terça-feira, fevereiro 24, 2026
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MC Negão Original segue promovendo bets e cantando sobre golpes

João Vitor Ribeiro, conhecido artisticamente como MC Negão Original –

João Vitor Ribeiro, conhecido artisticamente como MC Negão Original, passou a figurar entre os alvos da operação “Fim da Fábula”, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo, que investiga um esquema de golpes digitais com movimentação estimada em R$ 100 milhões em todo o país.

A ação, coordenada pelo Departamento de Investigações Criminais (Deic) em parceria com o Ministério Público de São Paulo, cumpre 120 mandados de busca e apreensão e 53 de prisão temporária em cidades de São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. A Justiça também determinou bloqueio de bens e restrição de contas bancárias ligadas aos investigados.

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Esquema sob investigação

Segundo as apurações, o grupo teria estruturado um sistema de lavagem de dinheiro com uso intensivo de fintechs e plataformas de apostas on-line. Após convencer vítimas a realizar transferências, em golpes como “falso advogado”, “golpe do INSS” e “mão fantasma”, os valores eram rapidamente pulverizados por meio de contas digitais, muitas abertas com documentos de terceiros ou identidades falsas.

A alta rotatividade dessas contas e a facilidade de abertura em instituições digitais permitiam que o dinheiro circulasse em dezenas ou centenas de transações em poucos minutos, dificultando o rastreamento. Empresas de fachada também teriam sido utilizadas para emitir notas fiscais frias e dar aparência formal aos recursos obtidos de forma ilícita.

Dentro desse contexto, letras de músicas atribuídas ao cantor passaram a integrar as linhas de investigação. Trechos fazem referência a cartões clonados e transferências via Pix, elementos que, segundo os investigadores, dialogam com práticas sob apuração.

Até o momento, o artista não foi preso. A defesa, representada pelo advogado Robson Cyrillo, informou em nota que ainda não teve acesso integral aos autos da investigação, o que impossibilita uma análise técnica aprofundada das acusações.

Da periferia aos palcos

Natural de São Paulo, João Vitor costuma narrar a própria trajetória como marcada por contrastes. Em entrevista ao portal Metrópoles, afirmou que ingressou no crime ainda jovem por necessidade financeira, diante da escolha entre trabalhar para ajudar a mãe ou continuar os estudos.

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Antes da projeção no funk, teve forte vínculo com a religião. Na adolescência, atuou como pregador em igreja evangélica e viajou para outros estados participando de cultos. No mesmo período, segundo relatou, também se envolveu com atividades ilícitas, como tráfico e golpes on-line, fase que descreveu posteriormente como parte de um processo de transformação pessoal.

Ele também menciona uma passagem por uma clínica de acolhimento, onde permaneceu cerca de seis meses, experiência que teria reforçado sua espiritualidade e a decisão de mudar de rumo.

A construção do personagem

A projeção nacional começou com vídeos publicados nas redes sociais, nos quais relatava histórias da periferia usando gírias que viralizaram. O próprio artista afirmou ter percebido ali o nascimento de um personagem que impulsionou sua popularidade.

Com milhões de seguidores, mais de 4 milhões, passou a investir na música sob o nome MC Negão Original. Incentivado por nomes do funk paulista, iniciou gravações em estúdio e ganhou espaço nos bailes. De acordo com sua equipe, chegou a realizar dezenas de apresentações em um único mês, com cachês que podem alcançar cerca de R$ 30 mil por show.

Seu repertório se insere no chamado “proibidão” paulista, vertente marcada por letras que retratam o cotidiano das periferias, ostentação e referências ao crime. O estilo frequentemente provoca debates sobre liberdade de expressão e os limites narrativos dentro do gênero.

Entre a música e a televisão

Além dos palcos, MC Negão Original participou da série DNA do Crime e já declarou interesse em seguir carreira como ator. Sua trajetória chegou a ser comparada à narrativa de Sintonia, produção ambientada nas periferias paulistas.

Em publicações nas redes sociais, o cantor afirmou tentar separar a figura artística da vida pessoal e se descreveu como alguém espiritualizado, embora não frequente atualmente uma igreja específica. “Na igreja, no crime e no funk eu tive destaque”, escreveu ao comentar o próprio percurso.

Agora, o nome do funkeiro passa a integrar oficialmente uma investigação que apura um dos maiores esquemas recentes de fraudes digitais no país. O caso segue em andamento.



Fonte: A Tarde

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