sábado, março 21, 2026
spot_img
HomeDestaquesmultidão, protesto e cortejo marcam sepultamento em Salvador

multidão, protesto e cortejo marcam sepultamento em Salvador

Sob forte emoção, aplausos e cânticos religiosos, cerca de 400 pessoas se reuniram na tarde deste sábado, 21, para dar o último adeus à adolescente Thamiris dos Santos Pereira, de 14 anos, assassinada em Salvador nesta semana.

O sepultamento ocorreu no Cemitério Bosque da Paz, na Estrada Velha, em Salvador, e foi marcado por manifestações de dor, indignação e pedidos de justiça. Amigos, familiares, vizinhos e até desconhecidos se uniram em uma despedida que ultrapassou os laços pessoais. O Portal A TARDE acompanhou de perto o momento de homenagens à jovem.

Tudo sobre Polícia em primeira mão!

Multidão presta homenagem

Seis ônibus foram mobilizados para transportar parte do público até o cemitério, enquanto um grupo de motociclistas saiu em cortejo do bairro Jardim das Margaridas, onde a garota morava, em uma homenagem que também se transformou em ato de protesto.

Entre as autoridades presentes, esteve o deputado federal Sargento Isidório, que prestou solidariedade à família e destacou a importância do apoio coletivo em momentos de dor.

“Todos nós sabemos como é esse sofrimento, um dia eu também tive apoio da sociedade toda, quando meu filho, o pastor Isidório Filho, teve o acidente. Eu recebi esse mesmo apoio”, lembrou o parlamentar.

“Então, nós da Fundação Doutor Jesus somos um trabalho de humanização. Então, a gente tem que estar onde estão as pessoas nas horas mais difíceis”, completou ele.

Dona Ana precisou ser amparada | Foto: Andrêzza Moura/ A TARDE

Durante a cerimônia, o silêncio era frequentemente interrompido por orações, louvores evangélicos e aplausos – uma tentativa coletiva de transformar a dor em homenagem. Em meio à multidão, muitas pessoas passaram mal e precisaram de atendimento, reflexo do impacto emocional causado pela tragédia.

Momento de oração

Momento de oração | Foto: Andrêzza Moura/ A TARDE

Dona Ana, mãe de Thamiris, visivelmente abalada, permaneceu o tempo todo amparada por familiares, amigos e até mesmo do deputado Sargento Isidório.

“A gente percebe que Thamiris era muito amada. Era uma menina estudiosa, de casa, da igreja. Não era de festa, não se misturava. Só fazia as coisas certas”, relatou, emocionado, o motoboy Josimar Santos de Oliveira, primo da adolescente.

Josimar participou do cortejo de motociclistas que saiu da casa da jovem até o cemitério. “Veio gente de todo lugar, até quem não conhecia. Isso mostra o quanto ela tocou as pessoas”, afirma ele.

Mobilização chama atenção

A mobilização chamou atenção pela dimensão. Pessoas de localidades como Pojuca, Arembepe, Jauá e Camaçari – cidades da Região Metropolitana de Salvador (RMS) – também estiveram presentes.

Para muitos, a presença era uma forma de solidariedade e também de protesto contra a violência.

Uma mãe de aluna da mesma escola de Thamiris, que preferiu não se identificar, destacou o sentimento coletivo de insegurança. “A escola inteira está consternada. A gente espera justiça, no rigor da lei. Esses casos de feminicídio estão demais. Falta mais segurança, mais políticas públicas”, expressou ela.

A filha dela, uma menina de 12 anos, que insistiu em comparecer à cerimônia de despedida, também falou sobre a dor e a revolta de perder uma colega. “Eu fiquei muito triste. Ela não merecia isso, ninguém merece”, disse a garota, enquanto segurava um cartaz em que pedia justiça por Thamiris.

Imagem ilustrativa da imagem Justiça por Thamiris: multidão, protesto e cortejo marcam sepultamento em Salvador

| Foto: Andrêzza Moura/ A TARDE

Mesmo quem não conhecia Thamiris pessoalmente foi impactado. A diarista Ana Paula Lima de Jesus contou que acompanhou o caso pelas redes sociais. “Desde o desaparecimento, não consegui mais dormir. Quem é mãe sente essa dor lá no fundo”, disse.

Já o entregador Wilson Jesus Reis destacou a empatia: “É só se colocar no lugar dessa mãe para entender o tamanho dessa dor”.

Wilson não conhecia Thamiris, mas foi prestar homenagem

Wilson não conhecia Thamiris, mas foi prestar homenagem | Foto: Andrêzza Moura/ A TARDE

Protestos seguem

Após o sepultamento, o grupo de motociclistas voltou a sair em protesto, percorrendo a Avenida Paralela em direção ao Jardim das Margaridas e provocando congestionamento em um trecho da via. O ato reforçou o pedido por respostas e justiça.

Solidariedade

Até a próxima segunda-feira, motoboys estarão arrecadando alimentos e materiais de limpeza para doação à família de Thamiris, no Largo do Caranguejo, final de linha das kombis e em frente à base militar. Informações podem ser obtidas pelo telefone (71) 99100-8356 com Victor dos Santos.

Victor e um grupo de motoboys estão dando apoio à família de Thamiris desde o início

Victor e um grupo de motoboys estão dando apoio à família de Thamiris desde o início | Foto: Andrêzza Moura/ A TARDE

O caso

Thamiris dos Santos Pereira desapareceu no dia 12 de março, após retornar da escola no bairro da Itinga, em Lauro de Freitas (RMS). Uma semana depois, o corpo foi encontrado na região de Fazenda Cassange, em Salvador.

A adolescente estava nua, com o uniforme escolar dentro de um saco ao lado do corpo. Objetos pessoais e duas facas também foram encontrados próximos.

O caso segue sob investigação e mobiliza a comunidade, que segue cobrando respostas. Entre lágrimas, cartazes e orações, a despedida de Thamiris se transformou em um grito coletivo: por justiça, por segurança e para que outras vidas não sejam interrompidas de forma tão brutal.

Rodrigo Faria Sena dos Santos, de 37 anos, foi preso no mesmo dia em que o corpo da adolescente foi encontrado.

Já o outro suspeito, apontado como mandante do crime, é Davi de Jesus Ferreira, de 32 anos, que havia sido preso em flagrante no dia 20 de fevereiro, por violência doméstica.

Leia Também:



Fonte: A Tarde

- Advertisment -spot_img

Mais lidos