O pastor batista Oliver Costa Goiano, coordenador do núcleo de evangélicos do PT, criticou a fantasia “neoconservadores em conserva” apresentada pela escola de samba Acadêmicos de Niterói no último final de semana durante um desfile na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. Ele, no entanto, minimizou qualquer impacto eleitoral do episódio entre fiéis, afirmando que o Carnaval não influencia o voto desse público.
A fantasia gerou reação entre políticos alinhados à direita por ironizar o conceito de família tradicional, tema sensível no público mais conservador. Mesmo reconhecendo o incômodo, Goiano afirmou compreender a mensagem proposta pela escola, destacando que há diferentes formações familiares além do modelo tradicional.
“O fato de uma escola, numa última ala, fazer algo que realmente incomodou famílias conservadoras, inclusive como a minha, não tem nada a ver com o Partido dos Trabalhadores. Então, não acredito que isso vá prejudicar o diálogo da esquerda ou do governo Lula com os evangélicos”, afirmou em entrevista ao UOL publicada nesta quinta (19).
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Oliver Costa Goiano reforçou que não vê risco na relação entre a esquerda e o eleitorado evangélico por causa do episódio. Isso, porque, diz, os evangélicos “não acompanham o Carnaval” e há uma separação clara entre a vivência religiosa e a festa popular.
“O evangélico não vai definir seu voto pelo Carnaval, porque entende que essa festa não diz respeito aos evangélicos. O evangélico e Carnaval não se misturam”, disse.
Ele ainda destacou que, apesar de integrar um partido de esquerda, mantém valores conservadores no âmbito pessoal e religioso. Mesmo sendo um pastor do PT, afirmou, “continuo sendo conservador nesse sentido”, pontuou acrescentando críticas a práticas comuns nos desfiles, como nudez e consumo de álcool.
Para o pastor, a fantasia representa apenas “a visão do mundo cultural em geral” e não deve ser interpretada como posicionamento político institucional. Ele conclui que evangélicos “genuínos” não baseiam suas escolhas eleitorais em manifestações culturais que sequer acompanham.
A Acadêmicos de Niterói estreou no Grupo Especial neste ano e já foi rebaixada após não conseguir a pontuação mínima para se manter nesta categoria.
Fonte: Gazeta do Povo



