quarta-feira, fevereiro 4, 2026
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Peixe que não procria? A nova aposta para salvar a tilápia no Brasil

O principal ponto de atenção ambiental é o escape acidental de peixes férteis –

A piscicultura brasileira vive um momento de consolidação histórica. Com uma movimentação financeira que já supera os R$ 7 bilhões anuais, a produção de tilápia tornou-se um pilar estratégico do agronegócio nacional, ultrapassando a marca de 600 mil toneladas por ano.

No entanto, o sucesso econômico trouxe um desafio regulatório: como expandir essa potência produtiva sem comprometer a biodiversidade dos ecossistemas locais?

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A resposta para esse dilema está sendo desenhada em laboratórios, onde a inovação científica busca evitar que a espécie seja classificada como invasora, garantindo a segurança jurídica do produtor e a proteção ambiental.

A barreira biológica: do hormonal ao genético

O principal ponto de atenção ambiental é o escape acidental de peixes férteis para rios e reservatórios. Atualmente, o método de masculinização hormonal, padrão no setor, ainda permite uma margem de erro de cerca de 5% de fêmeas nos lotes. Embora baixo, esse índice mantém o risco de reprodução em ambiente selvagem.

Para mitigar essa vulnerabilidade, pesquisadores da Epamig, em parceria com a UFMG, estão elevando o patamar do controle biológico através de duas frentes principais:

Lotes 100% masculinos: Aperfeiçoamento das técnicas para eliminar completamente a presença de fêmeas.

Esterilidade por manipulação cromossômica: O desenvolvimento de peixes estéreis garante que, mesmo em caso de fuga, a espécie seja incapaz de formar populações autossustentáveis na natureza.

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Segundo especialistas do Programa de Pesquisa em Aquicultura da Epamig, a inibição da reprodução é a estratégia mais eficaz para reduzir drasticamente as chances de multiplicação da espécie em ambientes naturais.

A engenharia contra o escape

Além da biologia do peixe, a modernização da infraestrutura produtiva atua como uma barreira física. A tendência é a migração progressiva (ou integração) para modelos que desconectam a criação dos cursos d’água naturais:

RAS (Sistema de Recirculação de Água): A água é filtrada e reutilizada continuamente, minimizando o descarte e o risco hídrico.

BFT (Bioflocos): Micro-organismos convertem resíduos em alimento, criando um ecossistema controlado e altamente eficiente.

Essas tecnologias não apenas protegem o rio, mas aumentam a produtividade por metro quadrado, otimizando o lucro do piscicultor.

Menos apto à natureza, mais eficiente no tanque

Um dos avanços mais interessantes reside no melhoramento genético. Ao selecionar animais focados em alta densidade, adaptação à ração e crescimento rápido em cativeiro, a ciência acaba criando peixes “especialistas”.

Esses animais altamente domesticados perdem a competitividade típica das espécies selvagens. Caso escapem, as chances de sobrevivência em um ambiente hostil e com predadores são significativamente menores do que as de um peixe selvagem, reduzindo o impacto ambiental da fuga.

Futuro: Integração em vez de ruptura

O objetivo da pesquisa brasileira não é extinguir os tradicionais tanques-rede, essenciais para a economia do interior, mas sim integrar tecnologias. O uso de sistemas controlados nas fases iniciais e mais sensíveis do ciclo de vida da tilápia pode reduzir o tempo de exposição em ambientes abertos, equilibrando a balança entre preservação e faturamento.

Com a ciência como aliada, a tilápia reafirma seu papel na segurança alimentar e no desenvolvimento regional, provando que é possível ser o maior player da aquicultura na América Latina com responsabilidade ambiental e inovação tecnológica.



Fonte: A Tarde

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