O Campeonato Baiano de Futebol 2026, que tem início no próximo sábado (10), vai além das quatro linhas e assume um papel social de grande relevância ao incorporar, de forma inédita, a campanha Feminicídio Zero. A iniciativa nasce de um pacto coletivo firmado pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), em parceria com os dez clubes participantes do Baianão, a Federação Bahiana de Futebol (FBF), a Defensoria Pública-Geral do Estado e o Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb), responsável pela transmissão das partidas.
A proposta é utilizar a visibilidade e o alcance popular do futebol uma das maiores paixões nacionais como instrumento de conscientização, prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres. Ao levar a campanha para dentro e fora dos estádios, o campeonato se transforma em uma poderosa plataforma de diálogo com torcedores, atletas, dirigentes e toda a sociedade.
A secretária das Mulheres do Estado, Neusa Cadore, destacou a importância simbólica e prática da ação. Segundo ela, o combate à violência de gênero precisa ser permanente e ocupar todos os espaços. “A todo momento e em todos os lugares precisamos unir forças pelo fim da violência contra as mulheres. Os estádios de futebol são ambientes estratégicos para essa sensibilização. É fundamental enfrentar a naturalização da violência e fortalecer esse grande pacto coletivo contra o feminicídio”, afirmou.
Entre as iniciativas previstas, está a presença da Unidade Móvel da Secretaria de Políticas para as Mulheres, que oferecerá atendimento multidisciplinar às mulheres, com orientação jurídica, psicológica e social, além de informações sobre a rede de proteção. A unidade será instalada em frente a alguns estádios nos dias de jogos, ampliando o acesso aos serviços e reforçando a mensagem de acolhimento e cuidado. Na rodada de abertura, neste sábado (10), a Unidade Móvel estará em frente ao Estádio Barradão, antes do confronto entre Vitória e Atlético, marcado para às 16h.
Os jogadores e comissões técnicas também terão papel ativo na mobilização. Os clubes irão promover ações educativas, campanhas visuais, mensagens de conscientização e iniciativas institucionais que reforcem o compromisso com o enfrentamento à violência baseada em gênero. A ideia é que atletas, ídolos e referências do esporte se tornem aliados na disseminação de uma cultura de respeito, igualdade e não violência.
A campanha ganha ainda mais relevância diante de dados recentes e preocupantes. Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública analisou a relação entre dias de jogos do Campeonato Brasileiro e o aumento dos índices de violência doméstica. Os resultados são alarmantes: as ameaças contra mulheres crescem, em média, 23,7%, e os casos de lesão corporal dolosa no contexto da violência doméstica aumentam 20,8% em comparação aos dias sem partidas.
Os números nacionais reforçam a urgência do debate. No Brasil, uma mulher é vítima de feminicídio a cada seis horas; uma mulher ou menina sofre violência sexual a cada seis minutos; e três em cada dez brasileiras já vivenciaram algum tipo de violência doméstica ao longo da vida. Diante desse cenário, a união entre esporte, poder público e sociedade civil surge como uma resposta necessária e estratégica.
Ao adotar a campanha Feminicídio Zero, o Campeonato Baiano 2026 reafirma o papel social do futebol como agente de transformação, mostrando que o esporte também pode e deve contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, segura e igualitária para todas as mulheres.
Fonte: Portal Notícias Bahia