A conversa de recompra de refinarias, como a de Mataripe já faz parte dos planos do governo Lula (PT) –
Há anos, a Petrobras tomou uma decisão que envolveu a divisão de tarefas no mercado de combustíveis no Brasil. Iniciou, durante o governo Bolsonaro (PL), um processo de privatização de unidades de refinos por valores abaixo do mercado.
A partir daí, a Petrobras passou apenas a ser responsável por áreas de pesquisa, perfuração e extração, enquanto as refinarias eram vendidas por companhias de energia, como foi o caso da Refinaria Landulpho Alves, atual Refinaria de Mataripe, em Camaçari.
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A clara intenção de dividir a estatal, com objetivo de reduzir a dívida da companhia, fez com que os cenários passassem a ser marcados pelo aumento desenfreado no preço final dos combustíveis. E essa discrepância ficou ainda mais escancarada com os conflitos no Oriente Médio.
Mais cedo, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que a estatal estuda assumir todo o mercado de diesel no Brasil, nos próximos cinco anos. Os planos, entretanto, se esbarram em um cenário marcado por privatização e indecisões sobre inseguranças econômicas e jurídicas.
Os planos não são novos. A conversa de recompra de refinarias, como a de Mataripe pela Petrobras, já faz parte dos planos do governo Lula (PT) há cerca de dois anos.
Especialistas apontam que há sim possibilidade de aumento de poder da estatal sobre as unidades além de adquirir mais controle para atenuar problemas como a volatilidade desenfreada do mercado internacional, mas a recompra não seria algo decisivo para o controle dos combustíveis.
Do ponto de um visto econômico, sim, isso aumenta o poder da companhia e certamente o controle maior dela sobre a cadeia e pode lhe conferir um um poder um pouco maior, inclusive de atenuar problemas como esse que nós estamos vivendo de uma crise do mercado, lógico
Quanto custará a recompra?
De acordo com Antônio, é preciso entretanto que uma das primeiras coisas a serem discutidas seja o valor do investimento com a recompra.
“Logicamente que a valuation da época não é a de hoje. Houve um um incremento de valor, hoje certamente a refinaria vale mais do que o preço que ela foi vendido na época, até porque houve evolução do mercado e houve investimentos também. Se houver recompra, com base na operação prevista, ela vai gerar retorno para a companhia”, continuou ele.
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Para que a recompra seja feita, é necessário, entretanto, que essa decisão esteja alinhada ao Conselho de Administração da Petrobras, junto com acionistas, avaliando se a proposta realmente convence ou se o recurso que vai ser desembolsado com a proposta, logicamente vai ser maior do que o comprado na época.
“Tecnicamente é bom para a companhia, mas quem tem que decidir isso é o conselho de administração. Os acionistas precisam interferir, precisam ser ouvidos e precisam saber primeiro quanto vai ser pago pela refinaria”, continuou ele.
Nem tudo são flores
Entretanto, o economista explica que há entraves que podem surgir com prejuízos para o país.
“Do ponto de vista jurídico, é preocupante porque se a transação não for muito bem conduzida, ela pode deixar uma mácula no país em relação à venda de empresas públicas. Caso ela não seja muito bem conduzida.
Procurada pela reportagem, a Mubadala Capital, de Abu Dhabi, fundo soberano responsável pela gestão de Refinaria de Mataripe (RLAM) na Bahia, disse não comentar casos da presidente da Petrobras e nem do presidente Lula. Quando questionada sobre possibilidade de revenda, a empresa reiterou que não comentaria sobre o assunto.
Fonte: A Tarde



