Em 2026, Salvador celebra 477 anos de existência, neste domingo, 29. Além de ter sido a primeira capital do Brasil, a cidade revela, ao longo de sua formação, uma curiosa repetição: o número 7 aparece bastante na geografia, na proteção militar e na religiosidade.
As 7 ‘coincidências’ de Salvador
- A Roma Negra e as 7 colinas
Santo Antônio Além do Carmo
Assim como Roma e Lisboa, Salvador também é associada a colinas geográficas. A cidade foi construída em uma topografia acidentada, com a Cidade Alta situada sobre uma formação elevada.
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Entre as sete colinas historicamente conhecidas estão: Santo Antônio Além do Carmo, Sé, São Bento, Piedade, Nazaré, Garcia e Federação.

Dique do Tororó
A mística do Mercado das Sete Portas é um importante símbolo espiritual para a cidade. O local possui a ideia de “encruzilhada” que remete ao cruzamento de caminhos e energias, associado à presença de Exu.
Já no Dique do Tororó, as icônicas esculturas de orixás chegam a cerca de sete metros de altura, quando implantadas na água, e reforçam essa dimensão simbólica, representando forças de proteção espiritual da cidade. Em entrevista ao portal A TARDE, a guardiã da escola de magia do bairro de Pernambués, Fe Medeiros, conhecida como Fe Bruxa, afirma que essa coincidência material se concretiza na prática em Salvador.
“Se conecta com essa força e aplica na matéria, o sete faz essa relação do que é matéria e do que é divino, quando se aplica isso na prática ele vem para essas representações”, explicou.

Forte de Monte Serrat
Salvador possui um amplo sistema de fortificações coloniais. Embora ultrapasse o número sete, ao portal A TARDE, o historiador Rafael Dantas salientou que são sete os principais presentes na Baía de Todos-os-Santos, localizados na capital baiana:
- Forte de Santo Antônio da Barra
- Forte de São Marcelo
- Forte de Monte Serrat
- Forte de Santa Maria
- Forte de São Diogo
- Forte de São Pedro
- Forte do Barbalho
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Banhos de folhas e pipoca
O banho de sete ervas é um ritual tradicional de limpeza espiritual na cultura baiana. Ele é utilizado para afastar energias negativas e renovar o corpo espiritual.
A mistura geralmente inclui arruda, alecrim, guiné, comigo-ninguém-pode, espada de São Jorge, manjericão e erva-pimenta.
Para Medeiros, a ação gera força pela essência das ervas e traz proteção do baiano. “A potência das sete ervas, ela tem ali a sua completude e realiza um trabalho de uma forma mais completa”, explicou.

Igreja do Senhor do Bonfim
Na Igreja do Senhor do Bonfim, é comum a tradição de dar sete voltas como forma de manifestação de fé.
O ritual se conecta à Lavagem do Bonfim, uma das celebrações mais importantes da cidade, marcada pelo sincretismo religioso entre o catolicismo e o candomblé.

Avenida Sete
O número também aparece na toponímia da cidade, como em bairros como a Avenida Sete, Sete Portas e Sete de Abril. Mas qual a origem por trás desses nomes?
- Avenida Sete de Setembro: inaugurada em 7 de setembro de 1915, em referência à Independência do Brasil.
- Sete Portas: nome tem origem de um antigo armazém de mercadorias construído no século XIX, que possuía exatamente sete portas de ferro de entrada e saída.
- Sete de Abril: bairro herdou seu nome da propriedade rural que deu origem à sua urbanização no “Miolo” de Salvador, a fazenda Sete de Abril.

Festa do Senhor do Bonfim
Salvador é a cidade que está sempre em festa, mas diante de um calendário tão rico, sete festas de largo costumam deixar os soteropolitanos ansiosos para o carnaval. São elas:
- Festa de Santa Bárbara (4 de dezembro)
- Festa de Conceição da Praia (8 de dezembro – feriado municipal)
- Festa de Bom Jesus dos Navegantes (31/12 e 01/01)
- Lavagem do Bonfim (segunda quinzena de janeiro – data móvel)
- Festa para São Lázaro (data móvel – último domingo de janeiro)
- Festa de Iemanjá (1/02 no Dique do Tororó, 2/02 no Rio Vermelho)
- Lavagem de Itapuã (entre Iemanjá e carnaval – data móvel)
Mas será que isso é apenas coincidência ou a história pode explicar?
Fe Bruxa e Rafael Dantas explicam como essa “coincidência” numérica se reflete nos caminhos da capital baiana.
De acordo com Fe Bruxa, a simbologia do número 7 representa a ligação entre a matéria e o divino, o sagrado.
“São sete os dias da criação, sete os planos espirituais, sete as notas musicais e sete as cores principais do arco-íris. Trago essas analogias para compreender o quanto o número sete é significativo e sagrado”, explicou.
O número 7 simboliza perfeição, completude, espiritualidade e harmonia em diversas culturas e religiões. Para Fe Bruxa, a presença desse número em Salvador representa um inconsciente coletivo ligado à espiritualidade.
“A maioria das pessoas que vêm de fora chegam aqui com sede de conhecer esse lado sagrado”, afirmou.
O enigma do mito
Para o historiador Rafael Dantas, no entanto, essas relações com o número 7 não passam de construções simbólicas da sociedade.
Segundo ele, do ponto de vista histórico, ele esclarece que Salvador, fundada no século XVI como cidade fortificada, não foi planejada em torno do número 7.
“Eu acredito que seja um grande mito essa questão do número sete na cidade. Talvez tenha surgido a partir das chamadas sete portas, mas não há comprovação histórica ou documental que sustente isso”, pontuou.
Fonte: A Tarde



