Análise física de 393 morfótipos foi combinada ao sequenciamento genético de DNA –
Considerado o deserto não polar mais seco do planeta, o Atacama esconde uma complexidade biológica que os olhos humanos não conseguem alcançar. Um estudo recente revelou uma diversidade inesperada de nematoides — pequenos vermes cilíndricos — vivendo em condições de hiperaridez.
A descoberta prova que, mesmo em ambientes extremos, o solo mantém ecossistemas estruturados e resilientes.
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Mapeando o invisível
Os pesquisadores exploraram seis micro-habitats distintos para entender como a vida se distribui entre dunas de areia, montanhas e lagos salinos. As coletas abrangeram pontos estratégicos como o Altiplano, Aroma, Eagle Point, Paposo, as Dunas de Totoral e o Salar de Huasco.
Diferente do que se imaginava, o deserto não é um bloco único de sobrevivência, mas um mosaico de estratégias biológicas. Para identificar os organismos, a ciência uniu o clássico ao moderno: a análise física de 393 morfótipos foi combinada ao sequenciamento genético de DNA, revelando linhagens evolutivas e métodos de reprodução adaptados à sede extrema.
Bioindicadores de saúde
Os nematoides não estão lá apenas por acaso; eles funcionam como “sensores” da saúde ambiental. A pesquisa identificou dois perfis principais de comunidades.
No Salar de Huasco e em Paposo, foram encontradas espécies típicas de sistemas mais complexos e antigos. Embora mais “prósperas”, essas comunidades são altamente sensíveis a distúrbios externos.
Já no Altiplano e nas Dunas de Totoral, predominam organismos ultra-resistentes, capazes de suportar mudanças bruscas em ecossistemas mais simples e instáveis.
A descoberta abre novas portas para a astrobiologia e para o entendimento de como a vida pode persistir em outros planetas com condições severas.
No Atacama, a lição é clara: onde parece não haver nada, a vida microscópica floresce silenciosamente.
Fonte: A Tarde



