Scott Adams, o criador da popular tirinha em quadrinhos “Dilbert”, morreu, segundo anúncio publicado em suas redes sociais. Adams havia revelado em maio que foi diagnosticado com uma forma agressiva de câncer de próstata.
“Dilbert”, uma crônica sobre as indignidades do trabalho em escritório nos Estados Unidos, foi uma das tirinhas mais populares do país, desde seu sucesso estrondoso nos anos 1990 até fevereiro de 2023, quando Adams fez comentários racistas contra americanos negros, chamando-os de “grupo de ódio” e sugerindo que pessoas brancas deveriam “se manter longe deles”, em resposta a uma pesquisa questionável sobre se “era OK ser branco”.
Centenas de jornais deixaram de publicar “Dilbert” em questão de dias, e a tirinha logo foi descontinuada por sua distribuidora.
Adams começou a autopublicar a tirinha, uma “versão mais picante” chamada “Dilbert Reborn”, em seu site mediante assinatura. Ele parou de desenhar “Dilbert” em novembro de 2025 devido a cãibras e paralisia parcial nas mãos, embora tenha continuado a escrever as tirinhas.
Shelly Miles, ex-esposa de Adams, anunciou sua morte durante o episódio desta terça-feira (13) do programa “Coffee with Scott Adams”, que ele apresentava diariamente até sua morte, lendo um comunicado escrito pelo próprio Adams.
“Tive uma vida incrível”, escreveu o quadrinista no comunicado, redigido no dia de Ano Novo. “Dei tudo de mim. Se você obteve algum benefício do meu trabalho, peço que retribua da melhor forma possível. Esse é o legado que quero deixar. Sejam úteis e, por favor, saibam que amei todos vocês até o fim.”
Relembre a carreira de Scott Adams
Adams, natural de Nova York, trabalhou como caixa de banco de 1979 a 1986, o mesmo ano em que se formou com um MBA pela Universidade da Califórnia, em Berkeley. (Ele chegou a ser rendido duas vezes à mão armada enquanto trabalhava como caixa, escreveu no retrospecto de 20 anos “Dilbert 2.0”.) Ele lançou “Dilbert” em 1989, quando trabalhava como engenheiro na companhia telefônica Pacific Bell, cujo ambiente estéril e funcionários excêntricos inspiraram a tira.
“Sobre o futuro de ‘Dilbert’, pode-se dizer que o grupo do qual eu fazia parte era um ambiente riquíssimo em alvos”, disse ele à EE Times, publicação da indústria eletrônica, em 2005.
“Dilbert” só se tornou um sucesso alguns anos após sua estreia, quando Adams passou a ambientar a maioria das tiras no local de trabalho de seu protagonista, um funcionário de escritório de óculos. “Não era exatamente o que eu queria fazer, mas funcionou”, disse ele à Associated Press ao vencer o prêmio Reuben, da National Cartoonists Society, de melhor tira de quadrinhos de 1997.
Ele atribuiu o sucesso da tira à “neutralidade” de Dilbert — à ausência de olhos visíveis, por exemplo, mas também à falta de detalhes específicos sobre seu local ou função na empresa.
“As pessoas não têm motivo para achar que não é exatamente como a experiência delas”, disse Adams à EE Times. “Por exemplo, tanto engenheiros quanto programadores estão convencidos de que Dilbert é um deles.”
Fonte: CNN BRASIL



