Bianca Francelino, médica vítima de assédio sexual no Paulistão –
Na véspera do Dia da Mulher, as mulheres no esporte receberam mais um lembrete do quanto simplesmente trabalhar pode se tornar perigoso. No último sábado, 7, a médica Bianca Francelino foi vítima de assédio sexual durante uma partida do Campeonato Paulista Série A4, no Estádio Palma Travassos, em Ribeirão Preto.
O episódio aconteceu durante o confronto entre Comercial (Ribeirão Preto) e Nacional (SP), válido pela nona rodada da competição. Bianca trabalhava na partida prestando atendimento médico à equipe visitante.
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Segundo relato da profissional, torcedores posicionados próximos ao alambrado passaram a fazer comentários ofensivos e de cunho sexual durante praticamente todo o jogo.
“Gritavam ‘doutora gostosa’ o tempo inteiro. Diziam ‘vem aqui me examinar’, pediam WhatsApp e Instagram e apontavam para partes íntimas”, contou a médica à EPTV.
Ela também relatou que ouviu comentários dizendo que, caso não quisesse escutar esse tipo de “zoeira”, não deveria estar trabalhando no campo.
Inicialmente, Bianca afirmou que preferia não comentar o ocorrido, mas decidiu se posicionar para não deixar a situação passar em silêncio. “Nós, como mulheres, não devemos deixar esse tipo de situação calar a gente. Ninguém pode decidir onde uma mulher deve ou não atuar“, afirmou.
Clube e federação se manifestaram
Em nota, o Comercial repudiou o ocorrido e informou que um dos torcedores envolvidos já foi identificado. A Federação Paulista de Futebol também informou que o caso foi encaminhado às autoridades competentes e que os responsáveis poderão ser punidos.
De acordo com a súmula da partida, a árbitra Ana Caroline D’Eleutério foi informada sobre o caso após relato feito pelo técnico do Nacional-SP, Tuca Guimarães.
Torcedor pode ser banido do estádio
O episódio em questão pode ser enquadrado no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que trata de atos discriminatórios ou ofensivos em eventos esportivos.
Caso a denúncia seja confirmada, o clube pode receber multa que varia de R$ 100 a R$ 100 mil. Já o torcedor identificado pode ser proibido de frequentar estádios por até 720 dias.
A situação ainda gerou discussão nas arquibancadas. O namorado da médica, que assistia à partida, tentou intervir após presenciar os insultos e relatou ter sido ameaçado por um dos torcedores.
O caso segue sob análise das autoridades e dos órgãos da justiça desportiva.
Fonte: A Tarde



