
Emprestado pelo Bahia ao Eyüpspor até junho de 2026, o goleiro Marcos Felipe, de 29 anos, não vem sendo utilizado no futebol turco – mas o motivo não seria técnico. Apesar de ter chegado como titular e iniciado sua trajetória no clube com boas atuações, o jogador foi retirado das partidas por falta de pagamentos ao Bahia decorrentes da prisão do presidente do clube, segundo o staff do atleta.
A situação do goleiro está diretamente ligada a um escândalo de apostas que atingiu o futebol turco no fim de 2025, culminando na prisão de dirigentes, árbitros e outros envolvidos.
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Entre os detidos está Murat Ozkaya, presidente do Eyüpspor, além de outras oito pessoas ligadas ao esquema. No mesmo cenário, a Federação Turca de Futebol suspendeu mais de mil jogadores e dezenas de árbitros durante as investigações.
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Dívida com o Bahia
Em meio ao caos institucional, o Eyüpspor não efetuou o pagamento do empréstimo de Marcos Felipe ao Bahia, conforme previsto em contrato, segundo o assessor Marcos Benjamin, integrante do staff do goleiro.
Diante do atraso, o Esquadrão teria notificado oficialmente a equipe turca. A resposta, no entanto, não veio em forma de regularização financeira.
Segundo apuração do Portal A Tarde, a partir da notificação, o Eyüpspor passou a retirar Marcos Felipe dos jogos como forma de represália, condicionando seu retorno às partidas à assinatura de um contrato definitivo com o clube turco, proposta que o goleiro recusou.
“(O clube está) obrigando ele a assinar um contrato definitivo, coisa que ele não quer, porque está uma zona sem presidente“, afirmou o staff do atleta.
A negativa do jogador se dá, principalmente, pela instabilidade administrativa do Eyüpspor, que está sem comando claro após a prisão de seus dirigentes, além do próprio descumprimento contratual envolvendo tanto o Bahia quanto o atleta, que também está sem receber débitos que lhe são devidos.
Situação não é técnica
Apesar de rumores que especulam que a falta de Marcos Felipe entre os relacionados do clube seria relacionada ao rendimento do atleta, eleito melhor do time já no jogo de estreia na Turquia, a equipe afirma que a situação não é técnica em nenhuma instância.
“O problema lá é o seguinte: ele teve uma sequência boa e, a partir do momento que passou o prazo do pagamento para o Bahia e o Bahia notificou o clube, ele foi barrado, então o motivo dele não estar jogando não é técnico, é uma represália do clube turco”, disse o staff.
“O clube turco falou o seguinte: ‘faz o seguinte então, Marcos, assina aqui com a gente o definitivo que a gente volta tudo ao normal’. Se ele não assinar, ele não joga. Simples assim“, completou.
A partir daí, o goleiro passou a ser relacionado, mas sem entrar em campo, até deixar de ser incluído até mesmo no banco de reservas, tudo por determinação da diretoria. “Não é uma decisão técnica. É uma ordem de cima“, disse o staff.
Salários em atraso
Além da dívida com o Bahia, o Eyüpspor também não quitou integralmente os valores acordados com Marcos Felipe, incluindo parte de seus salários. Segundo o staff do jogador, os pagamentos foram interrompidos após a notificação feita pelo clube brasileiro.
Sem intenção de assinar um vínculo definitivo nas atuais condições, Marcos Felipe corre o risco de ficar sem atuar até o fim do empréstimo, caso a situação não seja resolvida.
Diante disso, seus representantes trabalham para buscar uma solução antecipada, que pode envolver a rescisão do empréstimo e a saída do jogador ainda nesta janela de transferências, permitindo que ele volte a atuar regularmente.
“O staff do jogador está buscando solucionar a questão para tentar tirar ele de lá antes e aproveitar ainda essa janela. Ele não tem intenção nenhuma de assinar”, finalizou o staff.
Crise no futebol turco
A situação do goleiro se insere em um cenário maior de instabilidade no futebol da Turquia. Além das prisões, a TFF suspendeu 149 árbitros e assistentes no início do mês e investiga o envolvimento de atletas de clubes tradicionais como Galatasaray e Besiktas em esquemas de apostas ilegais.
Até o momento, o Eyüpspor não se pronunciou oficialmente sobre o caso. O Bahia foi procurado, e a matéria segue aguardando resposta.
Fonte: A Tarde



