especializado para que possa investigar se essa dificuldade é ou não considerada normal”, disse Thaís.

É aí que entra a metodologia. Como o programa dispõe de livro, ábaco, lápis, jogos, dinâmicas, é necessário a desconexão do celular e requer presença.

“Exige que você esteja ali presente, porque a gente vai trabalhando a concentração, o foco, a atenção sustentada. E aí, o jovem ali vai aprendendo técnicas, vai aprendendo a ter agilidade mental e vai ganhando mais confiança porque ele vai sentindo que ele está melhor na velocidade de raciocínio”, explicou Bárbara.

Desta forma, o processo trabalha também o bem-estar, permitindo que o jovem se desestresse e crie um fortalecimento, tendo a autopercepção de que ele está muito melhor.

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A importância da socialização

Outro ponto importante para o fortalecimento cognitivo é a socialização entre as pessoas, que promove a interação e estimula diferentes opiniões, causando a possbilidade de debater e criar novas possibilidades de pensamentos.

“A socialização das pessoas diminui a depressão também. A pessoa fica mais estimulada a fazer coisas, a sair de casa, a ter gastos energéticos. Então, isso faz com que melhore tanto a própria estimulação do cérebro, quanto você diminuir o isolamento e depressão, e inclusive melhora também a sua sensação de valia. Se a pessoa fica em casa só remoendo coisas, você tem uma sensação de menos valia também”, disse Sônia.

Saúde pública

Quanto mais a população vai envelhecer, maiores são os problemas ligados a essa fase, sobretudo as questões envolvendo situações cognitivas, sendo um prejuízo mais leve ou mais grave, como a demência.

Desta forma, a estimulação cognitiva pode desonerar o sistema de saúde pública e privado ao retardar a dependência física e mental, causando até mesmo, menos custos para a saúde pública, conforme avaliou Sonia Brucko, neurologista e professora associada do Departamento de Neurtolohia da Faculdade de edicina da USP.

Sonia Brucko, neurologista e professora associada do Departamento de Neurtolohia da Faculdade de edicina da USP

Sonia Brucko, neurologista e professora associada do Departamento de Neurtolohia da Faculdade de edicina da USP | Foto: Luiza Nascimento/Ag. A TARDE

“A maior parte das doenças crônicas é tratável, então a partir do momento que você tem um sistema que já começa a fazer a prevenção, antes do indivíduo ficar na fase, com boa alimentação, bom acesso educação, bom acesso à saúde pública, em geral, para tratar as suas doenças, vai ser melhor”, explicou.

Além disso, à medida que as pessoas têm uma maior necessidade de cuidados, acabam impactando a vida de outros familiares, sobretudo que precisam deixar trabalhar. Portanto, o tratamento, possibilita um ganho, tanto do ponto de vista pessoal, quanto social.

Entenda o método Supera

O Supera Estimulação Cognitiva dispõe de aulas presenciais que ocorrem uma vez por semana, com duração de duas horas cada. O atendimento é realizado de crianças alfabetizadas até idosos.

“Quando vem um aluno para nós, a gente tem diversos livros. Dependendo da faixa etária, dependendo do estilo de vida que você teve, você vai iniciar a metodologia com um conjunto de livros. E aí, cada um faz o curso no seu ritmo. O educador é um mediador e ele vai estimular cada aluno a se superar e não olhar para os outros”, explicou a vice-presidente do Supera.

Participante da pesquisa, Viviane De Masi Teixeira avalia os benefícios do método para a saúde. Ela aponta melhorias significativas na qualidade de vida, e indica o serviço para pessoas de todas as idades.

“O Supera faz tanta diferenças na vida das crianças, que estão cheias de entusiasmo […] Existem métodos que permitem ter uma mobilidade muito mais inteligente, lúdica, feliz, porque, de verdade, a convidência, o desafio, a curiosidade, todo o estímulo de cores, de sabores, de sensações que a gente vive são maravilhosos”, garantiu.

Esse foi o primeiro ensaio clínico randomizado de longa duração de um programa de estimulação cognitiva realizado no Brasil com idosos saudáveis.



Fonte: A Tarde

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