sexta-feira, fevereiro 27, 2026
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O Brasil em terapia

Mulher; preta; pobre; lésbica; vereadora; ativista. Tudo isso e mais a coragem de enfrentar uma máfia de milicianos decretou a morte de Marielle Franco. O resultado do julgamento dos acusados pelo seu assassinato e o do motorista Anderson Gomes demonstra a resiliência de um país fazendo terapia.

Seja pelo desfecho de uma pena de 76 anos de prisão ou pelo viés do cuidado com os trâmites exigidos por lei, a sensação é de justiça feita no escabroso caso. O Supremo Tribunal Federal exibiu, mais uma vez, toda a categoria dos magistrados. Alexandre de Moraes definiu com precisão: não eram os irmãos Brazão associados à milícia; eles eram a própria milícia infiltrada na República.

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Neste viés, aparteou com similar lucidez a ministra Cármen Lúcia, ao ligar a sirene em relação ao risco desta infame estratégia. Um dos Brazão era conselheiro do Tribunal de Contas; um outro condenado, delegado da Polícia Civil; e ainda mais um bandido, major da Polícia Militar. Tal Scratch maligno é revelador do diagnóstico proposto pela magistrada: as instituições brasileiras estão ameaçadas por agentes de bandos criminosos.

Muito representativo, aplicado o método de indução, o fato de dois altos escalões das forças de segurança serem condenados pelo duplo assassinato. Se um major e um delegado habitavam a lama, e ainda outros milicianos chegaram a receber comendas do clã Bolsonaro, o que esperar das tropas?

Por outro lado, como tudo referente à dimensão sublunar, dominada pelos pecados humanos, há quem ainda aguarde algum desdobramento futuro. Para estes céticos, paira o enigma do precipitado assassinato de um suspeito cercado por policiais, no município baiano de Esplanada.

No entanto, por ora, é preciso contentar-se com o excelente trabalho – mais um – desenvolvido pelo novo Judiciário, reerguido na redemocratização de 1988. Exceto se outros acumpliciados urdiram um jeito de desenrolarem-se do novelo, não resta um fio sequer a tecer novo mistério.



Fonte: A Tarde

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