O UFC Vegas 113, “noite de horrores” para o Brasil, com seis derrotas de sete lutas no card realizado no Meta Apex, prometia ser o último degrau até o Top 5 do peso-pesado para o baiano Jailton “Malhadinho” Almeida – mas acabou sendo o final de um ciclo.
Depois de perder a luta para o russo Rizvan Kuniev no último sábado, 7, sua segunda derrota consecutiva, o lutador anunciou seu retorno à categoria dos meio-pesados, até 93kg.
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A mudança perpassa um cenário que a dá diversos motivos. De início, a categoria peso-pesado vive um momento de estagnação, desde que o campeão Tom Aspinall sofreu uma síndrome de Brown traumática no UFC 321, exigindo duas cirurgias oculares e, por isso, paralisando a divisão.
Para Malhadinho, no entanto, a parada não deveria acontecer: “Não acho que isso seja motivo para a categoria parar. Não dá para todo mundo ficar esperando ele resolver o que vai fazer da carreira, ainda mais se existir a possibilidade de ele parar”.
“A categoria precisa andar. Tem gente querendo voltar, tem gente querendo subir, e não faz sentido deixar tudo parado esperando uma definição individual”, completou em entrevista ao Portal A TARDE.
Com a categoria “congelada”, Malhadinho ocupava a sexta posição do ranking quando aceitou enfrentar Kuniev com apenas três semanas de aviso, substituindo Ryan Spann.
Malhadinho e Kuniev no UFC
“A gente estava conversando com os empresários quando a luta apareceu. Foi oferecida para outros atletas, mas acabou chegando para nós. Aceitamos com cerca de três semanas para a luta”, contou.
“O que fizemos foi intensificar um pouco mais a preparação e ajustar alguns detalhes específicos para essa luta, porque ele é um cara duro, completo. Tem provocação, sabe derrubar, gosta da luta agarrada. Não é um adversário fácil”, explicou.
A estratégia de Kuniev, striker de elite com mãos pesadas e envergadura para interceptar quedas, prevaleceu no Meta Apex, criando uma sequência dolorosa após os acontecimentos do UFC 321.
Desagrados de Dana White
Ainda que tenha sido a luta contra Kuniev a gota d’água da troca de divisão, os problemas nos pesados começou em outubro de 2025, no UFC 321, quando Malhadinho perdeu para Alexander Volkov por decisão dividida.
Naquela noite, Dana White afirmou estar “feliz” com o resultado porque “você não pode ganhar uma luta ficando apenas deitado em cima de alguém”. Para Malhadinho, no entanto, o comentário não foi tão ofensivo.
“Por muitos dias eu senti que tinha vencido aquela luta. É claro que não tive aquela agressividade mais explosiva, mas consegui contrabalançar com volume e controle nos últimos rounds. Na hora da decisão ficou aquela dúvida”, relatou.
“Depois disso, voltei para a academia, assisti à luta com calma e fiz alguns ajustes pontuais. Eu senti que aprendi muito com aquela luta”, completou. Sobre as palavras duras de White, ele garante que se manteve tranquilo.

Vitória de Kuniev no UFC
“Eu sou muito tranquilo em relação a críticas e elogios. Não absorvo isso de forma negativa. A palavra não mata ninguém. A gente escuta, filtra, segue tranquilo, faz o que tem que ser feito e continua a caminhada. Independentemente do que falem, o caminho é sempre seguir em frente e evoluir”, opinou.
Apesar das cobranças por agressividade, Malhadinho defendeu seu estilo de pressão constante como sua marca registrada: “Meu estilo é esse. Eu luto da forma que treino na academia. Claro que a gente se adapta ao adversário, mas essa é a minha identidade no esporte. É o que eu construí ao longo da carreira, e vou continuar assim“, disse.
A volta aos 93 kg
Com a derrota após uma luta quase inteiramente disputada em pé e com muito uso de controle de grades, o empresário Leonardo Pateira confirmou que Malhadinho retornará aos meio-pesados, divisão onde iniciou no UFC com seis vitórias seguidas e onde conquistou seu contrato no Contender Series.
A mudança visa corrigir a desvantagem física, já que Jailton é hoje um dos menores pesos-pesados do plantel, e retomar o caminho das vitórias com o “impacto imediato” que a categoria de baixo permite.
Fonte: A Tarde



