terça-feira, março 24, 2026
spot_img
HomeDestaquesMãe de Sara Freitas relata “sonho revelação” com a morte da filha...

Mãe de Sara Freitas relata “sonho revelação” com a morte da filha antes do crime

Mãe da vítima, Dolores Freitas Souza Lima –

O julgamento dos acusados pela morte da cantora gospel Sara Freitas foi marcado por um depoimento forte e carregado de emoção nesta terça-feira, 24, no Fórum de Dias D’Ávila. A mãe da vítima, Dolores Freitas Souza Lima, trouxe novos detalhes sobre o relacionamento da filha e fez um relato que chamou atenção no plenário.

“Sonho revelação” antes do crime

Um dos pontos mais impactantes do depoimento foi a afirmação de que, cerca de dois meses antes do crime, Dolores teria tido um sonho em que via a filha sendo morta pelo próprio marido, Ederlan Santos Mariano.

Tudo sobre Polícia em primeira mão!

Segundo ela, na mesma visão, os outros dois acusados também apareciam, o que, de acordo com seu relato, aumentou a preocupação com a segurança da filha ainda em vida.

Relacionamento conturbado

Durante o depoimento, a mãe detalhou como começou o relacionamento entre Sara e Ederlan, afirmando que os dois se conheceram pelas redes sociais e que ele chegou a viajar até Fortaleza para conhecê-la.

Ela também descreveu um relacionamento marcado por conflitos. De acordo com Dolores, Sara relatava que o companheiro consumia bebida alcoólica com frequência, utilizava substâncias químicas e apresentava comportamento agressivo dentro de casa.

Ainda segundo o depoimento, as queixas da cantora teriam se intensificado após a mãe compartilhar o sonho e demonstrar medo do que poderia acontecer.

Dependência financeira e conflitos

Dolores afirmou que Sara era a principal responsável pelo sustento da casa, trabalhando como cantora e com a venda de produtos, além de receber ajuda de líderes religiosos.

Já Ederlan, segundo ela, trabalhava com filmagens, mas enfrentava dificuldades na área e não aceitava buscar outra ocupação, o que gerava discussões frequentes.

A mãe também relatou que a filha chegou a guardar cerca de R$ 30 mil com ela, temendo que o marido tivesse acesso ao dinheiro.

Ameaças e comportamento suspeito

O depoimento também trouxe relatos de episódios de ameaça. Segundo Dolores, Sara contou que o marido queria comprar uma arma e que, ao discordar, foi ameaçada.

Ela ainda afirmou que o comportamento dele incluía crises de ciúmes e suspeitas de monitoramento, o que levou a cantora a trocar de celular.

Leia Também:

Dolores relatou ainda um episódio em que disse ter sido embriagada sem consentimento por Ederlan e ameaçada após mencionar a possibilidade de chamar a polícia.

Outros pontos citados no depoimento

A mãe da vítima também mencionou episódios anteriores envolvendo o acusado, como a suspeita de furto de dinheiro de familiares, além de conflitos familiares envolvendo a filha de Sara.

Ela ainda comentou sobre pessoas próximas à cantora, incluindo um homem apontado como possível envolvimento amoroso da vítima, negando qualquer relação.

Como funciona o julgamento

O júri popular do caso Sara Freitas segue em andamento nesta terça-feira, 24, no Fórum Criminal de Dias D’Ávila, na Região Metropolitana de Salvador. Ao todo, 17 testemunhas foram arroladas no processo, que julga três réus acusados de participação no feminicídio.

A sessão ocorre em segredo de Justiça, mas é aberta ao público e à imprensa, com algumas restrições. Segundo o juiz Bernardo Mário Dantas Lubambo, titular da 14ª Vara Criminal da Comarca de Salvador, a expectativa é de que o julgamento se estenda por mais alguns dias, embora haja a intenção de concluir ainda nesta terça.

O rito do júri segue uma sequência definida:

  • Primeiro são ouvidas as testemunhas do Ministério Público, cinco ao todo, começando pela mãe da vítima, Dolores Freitas;
  • Em seguida, prestam depoimento as testemunhas de defesa, com número que varia entre os réus;
  • Após os depoimentos, são realizados os interrogatórios dos acusados;
  • Na sequência, acusação e defesa apresentam seus argumentos em debate, com até 2h30 para cada lado;
  • Por fim, ocorre a réplica, com direito a até 2 horas.

Relembre o crime

O crime ocorreu em 24 de outubro de 2023, na entrada do povoado Leandrinho, em Dias D’Ávila. De acordo com o Ministério Público, Sara Freitas foi atraída sob o pretexto de participar de um evento religioso e assassinada com 22 golpes de faca.

Após o homicídio, o corpo foi ocultado e queimado. As investigações apontam que o crime foi cometido de forma organizada, com divisão de tarefas entre os envolvidos, motivado por promessa de recompensa financeira e interesses ligados à carreira artística de um dos acusados.



Fonte: A Tarde

- Advertisment -spot_img

Mais lidos