Um alimento presente na mesa de milhões de brasileiros entrou no radar da ciência. Um estudo da Universidade de São Paulo identificou a presença de substâncias potencialmente cancerígenas em itens consumidos diariamente, como pão branco, biscoitos e farinha de trigo.
A pesquisa foi conduzida por especialistas da Faculdade de Saúde Pública da USP, em parceria com o Instituto Adolfo Lutz e instituições portuguesas, como a Universidade do Porto e o Instituto Politécnico do Porto.
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O que está por trás do alerta
Os pesquisadores analisaram a presença de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs), compostos com potencial cancerígeno que podem surgir durante o preparo de alimentos em altas temperaturas.
Essas substâncias não aparecem em grandes quantidades de uma vez — o problema está no consumo frequente. Ao longo do tempo, pequenas doses vão se acumulando no organismo.
Segundo a pesquisadora Gloria Guizellini, o consumo diário de pão branco, por exemplo, faz com que essa exposição aumente gradualmente, elevando o risco ao longo da vida.
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Alimentos Preocupantes
Embora o termo “proibido” dependa da legislação local, o estudo destaca alimentos que excederam os limites de segurança de 1 μg/kg estabelecidos pela Comissão Europeia:
Biscoitos de amido de milho: Apresentaram as maiores concentrações de contaminantes, com uma amostra chegando a 6,65 μg/kg.
Pão branco: É o principal contribuinte para a exposição dietética no Brasil devido ao seu alto consumo diário (média de 49,4 g/dia), apresentando o maior risco de câncer incremental ao longo da vida (ILCR).
Farinha de trigo integral: Mostrou níveis mais elevados de PAHs do que a farinha branca refinada.
Pão tipo australiano: Uma amostra de pão com mel e especiarias apresentou um dos níveis mais altos de contaminação (6,53 μg/kg ).
Biscoitos Salgados: 81% das amostras de biscoitos analisadas excederam os limites de segurança para a soma dos quatro principais PAHs.
Entenda os riscos para a saúde
Os HPAs são associados a diferentes impactos no organismo. Entre os principais pontos observados pelos pesquisadores estão:
- Potencial cancerígeno, com capacidade de favorecer o desenvolvimento de tumores
- Alterações no sistema gastrointestinal
- Danos ao DNA, com risco de mutações e instabilidade genética
- Compostos como o benzo[a]pireno, classificados como cancerígenos pela International Agency for Research on Cancer
Esses efeitos estão ligados principalmente à exposição contínua ao longo do tempo, e não ao consumo isolado.
De onde vem a contaminação
A presença dessas substâncias está relacionada a diferentes fatores, que vão desde o cultivo até o preparo dos alimentos.
- Processamento Térmico: O cozimento em altas temperaturas gera reações pirolíticas que formam hidrocarbonetos de alto peso molecular.
- Método de Cozimento: Pães assados em fornos a lenha tendem a ter níveis mais altos de contaminação devido ao contato direto com a fumaça da queima da madeira em comparação a fornos elétricos ou a gás.
- Ingredientes Contaminados: O uso de óleos vegetais (como soja e palma), açúcar (que pode vir de canaviais queimados) e farinhas previamente contaminadas eleva os níveis finais no produto.
- Fatores Ambientais: A poluição atmosférica em áreas urbanas e industriais deposita fumaça e material particulado na superfície dos grãos de trigo durante o cultivo.
Precisa cortar pão e biscoito?
A resposta é direta: não.
As próprias pesquisadoras reforçam que não é necessário excluir esses alimentos da rotina. O ponto central está no equilíbrio e na variedade da alimentação.
Evitar o consumo diário e alternar com frutas, raízes e outros cereais já reduz significativamente a exposição.
Outro cuidado simples é não consumir partes muito tostadas dos pães. Já os biscoitos industrializados, especialmente os recheados, devem ser ingeridos com mais moderação.
O que o estudo acende de alerta
A pesquisa não propõe pânico, mas chama atenção para um padrão alimentar comum que pode trazer riscos ao longo do tempo.
Mais do que cortar alimentos, a recomendação é repensar a frequência e buscar uma dieta mais equilibrada.
No fim, o problema não está apenas no que se come — mas na repetição diária sem variação.
O que são hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs)?
Os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs) são compostos químicos com potencial cancerígeno, que podem se formar durante o preparo de alimentos em altas temperaturas.
Quais alimentos estão associados a riscos elevados de HPAs?
Alimentos como pão branco, biscoitos de amido de milho e farinha de trigo integral mostraram níveis preocupantes de HPAs, excedendo os limites de segurança regulamentares.
Por que o consumo frequente de pão branco é arriscado?
O pão branco é o maior contribuinte para a exposição a HPAs no Brasil devido ao seu alto consumo diário, o que aumenta gradativamente o risco de câncer ao longo da vida.
Devo eliminar completamente pão e biscoito da minha dieta?
Não é necessário excluir esses alimentos, mas sim moderar o consumo e variar a dieta, incorporando frutas e outros cereais para reduzir os riscos aos HPAs.
Quais cuidados posso ter ao consumir pão e biscoitos?
Evite comer partes queimadas dos pães e consuma biscoitos industrializados com moderação, priorizando uma dieta equilibrada para minimizar a exposição a contaminantes.
Fonte: A Tarde



