Pelo quarto ano consecutivo, Santa Catarina lidera o ranking das cidades com o metro quadrado mais caro do Brasil. Dados do Índice FipeZAP mostram que Balneário Camboriú se manteve no topo da lista nacional de preços de venda de imóveis residenciais, consolidando o estado como referência no mercado imobiliário de alto padrão.
Em dezembro de 2025, o preço médio do metro quadrado em Balneário Camboriú alcançou R$ 14.906. Na prática, um apartamento padrão de 50 metros quadrados custa cerca de R$ 745 mil.
A força do mercado catarinense, no entanto, vai além da cidade mais famosa do litoral norte do estado. Itapema aparece logo atrás, com R$ 14.843 por metro quadrado. O “top 5” nacional evidencia essa concentração.
Além de Balneário Camboriú (1º) e Itapema (2º), Itajaí ocupa a quarta posição, com R$ 12.848/m², enquanto Florianópolis surge em quinto lugar, com R$ 12.773/m². Das cinco cidades mais caras do Brasil para a compra de imóveis residenciais, quatro estão em Santa Catarina.
A capital Vitória (ES) completa as cinco cidades com o metro quadrado mais caro do Brasil. No terceiro lugar no ranking, a cidade capixaba ostenta o título de capital mais cara do país, com o metro quadrado avaliado em R$ 14.108.
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O levantamento do FipeZAP, que monitora 56 cidades brasileiras, apontou uma alta média de 6,52% nos preços de venda de imóveis ao longo de 2025. O índice superou a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), estimada em 4,18% no período, refletindo em um ganho real de 2,24% para proprietários e investidores.
De acordo com a economista Paula Reis, do Grupo OLX — que integra o índice FipeZap — Balneário Camboriú lidera o ranking de metro quadrado mais caro do Brasil entre imóveis verticais prontos há quase quatro anos.
De janeiro de 2018 a dezembro de 2025, o preço médio do metro quadrado na cidade saltou de R$ 6.873 para R$ 14.906. A valorização acumulada é de 117%.
Durante a pandemia de Covid-19, esse movimento se intensificou, sobretudo em cidades litorâneas. “Em abril de 2022, Balneário Camboriú chegou a registrar uma valorização anual de 25%”, destaca Paula.
Pandemia muda padrão de moradia e impulsiona valorização em cidades litorâneas
A economista explica que a pandemia alterou o padrão de moradia no país. A consolidação do trabalho remoto ampliou a procura por cidades com boa infraestrutura, proximidade com a natureza e maior qualidade de vida fora dos grandes centros urbanos. Esse movimento coincidiu com o período de juros historicamente baixos no crédito imobiliário.
Balneário Camboriú também passou por forte crescimento populacional. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município registrou aumento de 29% no número de habitantes entre 2010 e 2022 — e exigiu investimentos contínuos em infraestrutura urbana.
Para Paula, a concentração de cidades catarinenses entre as mais caras do país é resultado de fatores estruturais como crescimento populacional, investimentos em infraestrutura, mudança no perfil dos imóveis — com avanço dos segmentos médio-alto padrão e de luxo —, além do amadurecimento do mercado imobiliário no pós-pandemia.
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Na avaliação do corretor especialista em imóveis de alto padrão Bruno Cassola, Santa Catarina reúne atributos que se repetem nas cidades líderes do ranking. “Esses municípios têm Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) elevado, o que reflete renda, longevidade e níveis de educação acima da média”, afirma.
De acordo com ele, fatores como segurança, organização urbana, logística e infraestrutura moderna influenciam diretamente a decisão de compra. “São cidades que oferecem estrutura completa, aliada à natureza — mar e Mata Atlântica —, o que se traduz em qualidade de vida e desejo de moradia”, diz.

Cassola também destaca o papel das incorporadoras e o fator escassez. “A beira-mar é limitada e não pode ser replicada. Quando essa escassez se combina com uma demanda forte, o mercado se torna altamente valorizado e atrativo para investidores e futuros moradores”.
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Padrão internacional deve puxar alta dos preços na cidade brasileira do metro quadrado mais caro
O diretor-executivo da Sort Investimentos — empresa especializada em investimentos imobiliários —, Renato Monteiro, acredita que Balneário Camboriú está deixando para trás a fase de valorização impulsionada principalmente pela escassez de terrenos e entrando em um ciclo mais sofisticado do mercado imobiliário. Segundo ele, o próximo salto de preços deve ser seletivo e concentrado em empreendimentos de padrão internacional.
A projeção é de que, até 2030, o metro quadrado possa dobrar de valor em regiões específicas da cidade, especialmente em projetos que combinem arquitetura assinada, grifes globais, certificações ambientais e conceitos voltados a bem-estar. Nesses casos, os preços podem alcançar R$ 40 mil por metro quadrado até o fim da década.
Monteiro afirma que a valorização passa a ser sustentada por fundamentos mais sólidos — como liquidez, perfil do investidor e qualidade técnica dos projetos — aproximando o mercado local do padrão de ativos globais. “Os empreendimentos que entregam diferenciais claros tendem a preservar valor mesmo em cenários macroeconômicos mais restritivos”, diz.
Ele cita como exemplo que, considerando uma valorização média anual de 16%, um aporte de R$ 5 milhões poderia superar R$ 13 milhões em cinco anos, desempenho que, segundo ele, coloca o imóvel premium da cidade na mesma arena de competição de fundos e outros investimentos internacionais.
Ritmo de alta diminui e mercado entra em fase de ajuste
Apesar da valorização expressiva, especialistas observam sinais de desaceleração. Segundo Paula Reis, o ritmo de alta dos imóveis verticais em cidades como Balneário Camboriú e Florianópolis vem perdendo força, o que pode indicar um ajuste natural do ciclo imobiliário.
“O crescimento na dinâmica imobiliária, com forte valorização dos apartamentos prontos, estimula o mercado primário, que aumenta o número de lançamentos. Em dado momento, a oferta passa a crescer mais rápido do que a demanda”, explica.
Segundo ela, esse descompasso é clássico na teoria do ciclo imobiliário. “Como os projetos levam anos entre concepção e entrega, o pico de obras e de lançamentos chega justamente quando a demanda começa a perder fôlego, seja por juros ainda elevados, seja por um comprador mais seletivo depois de anos de alta, associado a uma mudança no cenário econômico”.
Fonte: Gazeta do Povo



