A organização não governamental Fundação Solar, que tem a filha do banqueiro Daniel Vorcaro como embaixadora, apagou sua conta em uma rede social neste final de semana após apurações da imprensa apontarem uma suspeita de ligação com o escândalo do liquidado Banco Master. A entidade tem como único sócio-administrador o empresário Leonardo Augusto Palhares, sócio da Varajo Consultoria Empresarial, apontada pela Polícia Federal como operadora de pagamentos a dois servidores de carreira do Banco Central que supostamente recebiam propina de Vorcaro.
A Gazeta do Povo consultou novamente a conta da Fundação Solar, nesta segunda (9), na rede social Instagram, que retornou com um aviso de que a página “não está disponível”. O site da entidade, no entanto, segue no ar. A reportagem pediu um posicionamento oficial da fundação, na última sexta (6), e não teve retorno. O espaço segue aberto.
A apuração que apontou a ligação de Palhares com a ong também mostrou que a entidade utiliza uma conta no Banco Master para receber doações. A Fundação Solar e Stella Vorcaro, porém, não são investigados pela Polícia Federal nesta fase da apuração.
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A Sociedade Organizada Spread of Love and Respect, responsável pela arrecadação de recursos para a Fundação Solar, foi aberta em 10 de fevereiro de 2025 em Belo Horizonte já meio às dificuldades financeiras do Banco Master e poucos meses após Vorcaro buscar ajuda política para enfrentar a crise.
Na época, o banqueiro relatou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em uma reunião fora da agenda oficial, que estaria sofrendo “perseguição” de pessoas “interessadas em derrubar ele”. Lula afirmou posteriormente que solicitou ao Banco Central uma apuração técnica sobre o caso, investigação que acabou revelando a atuação irregular de servidores dentro da instituição.
A Fundação Solar afirma em sua apresentação institucional que nasceu da iniciativa de Stella Vorcaro após trabalho voluntário na África. A organização diz que a jovem decidiu criar a entidade para “levar recursos e oportunidades a quem mais precisa”.
Segundo o site da ong, o objetivo é “fortalecer a educação em comunidades vulneráveis da África” através de ações nas áreas de educação, saúde, tecnologia, formação de lideranças, cultura e infraestrutura. Mesmo assim, o registro societário da empresa que capta doações para a ong não inclui o nome de Stella Vorcaro entre seus sócios formais.
A investigação que revelou a conexão entre a Fundação Solar e o Banco Master surgiu durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na semana passada. Segundo o relatório, dois servidores do Banco Central recebiam propina disfarçada de pagamentos por serviços de “consultoria” vinculados à Varajo Consultoria Empresarial.
Registros oficiais também apontam que Palhares participa de outra companhia citada na investigação, a Super Empreendimentos e Participações S.A. Essa empresa teria sido utilizada para efetuar pagamentos a integrantes de um grupo descrito pelos investigadores como uma espécie de “milícia privada” criada por Vorcaro para monitorar e pressionar adversários.
Segundo a Polícia Federal, as ações desse grupo ocorreriam por meio de um chat chamado “A Turma”, usado para coordenar monitoramentos e pressões contra desafetos. A investigação aponta ainda que a empresária Ana Cláudia Queiroz de Paiva, sócia de Palhares, teria auxiliado na movimentação financeira dessas operações.
Fonte: Gazeta do Povo



