Na mitologia, a Fênix é conhecida por renascer das próprias cinzas. Anos depois do incêndio que devastou o Museu Nacional, em 2018, essa ideia de renascimento ganha forma em instrumentos musicais construídos a partir de madeiras resgatadas do desastre, agora levados ao palco pelo cantor e compositor Paulinho Moska.
O espetáculo Os Violões Fênix do Museu Nacional chega a Salvador com apresentações no Teatro SESC Casa do Comércio nos dias 13 e 14 de março. Os ingressos, com preços a partir de R$ 85, estão disponíveis na plataforma Sympla e diretamente na bilheteria do teatro.
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Além de revisitar sucessos de sua trajetória de mais de três décadas, o artista transforma o show em uma experiência marcada por memória, resiliência e reconstrução simbólica da cultura brasileira.
“Como artista, tenho que pensar em como usar o trágico para produzir uma nova beleza. Cantar com esses instrumentos no colo é uma experiência muito intensa, a força do tempo e da história estão comigo no palco”.
Violões Fênix
No show, Paulinho dá voz a dois violões especiais, criados pelo luthier e bombeiro Davi Lopes a partir das madeiras resgatadas do incêndio que devastou o Museu Nacional. Ele explica que já conhecia o trabalho do luthier e a história do aproveitamento de madeiras de rescaldo dos incêndios que ele apagava. Uma semana depois do incêndio, Davi ligou para o artista.
“Ele queria ajudar a reconstruir o museu construindo violões com as madeiras sobreviventes e vendendo para grandes empresas que pudessem pagar um valor bem alto e reverter todo esse dinheiro para a recuperação do museu”, explica Moska.
Paulinho achou a ideia maravilhosa e se juntou com mais cinco pessoas para realizar o projeto. Acontece que, quando os violões ficaram prontos, o museu mudou de ideia e quis ficar com os instrumentos em seu acervo. Na ocasião, Paulinho se tornou, então, uma espécie de padrinho dos violões. “Comecei essa turnê com o nome que demos a esse grupo: Fênix”.
Para o cantor, o projeto Fênix é tão metafórico que serve também para a própria vida. “Todos nós sofremos nossos incêndios e perdas e nos desiludimos com decepções no caminho. Isso é inevitável, mas o mais importante na vida é a renovação, a nossa capacidade de transformar a dor em força, em aprendizado, em poesia. Isso aparece no repertório do show também”.
Programação
O show começa com a exibição dos primeiros minutos do premiado documentário Fênix: o Voo de Davi, de Vinícius Dônola, João Rocha e Roberta Salomone. O filme conta a história da reconstrução desses violões como metáfora da resiliência e da capacidade de renascimento da cultura brasileira, tendo a canção Tudo Novo de Novo como tema principal.
Para Paulinho, depois de ver algumas imagens do museu inteiro pegando fogo e de conhecer a história do bombeiro Davi, o público alcança um nível mais profundo de compreensão sobre o que está acontecendo naquela noite. “Estaremos escutando o som de madeiras com mais de trezentos anos que carregam nossa história”, anuncia.
Com esses instrumentos que renasceram das cinzas, Paulinho Moska dará continuidade ao espetáculo, revisitando sua trajetória musical solo de mais de três décadas. No repertório, canções que marcaram época, como A Seta e o Alvo, Pensando em Você, A Idade do Céu, Lágrimas de Diamantes, Último Dia e Muito Pouco, ganham novas nuances e significados.
O artista apresenta também uma canção do mestre Pixinguinha, A Dor Traz o Presente, que ganhou letra escrita pelo próprio Paulinho. Segundo ele, o neto do compositor encontrou cerca de sessenta partituras inéditas no acervo do avô.
“Algumas ele achou que poderiam ganhar letra para virar canção. A princípio fiquei com medo da responsabilidade, mas depois consegui ficar feliz com o resultado”, afirma.
Ao escolher o repertório do show, o artista observou que muitas letras de suas canções tocam no tema da renovação. Tudo Novo de Novo e Lágrimas de Diamantes são dois exemplos bem diretos.
Mas, segundo ele, uma canção que ganhou um novo sentido foi Quantas Vidas Você Tem?. “Ela foi composta para um namoro que terminava e voltava, era uma canção romântica… mas agora eu só penso nas vidas dessas madeiras, que foram árvores na floresta, depois parte de uma casa/museu e agora são instrumentos musicais”.
Longa trajetória
Com sensibilidade e talento, em seus mais de 30 anos de carreira, Paulinho Moska segue em constante transformação, construindo um legado singular na música brasileira. O cantor e compositor carioca é dono de uma obra rica e diversa, que transcende as fronteiras do Brasil. Suas canções, marcadas por letras poéticas e melodias marcantes, conquistaram o público e o reconhecimento da crítica.
Sua trajetória musical inclui parcerias com grandes nomes da música brasileira e internacional, como Lenine e o argentino Fito Páez, com quem gravou o álbum Locura Total (2015), indicado ao Grammy Latino. Emplacou temas em trilhas sonoras de novelas de TV e teve suas canções gravadas por artistas consagrados, como Elba Ramalho, Gal Costa, Maria Bethânia, Marina Lima e Ney Matogrosso.
Em 2024, o artista foi homenageado com o título de “Visitante Ilustre de Montevidéu” e realizou turnês internacionais, dividindo o palco com Mart’nália e participando do Festival Medio y Medio.
Um dos shows que o artista circula atualmente é justamente Violões Fênix, que chega pela primeira vez a Salvador. “Com essa dimensão do incêndio e da renovação. Noite de poesia e intimidade. Noite de alegria por estar na Bahia, terra de meus pais biológicos”, conclui o artista.
Show de Paulinho Moska
- Data: Sexta-feira (13) e sábado (14)
- Horário: 20h
- Local: Teatro Sesc Casa do Comércio
- Ingressos: entre R$ 85,00 e R$ 200
- Vendas: Sympla
*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.
Fonte: A Tarde



