domingo, março 29, 2026
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Ocupação Côro Comeu mistura arte e culinária

No fim da tarde, quando o Centro Histórico começa a trocar o ritmo do expediente pelo da fruição, uma porta discreta na Rua do Couro se abre para um outro tempo. Ali, entre luzes baixas, vozes próximas e pratos que circulam de mão em mão, a Ocupação Côro Comeu pretende redesenhar o mapa afetivo da cultura em Salvador.

Instalada no Café Teatro Nilda Spencer, gerido pela Fundação Gregório de Mattos, a iniciativa propõe mais do que uma programação artística: é uma experiência. É o que aponta a produtora Simone Carrera. Uma mistura de música ao vivo, performance, gastronomia e convivência que aposta na proximidade entre artistas e público.

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“A ocupação Côro Comeu nasceu de uma experiência que fizemos no ano passado, como after do Festival Boca de Brasa”, conta Simone. “Muita gente conheceu o espaço e percebemos que ele tinha vocação para ser um grande ponto de cultura, de encontro”.

Simone reuniu parceiros e, junto com o produtor Xande Martins, o chef Ricardo Vallari e a curadora Gabi da Oxe, deu forma ao projeto. “Juntamos forças e ideias e assim nasceu a ocupação, que vem sendo muito elogiada e que tem como conceito básico ser, de fato, um templo das artes”, diz.

A proposta é abraçar diferentes linguagens, da música ao teatro, da performance drag às artes visuais, sem hierarquias. Um território livre de criação, onde o improviso convive com a curadoria e o inesperado faz parte da experiência. “Queremos ser uma ponte, um ponto de partida para artistas que estão começando, mas que têm um trabalho potente e muitas vezes não encontram espaço”, afirma Simone.

Essa abertura também se reflete na dinâmica do lugar. A programação é construída de forma contínua, alimentada por sugestões, encontros e descobertas. “Não há uma curadoria fechada”, explica. “Existe um conceito muito definido, que é abraçar as artes em toda a sua potência, e dentro disso a gente constrói coletivamente”.

Rua

Ocupando um ponto estratégico no Centro Histórico, a iniciativa dialoga diretamente com o entorno. A Rua do Couro, de acordo com a produtora, ganha novos fluxos e novos públicos. “Estar nesse território é de extrema relevância”, diz Simone. “Estamos numa região que concentra equipamentos culturais importantes e que hoje pulsa com muitas atrações”. A ocupação, para ela, cumpre um propósito estratégico de ativação e também de convidar um público que ainda não frequenta o Centro Histórico.

A proposta, apesar de simples, é ambiciosa: transformar a experiência cultural em algo cotidiano, acessível e desejável. “Queremos que as pessoas vivam a rua, vivam o quarteirão das artes e entendam que ali existe uma outra forma de estar na cidade”.

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Gastronomia

A comida é parte essencial da proposta. No Bar do Côro, o cardápio assinado pelo chef Ricardo Vallari acompanha o espírito do espaço: autoral, acessível e sem formalidades.

“Escolhi trazer um viés contemporâneo para a comida de boteco”, explica. “É um cardápio descontraído, com personalidade, mas com uma linguagem informal”. Segundo Ricardo, as opções de comida têm o poder de agregar as pessoas, “de permitir que elas comam em pé, dançando, vivendo o que o espaço oferece”.

A cozinha funciona como extensão da experiência artística. Pratos circulam enquanto performances acontecem, drinks autorais acompanham shows e o público se move sem a rigidez de um jantar tradicional.

No menu, algumas combinações inusitadas se destacam. O cardápio conta com guioza de vatapá e bao de língua com sunomono. “É uma maneira de unir o regional em uma tradução minha”, conta o chef. “Não faria sentido eu reproduzir receitas que pertencem a outras histórias, prefiro homenagear sem me apropriar, traduzindo a partir do meu olhar”.

Os ingredientes locais são protagonistas. “Nossos drinks autorais levam cachaça, caju, cravinho e mel de cacau”, conta o chef, que traz na bagagem a experiência no Grupo Maní. “Lá aprendi técnicas, postura e, principalmente, humanidade, isso atravessa tudo o que faço hoje”.

Programação

A programação atual revela a diversidade da proposta, da potência das drags na Quinta das Queens ao formato intimista do Clube da Canção, passando pela homenagem a Raul Seixas no show Raulzito. O que não muda é que as apresentações são sempre próximas, e o público não é apenas espectador, mas parte da atmosfera.

Funcionando de quinta a sábado, sempre das 17h às 23h, a ocupação aposta em um ritmo próprio. “Só indo para entender”, resume Ricardo.

Com um horizonte de pelo menos seis meses de atividades, a Ocupação Côro Comeu já projeta desdobramentos. Novos projetos, mais linguagens e uma programação em constante expansão fazem parte do plano, de acordo com Simone. “A gente quer crescer, abrir espaço para mais artistas e, de fato, se consolidar como um grande ponto cultural da cidade.”

Serviço:

Ocupação Côro Comeu

Local: Café Teatro Nilda Spencer – Rua do Couro, Centro Histórico, Salvador

Funcionamento: quinta a sábado, das 17h às 23h

PROGRAMAÇÂO DA SEMANA

2 de abril

Quinta Queens, show de drags com discotecagem

Horário: de 19h às 23h

Gratuito

3 de abril

Projeto Forró Cumêndo nu Centro

Horário: 19h às 23h

Couvert: 15

4 de abril

Baile Charme

Horário: 19h às 23h

Gratuito



Fonte: A Tarde

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