PUBLICIDADE

O que aconteceu com os autores dos atos que ganharam destaque no 8/1 

Entre as mais de 1.400 pessoas detidas por participação nos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023, algumas ganharam destaque em razão dos atos que lhes foram atribuídos e das imagens registradas, que circularam pelo Brasil e pelo mundo.

Grupos de direita e de esquerda transformaram essas pessoas em personagens simbólicos do episódio que marcou a história recente do país — seja para defender o combate a investidas contra a democracia, seja para criticar supostos excessos do Judiciário no tratamento dado aos acusados de participar da invasão.

Três anos após o episódio, a CNN Brasil relembra o que aconteceu com a mulher que usou um batom para escrever “perdeu, mané” na estátua da Justiça; com o homem que quebrou o relógio de Dom João VI; com o manifestante que sentou e gravou um vídeo na cadeira do ministro do STF, Alexandre de Moraes; entre outros personagens que se tornaram símbolos dos ataques.

Confira:

Débora e o batom

Estátua da Justiça, em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), pichada. • Joedson Alves/Agencia Brasil

A cabelereira Débora Rodrigues dos Santos ficou conhecida nacionalmente após escrever, com um batom, a frase “perdeu, mané” na estátua da Justiça, em frente ao STF (Supremo Tribunal Federal), durante os atos antidemocráticos. 

Após os ataques, Débora foi condenada por Moraes a 14 anos de prisão, além do pagamento de multa estimada em cerca de R$ 50 mil e de uma indenização de R$ 30 milhões por danos morais coletivos, valor a ser dividido entre os condenados.

Em março de 2025, o caso voltou ao centro do debate público. Depois de dois anos presa, Débora passou a ser citada como um dos exemplos na campanha pela anistia aos envolvidos na tentativa de golpe. No dia 21 do mesmo mês, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, em publicação na rede social X, que a cabeleireira teria recebido uma “pena injusta e desproporcional”.

Ainda em março, foi divulgada uma carta em que ela pedia desculpas e afirmava arrependimento. 

Após a repercussão do caso e um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), Moraes concedeu a Débora o benefício da prisão domiciliar. Ela deixou o Centro de Ressocialização Feminino de Rio Claro (SP), onde estava detida, e passou a cumprir pena em regime domiciliar. 

O relógio de Dom João VI 

Homem que quebrou um relógio histórico no dia 8 de janeiro de 2023 • Reprodução
Homem que quebrou um relógio histórico no dia 8 de janeiro de 2023 • Reprodução

Antônio Cláudio Alves Ferreira ganhou destaque após ser identificado em imagens quebrando um relógio histórico de Dom João VI durante a invasão ao Palácio do Planalto.

O objeto, produzido no século 18 pelo relojoeiro francês Balthazar Martinot, integrava o acervo da Presidência da República e havia sido um presente da Corte Francesa ao então príncipe regente.

Ferreira foi preso pela Polícia Federal em 23 de janeiro de 2023 e condenado a 17 anos de prisão, além de multa. Em julho de 2025, o ministro Alexandre de Moraes autorizou o desconto de 66 dias da pena por trabalho e leitura na prisão e determinou o abatimento de dois anos e cinco meses de prisão preventiva. 

Apesar de uma decisão de primeira instância, Vara de Execuções Penais de Uberlândia (MG), que chegou a conceder progressão de regime, Moraes determinou o retorno de Ferreira à prisão, onde ele segue detido.

A cadeira de Moraes 

Fábio Alexandre de Oliveira ficou conhecido após divulgar um vídeo gravado dentro do STF, no qual aparece sentado na cadeira do ministro Alexandre de Moraes e profere ofensas durante os atos de 8 de janeiro. As imagens circularam nas redes sociais e passaram a integrar o conjunto de provas do processo.

A Primeira Turma do STF condenou Fábio Alexandre a 17 anos de prisão, além do pagamento de indenização de R$ 30 milhões por danos morais coletivos, valor a ser dividido com outros condenados.

O relator, ministro Alexandre de Moraes, afirmou que a conduta do réu foi engajada e voluntária, com adesão ao movimento antidemocrático. Houve divergência parcial quanto à dosimetria da pena por parte dos ministros Cristiano Zanin e Luiz Fux.

Fátima de Tubarão

Fátima de Tubarão • Reprodução/X
Fátima de Tubarão • Reprodução/X

Também na Corte, Maria de Fátima Mendonça Jacinto Souza, conhecida como “Fátima de Tubarão”, foi condenada após aparecer em um vídeo gravado durante a invasão ao STF, no qual afirma ter defecado no banheiro do Supremo e faz ameaças ao ministro Alexandre de Moraes. Aos 69 anos, ela é natural de Tubarão (SC) e morava em Penápolis (SP).

Fátima foi condenada pelo STF a 17 anos de prisão pelos crimes relacionados aos ataques de 8 de janeiro. Presa preventivamente desde 27 de janeiro de 2023, passou a cumprir a pena em regime fechado a partir de novembro de 2024.

Durante o processo, a defesa alegou que ela acreditava estar participando de uma manifestação pacífica.

Roubo da réplica da Constituição 

Réplica da Constituição Federal que foi levada durante atos criminosos e depois foi devolvida • Rosinei Coutinho/SCO/STF
Réplica da Constituição Federal que foi levada durante atos criminosos e depois foi devolvida • Rosinei Coutinho/SCO/STF

Marcelo Fernandes Lima foi condenado pelo STF após ser acusado de furtar uma réplica da Constituição Federal de 1988 durante a invasão ao prédio do STF, uma das áreas depredadas nos atos. O objeto estava exposto na entrada do plenário da Corte.

Considerado foragido, Marcelo foi preso pela Polícia Federal em março de 2025, em São Lourenço (MG), e posteriormente passou a cumprir pena. Ele foi condenado a 17 anos de prisão e ao pagamento, em conjunto com outros réus, de uma indenização de R$ 30 milhões por danos morais coletivos. 

A réplica da Constituição foi devolvida.

Toga roubada 

William da Silva Lima foi acusado de furtar uma toga de ministro do STF. O caso ainda não foi julgado, e não há condenação até o momento.

Ele chegou a ser preso preventivamente em 2023, mas cumpre liberdade provisória desde dezembro do mesmo ano, com medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. Atualmente, reside em Campinas (SP).

A bola autografada por Neymar

Bola assinada por Neymar foi devolvida após ser roubada nos ataques de 8 de janeiro de 2023 • 09/02/2023 - Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Bola assinada por Neymar foi devolvida após ser roubada nos ataques de 8 de janeiro de 2023 • 09/02/2023 – Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Nelson Ribeiro Fonseca Júnior, morador de Limeira (SP), foi condenado a 17 anos de prisão em julho de 2024 por furtar uma bola de futebol autografada por Neymar Jr., que fazia parte do acervo do museu da Câmara dos Deputados.

O processo já entrou em trânsito em julgado e cabe agora ao ministro Alexandre de Moraes definir o início do cumprimento definitivo da pena. Nelson chegou a ser preso preventivamente, mas está em prisão domiciliar desde abril de 2025.

Segundo os autos, em janeiro de 2023, o próprio réu procurou a Polícia Militar e admitiu ter se apropriado da bola durante os ataques. Ele afirmou ter encontrado o objeto no chão da Câmara dos Deputados e alegou que a teria retirado do local para “protegê-la” e devolvê-la posteriormente. A bola foi devolvida à Câmara em fevereiro de 2023.

Confira outras imagens que ficaram conhecidas após a tentativa de golpe:

Fonte: CNN BRASIL

Leia mais

PUBLICIDADE