quinta-feira, março 12, 2026
spot_img
HomeDestaquesOSBA abre Temporada 2026 com concerto gratuito na Biblioteca Central da Bahia

OSBA abre Temporada 2026 com concerto gratuito na Biblioteca Central da Bahia

Maestro Carlos Prazeres celebra 15 anos à frente da OSBA em concerto gratuito –

Entre acordes que atravessam o século XX e ecos da criação musical baiana, a Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba) inicia neste domingo, 15, a sua Temporada 2026. O concerto acontece às 17h, na Biblioteca Central do Estado da Bahia, no bairro dos Barris, com regência do maestro Carlos Prazeres e participação da pianista Sylvia Thereza como solista.

Com entrada gratuita, a apresentação reúne no mesmo programa obras do compositor baiano Paulo Costa Lima e dos russos Sergei Prokofiev e Igor Stravinsky, em um repertório que percorre diferentes momentos da escrita orquestral do século XX e dialoga com a produção contemporânea brasileira.

Tudo sobre Música em primeira mão!

O concerto propõe um percurso que parte de uma obra inspirada em matrizes afro-baianas, passa pelo virtuosismo pianístico e culmina em uma das partituras mais emblemáticas do repertório sinfônico moderno, O Pássaro de Fogo: Suíte (versão 1919).

Leia Também:

Repertório

A primeira obra da noite será Cabinda: nós somos pretos Op. 104 (Sinfonia em um movimento), do compositor baiano Paulo Costa Lima. Inspirada em uma cantiga de maculelê, a peça propõe uma imersão nos múltiplos imaginários da presença negra no Brasil.

Estreada em 2015 pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), na Sala São Paulo, sob regência da maestra Marin Alsop, a obra abre simbolicamente a temporada da orquestra baiana.

Para Carlos Prazeres, a escolha do programa também responde a um desafio artístico importante para o grupo no início do ano.

“O programa está repleto de peças absolutamente incríveis e, ao mesmo tempo, todas elas, sem exceção, são desafios muito exaustivos para o grupo. Mas é importante que, depois de um período de férias e se dedicando à música popular, que a orquestra volte a exercer de uma forma dedicada e com afinco com o repertório que é habitual, o repertório orquestral”.

O maestro também destaca o diálogo entre os compositores presentes no concerto. “O programa, ao trazer Stravinsky e Prokofiev, mostra dois gigantes da composição orquestral que mudaram o panorama da escrita orquestral ali do século 20. Hoje, Paulo Costa Lima é essa tradução dessa linguagem para a nossa terra. Começar os nossos primeiros acordes da temporada oficial da Osba com a obra de Paulo Costa Lima é mostrar também a atualidade, é mostrar que a Osba está absolutamente conectada com a sua sociedade e conectada com a modernidade”, comenta.

A solista

No segundo momento do concerto, a pianista Sylvia Thereza assume o palco para interpretar o Concerto para Piano nº 3 em Dó Maior, Op. 26, de Sergei Prokofiev, uma das obras mais executadas do repertório pianístico do século XX e conhecida por sua complexidade técnica e expressiva.

Considerada um dos nomes brasileiros em ascensão no cenário internacional da música clássica, Sylvia Thereza foi aluna de mestres como Nelson Freire e Maria João Pires e mantém uma agenda de apresentações em importantes salas e festivais no Brasil e no exterior.

Em 2026, a pianista já tem compromissos confirmados em países como Áustria, Alemanha, Itália, Bélgica, Suíça, Espanha, Holanda, França, Brasil, Tailândia, Paraguai e Estados Unidos.

Para Prazeres, a presença da solista dialoga com o perfil artístico da própria orquestra.

“A Osba hoje, ela também escolhe seus solistas por eles apresentarem uma jovialidade, e não quer dizer com isso que sejam exatamente jovens, mas apresentarem uma jovialidade, uma vontade de transgredir, uma vontade de experimentar o novo, que é a cara da Sylvia Thereza”, aponta o maestro.

15 anos de regência

A temporada de 2026 também marca os 15 anos desde a estreia de Carlos Prazeres à frente da direção artística e regência da OSBA, iniciada em março de 2011, no Teatro Castro Alves.

Ao longo desse período, a orquestra passou por um processo de ampliação de suas atividades e de aproximação com novos públicos, incorporando formatos de concerto e projetos que dialogam com diferentes linguagens e espaços culturais da cidade.

Iniciativas como CineConcerto, Futurível, BaileConcerto e o Sarau OSBA no Museu de Arte Moderna da Bahia ajudaram a expandir a presença da orquestra para além das salas tradicionais e a fortalecer a relação com o público.

O movimento de formação de plateia também se refletiu no crescimento da frequência anual de espectadores, que passou de cerca de 20 mil pessoas em 2010 para mais de 76 mil em 2023.

Parte dessa trajetória inclui a relação construída com a Biblioteca Central do Estado da Bahia, que recebe o concerto de abertura da temporada. O espaço se tornou um dos palcos recorrentes da orquestra nos últimos anos, especialmente a partir das apresentações do projeto OSBArris.

“Eu entendo aquele espaço, primeiro como um espaço de formação intelectual das pessoas, porque as pessoas estão ali cercadas por livros e cercadas por pessoas que trabalham com livros. Segundo, que é um lugar onde, de todos os pontos que o espectador está, ele pode visualizar a orquestra. A acústica pra mim também favorece”, afirma o maestro.

Prazeres também destaca o vínculo criado com o público que acompanha a orquestra nesses encontros.

“No nosso último concerto lá, o Cecilianas, fizemos duas sessões para 700 pessoas cada uma – e muita gente foi embora sem conseguir entrar, então a gente tem um carinho muito grande por esse espaço e queremos cada vez mais fomentar parcerias que só tem o público baiano como objetivo, que seja um presente para esse público maravilhoso, que é o nosso público crush”, conclui.

Concerto de Abertura da Temporada 2026 da OSBA / Domingo (15), 17h (acesso do público a partir das 16h) / Biblioteca Central do Estado da Bahia (Barris) / Entrada: gratuita, sujeita à lotação do espaço

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.



Fonte: A Tarde

- Advertisment -spot_img

Mais lidos