terça-feira, fevereiro 3, 2026
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moradores de Itacimirim denunciam ‘falsas barracas’

Imagine morar em um lugar paradisíaco, cercado por mar e natureza, mas ir dormir todos os dias com medo. Medo da violência, das ameaças, da presença constante do tráfico, medo até de registrar o que acontece ao redor. Para piorar a situação, precisar conviver, ainda, com o receio de se contaminar com lixos acumulados onde não existe atuação da Vigilância Sanitária municipal.

O cenário parece até uma invenção, mas existe e é a realidade vivida hoje por moradores de Itacimirim, no Litoral Norte da Bahia, que denunciam o avanço do crime organizado, a ocupação irregular da faixa de areia e o abandono do poder público.

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Segundo relatos de integrantes da Associação de Moradores de Itacimirim (AMI), as praias estão cercadas de barracas instaladas de forma ilegal e estariam “sendo usadas como fachada para o tráfico de drogas”. A situação, de acordo com os moradores, se agravou a partir de 2024 e vem transformando áreas antes frequentadas por famílias em pontos dominados por facções criminosas.

“Essas barracas não são apenas comércio irregular. Elas funcionam como pontos de venda de droga. Hoje a gente convive com homem armado na praia”, relata um morador, que pediu para não ser identificado por medo de represálias.

Barracas como ‘disfarce’ para o crime

De acordo com os moradores, as barracas fixas — proibidas pela legislação municipal e federal — funcionam como disfarce:

“A droga chega por meio de mototáxis, vinda de comunidades próximas, e são distribuída a partir dessas estruturas para ambulantes que circulam pela praia”, conta.

Além da venda de entorpecentes, há denúncias de:

  • comércio irregular de bebidas alcoólicas;
  • festas na faixa de areia;
  • ausência total de fiscalização da Vigilância Sanitária.

“Eles fingem que vendem bebida, mas são biqueiras. A praia virou ponto fixo do tráfico”

Morador, que prefere não ser identificado

Sensação de impunidade

Em dezembro de 2025, uma ação policial resultou na prisão de três pessoas na praia de Itacimirim. Um dos detidos possuía três mandados de prisão em aberto e estava foragido da Justiça. Ele é apontado como suspeito de envolvimento em diversos crimes graves, incluindo sequestros ocorridos em Barra de Pojuca e Itacimirim.

Entre os casos investigados, está o sequestro de um cidadão argentino, registrado no dia 17 de janeiro de 2025. Conforme as investigações, a vítima teria sido torturada e obrigada a transferir cerca de R$ 100 mil aos criminosos.

| Foto: Reprodução / Rede sociais

Ainda assim, todos foram soltos poucos dias depois. Para os moradores, a falta de continuidade nas ações gera a sensação de impunidade.

“A polícia vai, faz o trabalho dela, mas a Justiça não consegue segurar. Isso dá a certeza de que nada vai acontecer”, diz.

Ameaças, medo e insegurança

O clima de tensão é constante. Moradores relatam ameaças diretas e afirmam que até empresas de segurança privada contratadas pelas associações passaram a ser coagidas.

“Um segurança foi ameaçado de morte apenas por tirar fotos. Hoje, até quem deveria proteger está com medo”, relata. Segundo a associação, esse cenário afasta famílias, compromete o turismo e muda completamente a dinâmica da região.

Imagm registrada por um morador

Imagm registrada por um morador | Foto: Arquivo pessoal

Crime ambiental e sujeira

Além da violência, os moradores denunciam crimes ambientais. As barracas ocupam áreas de restinga, consideradas de proteção permanente, e deixam lixo espalhado pela praia.

Isopores, restos de alimentos e resíduos são encontrados em áreas de vegetação nativa. Não há controle da Vigilância Sanitária, mesmo com manipulação de alimentos em plena faixa de areia.

“Não é só desordem urbana. É crime ambiental. É invasão de área federal”, afirma o morador.

Falta de fiscalização e ação coordenada

De acordo com os relatos, a fiscalização da prefeitura ocorre de forma esporádica. Após notificações e desmontagens, as barracas voltam a ser montadas pouco tempo depois, muitas vezes maiores do que antes. “Sem policiamento permanente, é como enxugar gelo”.

Os moradores defendem uma ação conjunta entre Prefeitura, Polícia Militar, Governo do Estado, Governo Federal, Ministério Público e órgãos ambientais, já que a área é de marinha, sob responsabilidade da Secretaria do Patrimônio da União (SPU).

Denúncias já foram encaminhadas ao Ministério Público. Em uma ação anterior, após recomendação do órgão, as barracas chegaram a ser retiradas, mas retornaram por falta de manutenção das medidas. “A gente só quer voltar a viver em paz e usar a praia sem medo”.

Posicionamento

O Portal A TARDE entrou em contato com a Prefeitura de Camaçari, Polícia Militar e Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP), mas, até a publicação desta matéria, nenhum dos órgãos respondeu.



Fonte: A Tarde

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