Maior festa de rua do mundo, o Carnaval do Brasil, por luto e tristeza, ocorreu duas vezes em 1912. A primeira, no calendário normal, em fevereiro, aconteceu sem a animação costumeira. O motivo foi a morte de José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco.
Para além do título de barão, José Maria foi professor, advogado, historiador e geógrafo. Sua atuação de maior destaque, no entanto, veio no campo da diplomacia, área da qual se tornou o nome de maior relevância da história do país.
Tudo sobre Política em primeira mão!
Primeiros anos e título de Barão
Nascido em 20 de abril de 1845, na cidade do Rio de Janeiro, José Maria foi ‘deputado geral’ entre 1869 e 1875, pelo estado do Mato Grosso. No ano seguinte, assumiu o cargo de cônsul geral do Brasil em Liverpool, permanecendo até 1893. Em 1888, pouco antes da Proclamação da República, ele recebeu o título de Barão do Rio Branco, mantido com o fim do império.
Leia Também:
Em 1901, nomeado pelo então presidente Campos Sales, José Maria assumiu o posto de embaixador do Brasil na Alemanha, ficando até o final de 1902. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como ministro das Relações Exteriores, onde permaneceu por dez anos, marcando a história da diplomacia do Brasil.
José Maria ficou no cargo durante os mandatos presidenciais de Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca.
Passagem como ministro e tratados históricos
No início da sua passagem como ministro, em 1903, o Barão do Rio Branco resolveu uma dos grandes problemas diplomáticos do país no começo do século XX: a posse do território do Acre.
Até então, o Acre pertencia a Bolívia, embora fosse ocupado por brasileiros. Para resolver o impasse, o Barão do Rio Branco assinou o Tratado de Petrópolis, que envolveu a compra do território por 2 milhões de libras esterlinas.
Nos anos seguintes, o Barão do Rio Branco também estabeleceu novos acordos importantes para a diplomacia brasileira, como os tratados com o Equador, com a Colômbia, com o Peru e o Uruguai.
Indicação ao Nobel da Paz
A atuação diplomática rendeu ao Barão a indicação ao Nobel da Paz, no ano de 1911. Na ocasião, o brasileiro perdeu a premiação para Tobias Asser e Alfred Fried.
Morte muda rumos do Carnaval
A trajetória do Barão do Rio Branco teve fim no 10 de fevereiro de 1912, ao 66 anos. A morte do ministro, decorrente de uma insuficiência renal, causou forte comoção nacional, a ponto de mudar os rumos do Carnaval do ano.
O barão levou uma multidão de pessoas para o Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, onde foi velado. Com pompas de chefe de Estado, o corpo do ministro seguiu em cortejo rumo ao Cemitério do Caju.
Carnaval em luto
A morte do Barão do Rio Branco paralisou o Carnaval de 1912, a ponto da festa acabar sendo realizada por duas vezes no mesmo ano. A primeira dela, uma semana depois da sua partida, como previa o calendário.
Mesmo com o luto, os foliões foram às ruas dias depois da morte do ministro, tido como herói nacional, e festejaram, ainda sob tristeza, a folia momesca.
Leia Também:
Já os clubes que realizavam os tradicionais bailes de Carnaval, todos marcados para o período, adiaram suas festas para o período da Páscoa, configurando a segunda comemoração do ano.
Homenagens
O Barão do Rio Branco se tornou patrono da diplomacia brasileira, em 1945, e passou a dar nome ao instituto que forma a carreira de diplomatas para o exterior.
O título do barão também deu nome a Rio Branco, capital do Acre, que virou estado em 1962, durante o governo João Goulart. Ele também tem um monumento erguido em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul.
Fonte: A Tarde



