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Monotrilho prometido para a Copa começa testes após 12 anos

Após mais de uma década de atrasos, a linha 17-ouro do Metrô de São Paulo, projetada como monotrilho para ligar a zona sul da capital ao Aeroporto de Congonhas, entrou em fase de testes e passou a ser apresentada pela gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) como um símbolo de retomada de obras paralisadas. A expectativa oficial é que o primeiro trecho seja entregue em março, com operação ainda parcial.

O ramal ligará a estação Morumbi, da linha 9-esmeralda, ao aeroporto, atendendo um dos principais polos de circulação da cidade. Originalmente, a linha 17 previa 18 estações e um traçado que alcançaria áreas densamente povoadas, como Paraisópolis. O que será entregue, porém, corresponde apenas a um trecho intermediário do projeto.

Com oito estações em funcionamento, a linha começará a operar 12 anos depois do prazo inicial, previsto para a Copa do Mundo de 2014. A operação inicial deve ocorrer com circulação restrita de trens, por algumas horas do dia, modelo adotado em outras linhas do sistema metroviário paulistano.

A previsão é que o funcionamento comercial em horário estendido tenha início no segundo semestre, após meses de testes para identificação de falhas técnicas e ajustes operacionais.

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Trecho inicial terá demanda menor que outras linhas

A expectativa de demanda para o trecho Morumbi–Congonhas gira em torno de 100 mil passageiros por dia, segundo estimativas mais recentes, número inferior ao projetado em fases anteriores do empreendimento e abaixo do volume transportado por outras linhas do metrô da capital.

Estudos de demanda são refeitos a cada fase de implantação, considerando o perfil dos usuários, a integração com outras linhas e a função específica do trecho. Nesse caso, entram no cálculo moradores da região, trabalhadores e passageiros com destino ao aeroporto.

A tarifa será a mesma do restante da rede metroviária, atualmente em R$ 5,40, com integração ao sistema. Mesmo com capacidade reduzida neste primeiro momento, o governo estadual afirma que a ativação do trecho é essencial para viabilizar as próximas expansões.

O entendimento da gestão é de que a linha só se tornará plenamente eficiente quando estiver completamente integrada às demais, especialmente às linhas 1-azul e 4-amarela.

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Governo promete expansão até Paraisópolis e Jabaquara

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirma que a entrega do primeiro trecho não representa o abandono do projeto original. Segundo ele, a estratégia adotada foi concluir a ligação entre Congonhas e a região de Pinheiros antes de avançar para novas frentes de obra.

De acordo com o governador de São Paulo, a ampliação da linha 17 até Paraisópolis e sua conexão com a linha 1-azul, na região do Jabaquara, continuam nos planos da gestão estadual. A extensão até a estação São Paulo–Morumbi, na Avenida Jorge João Saad, também faz parte do traçado previsto.

“Quanto mais interligado o metrô for, mais eficiente ele é”, afirmou Tarcísio ao jornal O Globo, ao defender a decisão de colocar em operação o trecho central da linha antes de executar as demais etapas. “Colocando essa etapa para funcionar, vamos pensar imediatamente já na segunda e na terceira etapa. Eu quero fazer a linha 17 chegar a Paraisópolis, e vamos fazê-la chegar a Jabaquara, na linha 1”, prometeu Tarcísio.

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Monotrilho usa tecnologia chinesa e operação automatizada

A linha 17-ouro será o segundo monotrilho em operação na capital paulista, seguindo o modelo utilizado na linha 15-prata, que liga Vila Prudente ao Jardim Colonial. O sistema utiliza trens com rodas de borracha, tecnologia diferente do metrô convencional.

Os trens foram fabricados na China pela empresa BYD e contam com sistemas de energia elétrica e pneus-guia, projetados para permitir operação totalmente automatizada, sem condutor. Inicialmente, no entanto, haverá operador a bordo, como medida de segurança e adaptação dos usuários.

Ao todo, a frota prevista é de 14 trens. Dez já chegaram ao Brasil e passaram por testes técnicos, enquanto os demais aguardam liberação na alfândega. O modelo automatizado é apresentado pelo governo como mais eficiente e moderno, mas também é alvo de críticas, sobretudo diante do histórico de atrasos que marcou a implantação da linha.

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Obra era esperada para a Copa e virou símbolo de atraso

A linha 17-ouro começou a ser construída em 2011, com previsão de entrega para a Copa do Mundo de futebol 2014. Desde então, o projeto acumulou rescisões contratuais, paralisações e revisões de escopo que transformaram o monotrilho em um dos maiores símbolos de atraso em obras públicas de São Paulo.

Ao longo dos anos, ao menos três contratos foram cancelados por descumprimento de cronogramas. Em 2019, o consórcio responsável pela via e pelos sistemas paralisou completamente as atividades, levando a mais uma rescisão.

Em 2023, já na gestão Tarcísio de Freitas, o governo estadual retomou a obra com um novo contrato, no valor de R$ 847 milhões, corrigido pela inflação para os valores da época. O consórcio anterior foi multado em R$ 118 milhões.

“O início dos testes representa a superação de muitos obstáculos”, afimou à Gazeta do Povo Sergio Avelleda, coordenador do Núcleo Mobilidade Urbana do Insper Cidades. Ex-presidente do Metrô SP e da CPTM, Avelleda estava à frente do Metrô quando o contrato original da obra foi assinado.

“Essa linha sofreu muitos azares. Primeiro veio a Lava Jato, que comprometeu a capacidade financeira do consórcio vencedor, depois a falência da fabricante do trem na Malásia”, lembrou. Segundo ele, o monotrilho é um projeto de encaixes complexos.

“Quando o consórcio inicial foi desfeito, o estado passou a licitar por partes, e fazer a junção de tudo isso é um grande desafio. É uma corrida de obstáculos. Sem dúvida, a atual gestão tem mérito por conseguir concluir a obra, mas as gestões anteriores também deram suas contribuições”, avaliou.

O planejamento atual prevê a conclusão das obras civis, seguida por um período de testes, antes do início da operação comercial. Mais de uma década após o prazo original, a linha 17 finalmente começa a sair do papel, ainda que de forma reduzida e longe do projeto inicialmente prometido à população.

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Fonte: Gazeta do Povo

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