quarta-feira, abril 1, 2026
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O fator Zema na equação eleitoral de Flávio Bolsonaro

Estado decisivo nas últimas eleições presidenciais, Minas Gerais passou a ser considerado como uma espécie de estado-pêndulo e deve ter uma influência decisória ainda maior na corrida pelo Palácio do Planalto neste ano. A pré-candidatura à Presidência do ex-governador Romeu Zema (Novo-MG) reforça o peso do segundo maior colégio eleitoral do país na balança política.

Apesar da pré-candidatura própria, Zema ainda é cotado para ocupar a vaga de vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ): ele detém alta aprovação popular à frente da gestão estadual, fator que pode ser convertido em votos, além do perfil técnico e do alinhamento do governador mineiro com o mercado financeiro e com o setor produtivo.

A aproximação entre Flávio e Zema ganhou força após o sucesso das alianças firmadas para os governos estaduais no Sul do país. O “laboratório PL-Novo” sacudiu as eleições em Santa Catarina e no Paraná, onde a união das duas siglas mais identificadas com o eleitor de direita acabou escanteando os partidos de centro.

No estado catarinense, o pré-candidato à reeleição, governador Jorginho Mello (PL-SC), lançou o ex-prefeito de Joinville Adriano Silva (Novo-SC) como vice e bancou a dupla do PL, Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro para a disputa ao Senado, rompendo localmente com MDB e União Progressista.  

Enquanto isso, no Paraná, a recusa de Ratinho Junior (PSD-PR) à possibilidade de ocupar o cargo de vice na chapa de Flávio levou o senador Sergio Moro para o PL (ele estava no União Brasil), com o apoio do Novo. A chapa ao governo estadual, que ainda tem a pré-candidatura ao Senado de Deltan Dallagnol (Novo-PR), influenciou na mudança dos cenários nacional e estadual para as eleições deste ano.

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Campanha de Zema aposta em perfil outsider para mantê-lo no páreo presidencial

Segundo apuração da Gazeta do Povo, a campanha de Zema analisa que o mineiro tem potencial de crescimento pelo anseio do eleitorado por um candidato antissistema e pela expectativa de mudanças radicais na política. Mesmo antes do lançamento da sua pré-candidatura, e já de olho nessa construção nacional, Zema era o governador presidenciável mais crítico à atuação de ministros e a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ele saiu em defesa da anistia de Jair Bolsonaro (PL) e dos condenados pelos atos cometidos em 8 de janeiro de 2023 em Brasília, reforçando o alinhamento político com o ex-presidente. Além disso, Zema tem um histórico de outsider.

O empresário mineiro deixou o setor privado para disputar a eleição de 2018, quando era um desconhecido no meio político e acabou sendo eleito governador de Minas pelo partido Novo. Quatro anos depois, ele foi reeleito ao cargo no primeiro turno.    

Na leitura de interlocutores do ex-governador de Minas, o cenário atual seria semelhante à eleição presidencial de 2018, quando Bolsonaro encarnou o movimento antipolítica e venceu o PT, o que abriria a possibilidade de ascensão de candidaturas alternativas neste ano.

Por isso, a estratégia é de manutenção da pré-campanha presidencial, evitando a antecipação das negociações e a pressão por parte dos concorrentes, situação que teria pesado na decisão do governador Ratinho Junior de abandonar a corrida eleitoral nacional, dizem análises da campanha do mineiro.  

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Com opções na mesa, PL mineiro prioriza palanque de Flávio e minimiza risco de ruptura com aliados

Em entrevista à Gazeta do Povo, o presidente mineiro do PL, deputado federal Domingos Sávio, disse que o partido irá buscar a melhor estratégia para a campanha de Flávio Bolsonaro no estado.

