terça-feira, fevereiro 24, 2026
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O declínio da leitura

O incentivo à leitura, em casa, com reforço do bom hábito nas escolas, exige atenção proporcional à escalada da preferência pelos conteúdos audiovisuais. A rápida alteração do paradigma, devido à Revolução Digital, pode afetar as bases das civilizações erguidas no registro textual estabelecendo o convívio.

O barro cozido, o papiro, o pergaminho, as peles de animais, até a invenção da imprensa e a publicação de livros em gráficas, representam esta metamorfose. Agora, é a vez dos livros eletrônicos, dispositivos nos quais se pode acessar o texto mediante sofisticados recursos, reduzindo o interesse pelo impresso.

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Embora se perca o poder do contato físico com o objeto dotado de aura diferencial, é possível entender a mudança geracional representada na internet. No entanto, mesmo quem aprecia kindles, sites, blogs e toda a parafernália gerada no Silício, está deixando de exercitar a inteligência e a concentração por meio do gosto pela leitura.

No mundo inteiro, o índice de leitores vem despencando, tendo como principal liderança do acelerado declínio a maior superpotência, os Estados Unidos. Lá, abandonaram a prática virtuosa quatro de cada grupo de dez leitores, nas últimas duas décadas, calculando-se queda anual de 3%, com expectativa de rejeição contínua.

No Brasil, a mesma estatística recente registra a fúnebre ultrapassagem do número de pessoas em abstinência de livros considerando os últimos três meses. A oportunidade de virar este placar está nas crianças de 11 a 13 anos, mantendo-se estável este grupo de leitores, junto aos idosos acima de 70 anos.

Estudiosos de sociedade e tecnologia admitem como mais forte hipótese a redução do tempo médio de atenção das pessoas nas atividades de rotina. De fato, não há como manter o foco e mobilizar afetos relacionados a um texto, se a luminescência e sinais sonoros do celular tomam perfil de onipresença. Diante de tal contexto, é um erro julgar como normal a obsolescência do livro, pois a escolha por animadas mensagens de 20 segundos pode definhar a capacidade de interpretar e pensar.



Fonte: A Tarde

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