Pesquisadores identificaram no Maranhão uma nova espécie de dinossauro a partir de ossos encontrados há quase cinco anos durante obras de uma ferrovia no município de Davinópolis. A descoberta foi descrita em artigo publicado no dia 12 de fevereiro na revista científica Journal of Systematic Paleontology.
O animal recebeu o nome de Dasosaurus tocantinensis. De acordo com os pesquisadores, ele viveu há cerca de 120 milhões de anos e podia atingir aproximadamente 20 metros de comprimento. A espécie pertence ao grupo dos titanossauriformes, um tipo de saurópode — dinossauros quadrúpedes de pescoço longo — que inclui também os gigantes titanossauros.
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Entre os fósseis encontrados estão ossos da perna, incluindo um fêmur com cerca de 1,5 metro de comprimento, além de partes do braço, da bacia, do pé e fragmentos de costelas.
Origem pode estar ligada à Europa
A análise dos fósseis sugere que a linhagem do animal pode ter surgido na Europa há aproximadamente 130 milhões de anos, junto com outro dinossauro de pescoço longo, o Garumbatitan morellensis. A partir daí, esses animais teriam se dispersado pelo norte da África até chegar ao Nordeste brasileiro.
Segundo o pesquisador Bruno Navarro, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, a descoberta é relevante porque se trata do primeiro titanossauriforme não titanossauro identificado no Brasil.
Inicialmente, os cientistas acreditaram que os fósseis pudessem pertencer a uma espécie já conhecida do mesmo grupo. No entanto, diferenças relacionadas à idade geológica e à localização levaram os pesquisadores a classificá-lo como um novo gênero.
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Descoberta começou durante obra
Os ossos foram encontrados em outubro de 2021 por funcionários da empresa Brado Logística durante trabalhos de terraplanagem na área onde seria construída a ferrovia. No início, os trabalhadores acreditaram que os restos pertenciam a preguiças-gigantes.
Após a descoberta, uma equipe de arqueologia foi acionada e entrou em contato com o pesquisador Elver Mayer, que na época era professor da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará. Ao analisar o material, os especialistas perceberam que os ossos eram muito mais antigos.
A avaliação indicou que os fósseis provavelmente pertenciam à Formação Itapecuru, camada geológica com cerca de 115 milhões de anos.
Escavação e estudo dos fósseis
Após a confirmação, uma equipe liderada por Mayer realizou a retirada dos fósseis do local. O trabalho de escavação durou cerca de 15 dias e não interferiu no andamento da obra. Entre os pesquisadores envolvidos estava o biólogo Leonardo Kerber, que participou da operação enquanto atuava no Museu Paraense Emílio Goeldi.
Os fósseis foram levados para o laboratório de paleontologia da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, onde passaram por preparação e análise científica.
Em julho de 2025, o material retornou ao Maranhão, ampliando para três o número de espécies conhecidas de dinossauros de pescoço longo encontradas no estado.
Importância científica
De acordo com pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão, a profundidade em que o dinossauro foi encontrado revela uma nova área com potencial para descobertas futuras, já que a maioria dos fósseis no estado costuma aparecer em falésias litorâneas ou margens de rios.
O nome da nova espécie também tem relação com o ambiente local. “Dasosaurus” pode ser traduzido como “réptil da floresta”, referência à vegetação densa da região e também ao possível significado do nome Maranhão, associado à ideia de “emaranhado”.
Análises do tecido ósseo indicam que o animal apresenta características de desenvolvimento diferentes das observadas em titanossauros mais recentes, sugerindo que pertence a uma linhagem mais primitiva dentro do grupo.
Atualmente, o fóssil está preservado no Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão, em São Luís, onde pode ser visitado pelo público.
Fonte: A Tarde