O presidenciável chegou a manifestar o desejo de ter Nikolas Ferreira (PL-MG) como candidato da sigla no estado-pêndulo, mas o jovem deputado não pretende deixar o Congresso e buscará a reeleição. Assim, o PL mineiro trabalha com três alternativas para formação de um palanque com força política no estado:

  • lançar uma candidatura própria;
  • apoiar o atual governador Mateus Simões (PSD-MG)
  • construir uma coligação com o pré-candidato e senador Cleitinho (Republicanos-MG).

“No momento, temos mais de uma boa opção. É fundamental tratar os aliados com respeito, preservar o palanque de Flávio Bolsonaro e construir uma composição ampla. Não queremos romper com ninguém que compartilhe o mesmo propósito: tirar Lula do poder”, afirma Sávio, que é pré-candidato ao Senado.

Para ele, o partido não deve se precipitar na formação da chapa, principalmente diante da indefinição da esquerda. Sem nomes de peso no PT mineiro, Lula articula com outras siglas a migração do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para assegurar o palanque do aliado no estado decisivo.  

Se a opção for a candidatura própria, os cotados são o ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe — que se filiou ao PL nesta quarta-feira (1º) como pré-candidato ao governo — ou o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli, que chegou ao partido nesta janela partidária.

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Zema deixa governo, mas mantém Simões na órbita do Novo

Sucessor de Zema, o governador Mateus Simões trocou o Novo pelo PSD no ano passado, mas irá caminhar com ele nas eleições de outubro. O apoio ao pré-candidato à Presidência faz parte do acordo firmado pelas siglas, que isolou Rodrigo Pacheco e forçará a saída do aliado de Lula, caso ele mantenha o plano de concorrer ao Palácio Tiradentes, sede do Executivo mineiro.

A aproximação de Simões do deputado federal Nikolas Ferreira evidencia o interesse do atual governador em contar com o PL. No entanto, a aliança PSD-Novo pode frear o interesse de Flávio Bolsonaro e levar o partido a lançar uma candidatura própria ou buscar um novo palanque em Minas.  

Nesta equação, surge o líder da última pesquisa de intenções de voto realizada pelo instituto Real Time Big Data, senador Cleitinho. Apesar da indefinição dele sobre a oficialização da pré-candidatura, o senador lidera o levantamento em quatro cenários estimulados de primeiro turno, com a preferência do eleitorado oscilando entre 34% e 40%.

No ano passado, Cleitinho era o principal nome apoiado pelo grupo político de Bolsonaro, mas perdeu força após desavenças com o ex-deputado federal e filho do ex-presidente Eduardo Bolsonaro (PL-SP). No início de 2026, Cleitinho declarou que iria adiar a decisão sobre o futuro eleitoral por causa do tratamento do irmão contra um câncer. Procurada pela Gazeta do Povo, a assessoria do pré-candidato respondeu que ele não vai se manifestar sobre os planos eleitorais no momento.

Recentemente, Simões questionou se Cleitinho teria perfil executivo para governar o estado e disse que a continuidade da atuação do senador no Congresso é importante para Minas Gerais. “Ele sabe do respeito que tenho pela história dele na política, e como político inteligente, sabe que filmar um buraco na estrada é mais fácil do que mobilizar a estrutura do governo para tapar esse mesmo buraco”, disse o governador, ao comentar o estilo de Cleitinho que se reflete nas redes sociais.

Na avaliação do PSD, o desafio de Simões é se tornar um nome conhecido à frente do governo mineiro para alavancar a pré-candidatura esdtadual. “Temos 100 dias de mandato com muitas entregas em Minas Gerais nas áreas de infraestrutura, saúde, educação e segurança pública. Isso é importante para que a confiança do eleitor, do cidadão, na gestão do Mateus Simões seja reconhecida durante o processo eleitoral”, avalia o presidente estadual da sigla, Cássio Soares (PSD-MG).  

  • Metodologia da pesquisa citada: A pesquisa ouviu 2.000 pessoas entre os dias 11 e 12 de março. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº MG-06562/2026. 

Fonte: Gazeta do Povo

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